quinta-feira, julho 11, 2013

Luciano Perrone

Luciano Perrone, baterista, percussionista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 08/01/1908, e faleceu em 13/02/2001. Um dos mais importantes bateristas brasileiros do século XX, começou sua vivência musical como cantor lírico, aos 5 anos.

Filho do maestro Luís Perrone e da pianista Noêmia Perrone, aos 9 anos experimentou um momento de glória, ao ser o único menino a contracenar com o famoso tenor italiano Enrico Caruso quando este veio ao Brasil, em 1917.

No ano seguinte abandonou os estudos de bel canto por causa da morte do pai, vítima da epidemia de gripe espanhola no Rio de Janeiro.

Em 1922 trabalhou na dublagem do filme O Garoto, de Charlie Chaplin, interpretando Jackie Coogan ao vivo nas sessões do cine Odeon. Nesta mesma ocasião substituiu o baterista da orquestra do cinema, produzindo efeitos sonoros, e passou a atuar como percussionista e baterista.

Em 1924, ao atuar em bailes acompanhando pianistas de renome, como Osvaldo Cardoso de Menezes, seu prestígio aumentou muito e, a partir daí, percorreu diversos cinemas e teatros, tocando em variadas orquestras e jazz-bands.

Notabilizou-se em 1927, quando inovou na batida de samba, em gravações da Odeon com a orquestra de Simon Bountman. A partir de então, construiu uma sólida carreira como baterista.

Em 1929, atuando no Cassino Éden, em Lambari, MG, conheceu Radamés Gnattali, de quem se tornou amigo e com quem tocaria por toda a vida. Alguns anos depois o maestro, inclusive, lhe dedicou duas peças: Samba em três andamentos e Bate-papo a três vozes, onde a bateria de Luciano teve lugar de destaque como solista.

No dia 12 de setembro de 1936 participou do programa inaugural da Rádio Nacional e passou a integrar as diversas orquestras e conjuntos da emissora. Texto publicado na revista Carioca, em outubro desse mesmo ano, diz ter sido Perrone “o primeiro a oferecer ao público um concerto de bateria, o que aconteceu na Rádio Cajuti, e ter sido o primeiro a gravar este instrumento em discos”. E conclui: “Sonha ele com uma orquestra bem organizada e bem ensaiada, que possa levar ao mundo, em interpretações perfeitas, a magnitude da nossa melodia e a riqueza incomparável dos nossos ritmos...”.

Em 1939 participou da histórica gravação de Aquarela do Brasil , na voz de Francisco Alves e arranjo de Radamés Gnattali. A essa altura, Luciano Perrone se tornara o dono da bateria no Brasil. Uma legenda de fotografia publicada em uma revista da época diz: “Luciano Perrone é, sem favor, o mais completo "bateria" do nosso broadcasting. Homem dos sete instrumentos, dispondo de uma agilidade extraordinária, as suas atuações constituem um verdadeiro espetáculo".

Em 1960, com Radamés e Aída Gnattali, Edu da Gaita, Chiquinho do Acordeon, José Menezes, Vidal e Luis Bandeira, integrou a 3ª Caravana Oficial da Música Popular Brasileira, que excursionou pela Europa, apresentando-se em Portugal, França, Inglaterra e Itália. Nessa excursão, segundo Ary Vasconcellos “o baterista brasileiro recebe as melhores referências da imprensa e da crítica do Velho Mundo, às quais a vibração das plateias diante dos nossos ritmos parece ter-se comunicado”.

Em 1963 lançou o disco Batucada Fantástica acompanhado pelo conjunto Ritmistas Brasileiros, com exemplos percussivos de diversos ritmos brasileiros, como maracatu, baião, maxixe, afoxé e, claro, samba. Tocou nas rádios Nacional e MEC e foi timpanista da Orquestra Sinfônica Nacional, além de integrante da Orquestra Radamés Gnattali e do Sexteto Radamés Gnattali.

