quinta-feira, agosto 23, 2018

Esta noite eu tive um sonho - Moreira da Silva

De Wilson Batista é o samba-de-breque Esta noite eu tive um sonho, feita em parceria com Moreira da Silva. A composição, de 1941, foi lançado numa gravação antológica de Kid Morengueira, e ambienta o malandro em plena Alemanha da Segunda Guerra, entre Graaf Zeppelins e salsichas, com direito à possivelmente única citação do mundo do samba na língua de Goethe: Ich nag dich (Foto: Moreira da Silva em 1938).

Esta Noite Eu Tive Um Sonho (samba, 1941) - Wilson Batista e Moreira da Silva - Interpretação: Moreira da Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Esta Noite Eu Tive Um Sonho / Autoria: Silva, Moreira da (Compositor) / Batista, Wilson, 1913-1968 (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1941 / Nº Álbum 34754 / Lado A / Gênero musical: Samba.



Saltei em Berlim, entrei num botequim,
Pedi café, pão e manteiga pra mim,
O garçom respondeu: não pode ser não !
Fiquei furioso e fui "hablar" ao patrão,
Que me recebeu com duas pedras na mão,
E me disse quatro frases em Alemão,
Néris disso, sou doutor em samba,
Venho de outra nação !

Tive vontade de comer uns bifes,
Ich nag dich, seu Fritz,
Não se resolve assim não,
Venho do Brasil,
Trago um presente pro senhor,
Esta ganha e esta perde,
Na voltinha que eu dou,
Já tinha ganho todos os marcos para mim,
Quando ouvi o ruído de um Zeppelin,
Eu acordei, tinha caído no chão,
Salsicha à noite, não faz boa digestão.

terça-feira, agosto 21, 2018

Idade não é documento - Moreira da Silva

Idade Não é Documento (samba, 1979) - Ciro Aguiar e Moreira da Silva - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva - O Jovem Moreira / Título da música: Idade Não é Documento / Aguiar, Ciro (Compositor) / Silva, Moreira da (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Polydor, 1979 / Nº Álbum: 2451 138 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.



No domingo passado / eu fui tomar um banho
na Barra da Tijuca / Pra esfriar a minha cuca
puxei meu carango no buteco
eu fiz uma rango e mandei pendurar:
(-Escuta qui meu camarada eu estou escovando
no burro / chamando o pavão de meu louro)

Camisa listrada, piteira francesa e anel de doutor
pra dar mais pinta de credor
Calção rosa choque, chapéu de palinha
Que retirei do penhor
(estava dando uma de horror)

No meio da praia fui logo cercado por lindas garotas
umas gostosas outras marotas
enquanto os playboys de água na boca paqueravam de lado
(olhos de jacaré dopado)

E eu e seu Silva num papo avançado
com o seu Lapa sorrindo aquele grupo feminino
convidei a primeira para dar um mergulho na água gelada
(para acalmar minha vanguarda)

Enquanto na praia as outras pequenas se inspiravam
dizendo: -Esse Moreira é um veneno
Sai todo prosa convidei a segunda e depois a terceira
para entrar na brincadeira beijei todas elas peguei
meu carango e sai do local
(foi um tremendo carnaval)

Enquanto a moçada de longe me olhava
com água na boca
Deixei a turma quase louca
( muitos anos de vivência corpo limpo sem varizes
já enfrentei o leão da metro e com ele eu posso).

De qualquer maneira - Déo

Déo
De Qualquer Maneira (samba, 1939) - Ary Barroso e Noel Rosa - Intérprete: Déo

Disco 78 rpm / Título: De Qualquer Maneira / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Déo (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1939 / Álbum 11762 / Gênero: Samba.



Quem tudo olha… / Quase nada enxerga
Quem não quebra se enverga / A favor do vento
Eu não sou perfeito / Sei que tenho de pecar
Mas arranjo sempre jeito / De me desculpar…

Eu lá na Penha agora vou estifa¹
Mas não vou como um cacifa²
Que foi lá desacatar / Mas a força falha
Ele teve um triste fim / Agredido a navalha
Na porta de um botequim!

Pra ver a minha santa Padroeira
Eu vou à Penha de qualquer maneira
Pra ver a minha santa Padroeira
Eu vou à Penha de qualquer maneira

Faz hoje um mês que fui naquele morro
E a Juju pediu socorro / Lá na ribanceira
Toda machucada / Saturada de pancada
Que apanhou do seu mulato / Por contar boato

Meu coração bateu a toda pressa
E eu fiz uma promessa / Pra mulata não morrer...
Pela padroeira / Ela foi bem contemplada
Levantou do chão curada / Saiu sambando fagueira!

Pra ver a minha santa Padroeira
Eu vou à Penha de qualquer maneira
Pra ver a minha santa Padroeira
Eu vou à Penha de qualquer maneira

Eu vou à Penha de qualquer maneira
Pois não é por brincadeira / Que se faz promessa
E... o tal mulato / Para não entrar na lenha
Fêz comigo um contrato / Para sumir da Penha

Quem faz acordo não tem inimigo / A mulata vai comigo
Carregando o violão / E com devoção junto à santa milagrosa
Vai cantar meu samba prosa / Numa primeira audição.

__________________________________________________
¹ Gíria da época: alinhado; ² Gíria da época: sujeito sem sorte.