Aposentou-se em 1968, mas ainda em 1972 gravou Batucada Fantástica Vol. 3.



Discografia


1932 Pedaço por ti • Columbia • 78
1932 Meu sabiá/Um beijo só • Columbia • 78
1932 Alvorada/O vendedor de pipoca • Columbia • 78
1955 A voz do morro/Sorriu pra mim • Continental • 78
1956 Faceira/Bate papo a três vozes • Continental • 78
1967 Batucada fantástica • Musidisc • LP
1972 Batucada fantástica, volume 3 • Musidisc • LP

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Fontes: Clique Music; Agenda do Samba & Choro.

quarta-feira, julho 10, 2013

Georges Moran

Russo de nascimento, alemão de educação, francês por temperamento e brasileiro por convivência, Georges Moran é um artista apaixonado e um compositor de talento (Foto: O Malho, de 21/07/1938).

Georges Moran, maestro e compositor, nasceu em São Petesburgo, Rússia, em 05/07/1900, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 07/10/1974. Na Rússia estudou piano e violino. Judeu russo imigrou para a Alemanha em 1923, onde se casou. Com a subida dos nazistas ao poder fugiu para a França em 1934 e depois viajou para o Brasil no mesmo ano, iniciando a carreira artística como instrumentista tocando balalaica.

Mais tarde, tocando piano e violino fez parte de diversos pequenos conjuntos, trabalhando em revistas teatrais e fazendo shows em cassinos, além de atuar em estações de rádio. Logo fez parceria com Osvaldo Santiago com quem compôs suas primeiras músicas no Brasil. Suas primeiras composições gravadas foram o fox-canção Vinte e quatro horas sem amor, e a valsa Meu sonho é só meu, parcerias com Osvaldo Santiago, e lançadas por Carlos Galhardo na Victor.



Em 1938, Vicente Celestino gravou na Victor a valsa-canção Madona, com Manoel da Nóbrega, enquanto Orlando Silva, então em pleno sucesso, lançou também pela Victor a valsa Balalaika, com Armando Fernandes.



Em 1939, teve duas composições gravadas por Nuno Roland na Odeon a valsa-canção Manon, com Osvaldo Santiago, e o fox-blue Rosali, e mais duas por Cândido Botelho na mesma gravadora: a valsa-canção Fosse eu dono da tua boca, e a valsa Canta guitarra, ambas em parceria com Osvaldo Santiago. Nesse ano, Roberto Paiva gravou na Odeon a valsa Sim... És... Tu, e o fox-blue Apaixonei-me outra vez, esta última, parceria com Osvaldo Santiago, e que se tornou um dos sucessos do ano. Uma outra composição foi registrada por Dircinha Batista e lançada no início do ano seguinte para o carnaval: a marcha Katucha, com Osvaldo Santiago.

Também em 1939, Carlos Galhardo gravou na Victor o fox-canção Linda butterfly, a valsa Perfume de mulher bonita, e o fox Dia há de chegar, todas com Osvaldo Santiago, enquanto Orlando Silva, também na Victor, registrou o fox Como tu ninguém, com Manoel da Nóbrega, e o fox Zíngaro, e Cândido Botelho na Odeon a valsa-canção Fosse eu dono da tua boca e a valsa Canta guitarra, ambas com Osvaldo Santiago.





No início de 1940, teve gravadas suas primeiras parcerias com o poeta J. G. de Araújo Jorge, a valsa Ao som das balalaicas, seu maior sucesso, e o fox-canção Moreninha linda, ambas na voz de Nuno Roland. Nesse ano a dupla caipira Alvarenga e Ranchinho gravou na Odeon a rancheira Brasileiro apaixonado, com Osvaldo Santiago. Ainda em 1940, Sílvio Caldas gravou na Victor a valsa Kátia, com Victor Bezerra, e Carlos Galhardo, também na Victor, lançou as valsas Dois navios, com Victor Bezerra, e Confissão, com Manoel da Nóbrega.





Em 1941, na Victor, Sílvio Caldas gravou a valsa Se tu soubesses, com Cristóvão de Alencar. Já pela Odeon, Newton Teixeira lançou a valsa Se tudo fosse meu, também com Cristóvão de Alencar. No ano seguinte, ainda na Victor, Carlos Galhardo lançou a valsa A mulher que eu tanto adoro, com Mário Rossi. Para o carnaval de 1942, a marcha Eu tenho um cachorrinho, com Osvaldo Santiago, foi gravada na Odeon por Emilinha Borba.




Em 1943, o trio vocal Trigêmeos Vocalistas gravou na Columbia o fox A minha namorada Juju, com Freitas Guimarães. Nesse ano, na Odeon, foram gravadas duas parcerias com o poeta J. G. de Araújo Jorge, o fox-canção Primavera em flor, na voz de Odete Amaral, e a valsa Será verdade?, no registro de Orlando Silva, que também gravou o fox Podes mentir, com Aldo Cabral.

Ainda em 1943, Francisco Alves lançou na Odeon a valsa-canção Ainda serás minha, com Cristóvão de Alencar, enquanto os Anjos do Inferno registraram na Continental a rumba Praia mulher, com J. G. de Araújo Jorge, Silvio Caldas gravou Ninotchka, com  Cristóvão de Alencar, e os Trigêmeos Vocalistas na mesma gravadora lançaram o fox A minha namorada Juju, com Freitas Guimarães. Nessa mesma época, uma valsa sua ganhou letra de David Nasser com o nome de Exilado sendo gravada por Carlos Galhardo sendo assim uma espécie de autobiografia dele que tinha vindo se exilar no Brasil.





Em 1944, teve gravadas a valsa Oi, iaiá baiana, com Freitas Guimarães, por Francisco Alves, o paso-doble Carioca, com J. G. de Araújo Jorge, pelos Trigêmeos Vocalistas, e a valsa Toureador, com Osvaldo Santiago, por Odete Amaral e Quarteto de Bronze, as três na Odeon, além da valsa Indiferença, com J. G. de Araújo Jorge, na voz de Carlos Galhardo, na Victor. No ano seguinte, na Odeon, os Trigêmeos Vocalistas registraram o fox Os três mosqueteiros, com Freitas Guimarães.




Em 1946, o fox Francesinha, com letra de Osvaldo Santiago foi registrado na Odeon pelos Trigêmeos Vocalistas que lançaram também, visando o carnaval seguinte, a marcha Volga, volga, com letra também de Osvaldo Santiago. Orlando Silva gravou na Odeon em 1947, a valsa Perdoa, meu amor!, com J. G. de Araújo Jorge, e logo em seguida a valsa Maldito amor, com Cristóvão de Alencar.



Em 1953, mostrando já estar bem ambientado à musicalidade brasileira depois de quase 20 anos no Brasil, compôs o samba Perversa gravado na RCA Victor por Gilberto Milfont. No mesmo ano, compôs o samba Ninguém te afastará de mim, com letra de J. G. de Araújo Jorge, gravado por Carlos Galhardo na RCA Victor.

Em 1954, a valsa Aconteceu assim, com Osvaldinho, foi lançada na RCA Victor por Carlos Galhardo, enquanto Francisco Carlos na mesma gravadora lançou o bolero Ela me beijava, com Carlos Barroso. No ano seguinte, seu bolero Bella madonna, foi registrado por Carlos Galhardo.

Teve em 1957, os sambas-canção Se tu soubesses e Não voltarás, nem voltarei..., com Nogueira da Silva, gravados por Lúcio Alves no LP Serestas lançado pela Mocambo.

Em 1969, tornou-se um dos primeiros músicos populares a obter a aposentadoria. Passou os seis últimos anos de vida vivendo de forma precária em São Paulo em moradia modesta. Acometido de derrame cerebral foi acudida pela filha e transferido para o abrigo Lar João XXIII onde veio a falecer.

Obra


A minha namorada Juju (c/ Freitas Guimarães), A mulher que eu tanto adoro (c/ Mário Rossi), Aconteceu assim (c/ Osvaldinho), Ainda serás minha (c/ Cristóvão de Alencar), Ao som das balalaicas (c/ J. G. de Araújo Jorge), Apaixonei-me outra vez (c/ Osvaldo Santiago), Apartamento pequenino (c/ R. Costa), Balalaika (c/ Armando Fernandes), Bella madonna, Brasileiro apaixonado (c/ Osvaldo Santiago), Canção do barqueiro do Volga (c/ Arlindo Marques Junior), Canta guitarra (c/ Osvaldo Santiago), Carioca (c/ J. G. de Araújo Jorge), Chiquita (c/ Osvaldo Santiago), Como tu ninguém (c/ Manoel da Nóbrega), Confissão (c/ Manoel da Nóbrega), De amar-te tanto, Dia há de chegar (c/ Osvaldo Santiago), Dois navios (c/ Victor Bezerra), Ela me beijava (c/ Carlos Barroso), Eu te amo (c/ Cristóvão de Alencar), Eu tenho um cachorrinho (c/ Osvaldo Santiago), Exilado (c/ David Nasser), Fosse eu dono da tua boca (c/ Osvaldo Santiago), Francesinha (c/ Osvald Santiago), Indiferença (c/ J. G. de Araújo Jorge), Kátia (c/ Victor Bezerra), Katucha (c/ Osvaldo Santiago), Linda butterfly (c/ Osvaldo Santiago), Madona (c/ Manoel da Nóbrega), Maldito amor (c/ Cristóvão de Alencar), Manon (c/ Osvaldo Santiago), Meu amigo violão (c/ J. G. de Araújo Jorge), Meu mundo se chama você (c/ Osvaldo Santiago), Meu sonho é só meu (c/ Osvaldo Santiago), Minha namorada Juju (c/ Freitas Guimarães), Moreninha linda (c/ J. G. de Araújo Jorge), Mulher que eu tanto adoro (c/ Mário Rossi), Não quero mair chorar (c/ Aldo Cabral), Ninguém te afastará de mim (c/ J. G. de Araújo Jorge), Ninotchka (c/ Cristóvão de Alencar), Nunca sonhei (c/ J. G. de Araújo Jorge), Oi, iaiá baiana (c/ Freitas Guimarães), Olhos negros (c/ Arlindo Marques Junior), Os três mosqueteiros (c/ Freitas Guimarães), Perdoa, meu amor! (c/ J. G. de Araújo Jorge), Perfume de mulher bonita (c/ Osvaldo Santiago), Perversa, Podes mentir (c/ Aldo Cabral), Praia mulher (c/ J. G. de Araújo Jorge), Primavera em flor (c/ J. G. de Araújo Jorge), Rosali, Se tu soubesses (c/ Cristóvão de Alencar), Se tudo fosse meu (c/ Cristóvão de Alencar), Será verdade? (c/ J. G. de Araújo Jorge), Silêncio (c/ David Nasser), Sim, és tu, Só me falta você (c/ J. G. de Araújo Jorge), Toureador (c/ Osvaldo Santiago), Tu precisas de mim (c/ J. G. de Araújo Jorge), Uma vez, outra vez (c/ Osvaldo Santiago), Vinte e quatro horas sem amor (c/ Osvaldo Santiago), Volga, Volga (c/ Osvaldo Santiago), Zingaresca (c/ Maugéri Neto), Zíngaro.

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Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Revista "O Malho", de 21/07/1938.

terça-feira, julho 09, 2013

Cida Tibiriçá

"Não há duvida de que São Paulo vem fornecendo um grande contingente de astros ao broadcasting nacional. Cida Tibiriçá, que se apresentou, recentemente, ao público do Rio pelo microfone da Cruzeiro do Sul, é, sem dúvida, uma afirmação de valor artístico indiscutível. Ela interpreta admiravelmente a música popular americana e imita Betty Boop dos desenhos animados com uma graça especial. Apesar de curta a sua permanência no Rio, Cida Tibiriçá conquistou um número incontável de fãs. Em São Paulo, ela pertence ao cast da Rádio Cosmos e grava discos na Columbia" (O Malho - 22/10/1936).

Cida Tibiriçá (Maria Apparecida Tibiriçá), cantora, nasceu em São Paulo, SP, em 05/05/1919, e faleceu na mesma cidade, em 29/10/2012. De estilo romântico, estudou no Mackenzie College, em São Paulo, onde começou a cantar em festinhas acadêmicas acompanhada pela orquestra Mackenzie Harmony Boys. Iniciou a carreira artística cantando músicas brasileiras como sambas e marchas, além de músicas folclóricas passando depois a cantar músicas de origem norte americana como fox e rag-time.

Em 1934, ingressou na Rádio Record. No ano seguinte, foi apresentada pelo compositor Silvino Neto que a ouviu cantar e apresentou ao diretor-artístico da Rádio São Paulo, o maestro Breno Rossi, que gostou de sua voz e imediatamente a contratou para o cast daquela emissora. Atuou também em outras rádios paulistas como Cultura, Cosmos e Difusora.

No ano seguinte, venceu um concurso promovido pela revista Som para escolher o melhor cantor e melhor cantora de São Paulo, tendo Januário de Oliveira vencido o concurso masculino. Nessa ocasião, assim reportou o jornal Correio de São Paulo:

"Promovido pela revista Som, encerrou-se agora o concurso para apurar, por meio da votação dos leitores, qual a melhor cantora de São Paulo. Depois de muito disputado durante cinco meses, coube o primeiro lugar a Cida Tibiriçá, cantora da PRA-5, Rádio São Paulo, com grande margem de votos sobre a segunda colocada. Em todo o ramo de atividade humana, existem pessoas com dons para vencer rapidamente, como acontece a Cida Tibiriçá, que possuidora de uma voz doce e personalidade de interpretação, tanto no fox americano como no samba brasileiro, sabe agradar os rádio-ouvintes e sabe granjear admiradores da sua arte, estando assim predestinada a fazer uma brilhante carreira".

Ainda em 1935, participou do filme musical Fazendo fita, que contou com as participações dos artistas paulistas Alzirinha Camargo, Januário de Oliveira, Fernandinho, Mario Gracco, e Alvarenga e Ranchinho, entre outros, interpretando a marcha-carnavalesca Metamorfose (Eu vou na frente), de Hudson Gaia.

Em 1936, foi convidada pela Rádio Cruzeiro do Sul para realizar uma excursão ao Rio de Janeiro, atuando naquela emissora e também no Cassino Copacabana. Nessa excursão, conheceu Edson Sant'Anna com quem se casou e atuou artisticamente até 1940. Participou das filmagens de Samba da vida, da Cinédia cantando músicas carnavalescas, e, nessa época, seu repertório incluía composições inéditas de autoria dos compositores Marcelo Tupinambá, Lírio Panicali e Ari Machado.

Cida Tibiriça - 1936
Ainda em 1936, foi contratada pela Columbia e gravou com acompanhamento da Orquestra Columbia o fox-trot Fazendo uma canção de amor, e a valsa Esperando um amor que não vem, ambas de Ari Machado e Lírio Panicali. Aproveitando sua estadia no Rio de Janeiro lançou seu segundo disco pela Columbia a valsa Você é minha melodia, de Marcelo Tupinambá e Roberto Andrade, e o fox-trot Não voltes para mim, de Lírio Panicalli, com acompanhamento da Orquestra Columbia. Também nesse ano, cantou no Cassino do Copacabana Atlântico.

Em 1937, gravou de Ari Machado, com acompanhamento da Jazz Columbia, a marcha Fita de cinema e o samba Pra ganhar um amor. No mesmo ano, também com acompanhamento da Jazz Columbia gravou o fox-trot Emocional, de Augusto Vasseur e Fernando Faissal, e a valsa Sempre quis cantar uma valsa assim, de Aloísio Silva Araújo.

Nesse ano, encerrado seu contrato com a Rádio Cruzeiro do Suil, assinou com a Rádio Difusora na qual estreou cantando acompanhada pela Jazz Difusora sob a direção do maestro Fernando Montenegro. No mesmo ano, foi contratada pela Rádio Tupi Paulista.

Com seu casamento em 1938, continuou ainda atuando em dueto com o marido nas Rádios paulistas, mas abandonou a carreira artística em 1940, depois de gravar quatro discos com oito músicas pela gravadora Columbia e tendo se tornado a "Rainha do Rádio paulista".

Cantora mais baixinha do rádio nacional


"Cida Tibiriçá é a cantora mais baixinha do rádio nacional. É um catatauzinho. Quando ela vai cantar vira o microfone de cabeça para baixo para que se possa ouvir sua voz. Mas tem uma pose!... Até parece que aquela música de Lamartine Babo "Menina que tem uma pose" foi-lhe dedicada pelo autor!

É a cantora mais fotografada do mundo! Já tirou retrato rindo, séria, cabisbaixa, cantando, dormindo, lendo, chorando, andando, sentada, deitada, subindo escada, descendo do bonde, nadando, mergulhando, dançando, jogando futebol, pescando, caindo da cama, chupando sorvete de pauzinho, declamando de perfil, de busto, de corpo inteiro, de costas, adormecendo um boizinho, etc.

Tirou patente para sair nas capas de todos os primeiros números de qualquer revista ou jornal de rádio do Brasil. E também para vencer qualquer concurso para se saber qual a melhor cantora...

É grande apreciadora da música americana e o seu maior sentimento é não saber cantar em inglês. Às vezes tenta um fox na língua de Bing Crosby, mas depois o telefone não pára: toda gente quer saber de que nacionalidade ela é! Cantando em português vai muito melhor porque ao menos nesse idioma é um pouco mais compreensível. Gravou um disco — "Fita de cinema" — que venceu um concurso, organizado há tempos,  como sendo o disco mais popular do Carnaval deste ano. De fato, essa música foi muito cantada... pelos surdos-mudos.

Quando imita a Betty Bop a turma toda exclama: "Essa imitação do Popeye está formidável!". E é uma grande, uma sincera admiradora e amiguinha de Leny Eversong, que há muito vem lhe ensinando como é que se canta um fox-trot na batata!

Agora canta em dueto. Caruso e Maria Muzio seriam cafés pequenos perto da nova dupla! Que harmonia, que ritmo, que cadência! Nunca ouvimos uma coisa igual! (E esperamos não ouvir mais, cruz credo!).

N. R. — Esta notinha não foi paga. É graciosa!...”     (D'"O Governador")

Transcrito de "O Malho", de 20/01/1938, pág. 6.

Discografia


1936 Fazendo uma canção de amor/Esperando um amor que não vem • Colum. • 78
1936 Você é minha melodia/Não voltes para mim • Columbia
1937 Fita de cinema/Pra ganhar um amor • Columbia
1937 Emocional/Sempre quis cantar uma valsa assim • Columbia

Playlist


(Para ouvir Pra ganhar um amor acesse Estrelas que nunca se apagam - Dalva & Cida, de Marcelo Bonavides).

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Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Revista "O Malho", de 22/10/1936 e 20/01/1938.