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domingo, fevereiro 11, 2018

Aldacir Louro - Biografia


Aldacir Louro (Aldacir Evangelista de Mendonça), compositor, cantor e instrumentista nasceu no Rio de Janeiro-RJ em 22/4/1926 e faleceu em15/6/1996. Nascido no bairro de Botafogo, viveu em diversos outros subúrbios cariocas, frequentando desde criança as escolas de samba Unidos da Tijuca, Depois te Explico e Braço a Braço, onde tocava tamborim.


Bom intérprete de sambas, começou como apresentador de músicas, contratado por compositores para mostrar produções destes a cantores. Como essa atividade rendesse pouco, decidiu tentar a sorte como autor, lançando em 1946 o samba Onde vamos morar (com Antônio Valentim dos Santos), gravado por Zilá Fonseca. Na época, a música rendeu (cerca de 20 cruzeiros) bem mais do que conseguia como apresentador.

Embora não tivesse estudado música, iniciou assim uma carreira de compositor, cujo maior sucesso foi o samba Recordar (com Aluísio Marins e Adolfo Macedo), que, premiado em concurso carnavalesco de 1955, se tornou peça antológica e obrigatória em muitos Carnavais. Outros êxitos foram o samba Cabeça prateada (com Edgar Cavalcanti e Anício Bichara) e a marcha Trrim-Trrim (com Santos Garcia), ambos lançados no Carnaval de 1956.

Como cantor, atuou em rádio e televisão, apresentando-se na década de 1950 em vários programas das rádios Nacional e Mayrink Veiga, exibindo-se com ritmistas e passistas. Na TV Globo carioca apresentou-se com sua escola de samba. De 1960 a 1973 participou de programas da TV Tupi, do Rio de Janeiro: Bibi ao Vivo e Programa Flávio Cavalcanti, entre outros.

Obra

Cabeça prateada (c/Edgar Cavalcanti e Anício Bichara), samba, 1955, Garota sapeca (c/Fernando Martins), marcha, 1951; Onde vamos morar (c/Antônio Valentim dos Santos), samba, 1946; Recordar (Aluísio Marins e Adolfo Macedo), samba, 1954; Refúgio (c/Linda Rodrigues), bolero, 1959; Trrim-Trrim (c/Santos Garcia), marcha, 1955.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

quarta-feira, maio 22, 2013

Marilena Cairo

Marilena Cairo - 1956
Marilena Cairo (circa 1930 - Rio de Janeiro), cantora, iniciou a carreira artística no início da década de 1950, apresentando-se em programas de rádio, quando foi contratada pela gravadora Copacabana em 1953. Gravou com acompanhamento de orquestra os sambas-canção Mentes, de Augusto Mesquita e Ari Monteiro, e Os lábios que te beijavam, de Mary Monteiro e Odilon Noronha.

Em 1955, gravou o samba Eu não conhecia a saudade, de Lindolfo Gaya, e o samba-canção Fita meus olhos, de Peterpan.

Contratada pela Sinter em 1956, lançou nesse ano o LP Marilene Cairo canta para você, com acompanhamento de Britinho e sua orquestra, disco no qual interpretou as músicas Fita meus olhos, Folha morta, de Ary Barroso, Os rios correm pro mar, de Custódio Mesquita e Evaldo Ruy, Ninguém para amar, e Quem me dera, ambas de Anísio Silva e C. Portela, Aniversário da saudade, de Santos Garcia e Aldacir Louro, Se eu pudesse, de José Maria de Abreu e Jair Amorim, e Eu sei, de Carlinhos e Alberto Paz.

No início do ano seguinte, os sambas-canção Eu sei, de Carlinhos e Alberto Paz, e Se eu pudesse, de José Maria de Abreu e Jair Amorim foram lançados em disco de 78 rpm. Ainda em 1956, atuou no filme Vamos com calma, direção de Carlos Manga e estrelado por Oscarito.

Contratada pela RCA Victor em 1957, gravou com acompanhamento de orquestra o bolero Deus te favoreça, de Fernando César, e o samba-canção Vê o que fizeste, de Peterpan e Mary Monteiro. No ano seguinte, lançou, também com acompanhamento de orquestra, o bolero Não posso mais te querer, de Aldacir Louro e Linda Rodrigues, e o samba-canção Por que brigamos?, de Pedro Rogério e Lombardi Filho.

No início da década de 1960, gravou dois discos pelo pequeno selo Santa Rita interpretando o samba-canção Aniversário da saudade, de Santos Garcia e Aldacir Louro, e Ao apagar da fogueira, de Castro Perret, e os sambas Menina dos olhos, de Anísio Bichara, Aldacir Louro e A. Roberto, e Você me traiu, de José Silva, Jorge Gonçalves e Agenor Lourenço.

Em 1974, participou do disco Osvaldo Santiago - Gente importante na Música Popular Brasileira um tributo ao compositor Osvaldo Santiago lançado pela Continental com as participações também de Alcides Gerardi, Gilberto Alves, Arlindo Borges, Coro Continental, e Hélio Chaves. Nesse tributo interpretou as músicas "Tudo cabe num beijo" e "Caçador de esmeraldas".

Os brotos (do rádio) também amam

"Marilena Cairo é uma pequena bonita e interessante que sabe cantar e apareceu no rádio atuando no programa de Samuel Rosemberg, o “Clube do Guri”. Desde que surgiu no rádio, fez logo valer sua personalidade e não houve quem não profetizasse grandes sucessos para a estrelinha que surgia.

Sua aparição verificou-se há mais ou menos quatro ou cinco anos e, depois, quando atingiu a idade juvenil, começou a ser solicitada para outras atuações. Assim apareceu na televisão, sempre cantando com agrado geral. Certo dia noticiou-se que Marilena estava atuando na PRE-Neno. Consagrava-se, assim, como profissional, a cantora que tanto sucesso fizera nos programas infantis e para quem tantos e tantos ouvintes ou homens de rádio julgaram possível uma carreira cheia de êxitos. Ainda dessa vez, Marilena continuou atuando no rádio e foi assim que ingressou noutros programas mantendo sempre o máximo de fãs.

Hoje, Marilena Cairo que ainda não conta vinte anos, está na Rádio Mundial e brilhando como não poderia deixar de brilhar. Sua atração principal é a maneira de cantar e sua graça muito juvenil. Tudo isso, porém, fez com que muita gente se preocupasse com o possível eleito dessa moça e, assim, de um momento para outro correu a notícia de que Marilena possuía um Príncipe Encantado e esse era nada mais nada menos do que o conhecido Paulo Mollin, cantor também novo e que se vem destacando no cenário radiofônico desde que deixou Pernambuco para atuar no Rio. Em Pernambuco, Paulo Mollin era cantor da Rádio Jornal do Comércio, de Recife. Ainda guri, de calças curtas, certo dia velo ao Rio e surpreendeu a todos cantando na Rádio Nacional, onde fez uma série de programas e agradou em cheio. Hoje, homem feito, muito embora seja muito jovem, está radicado no Rio, onde atua. na Nacional, depois de curta temporada na Tupi.

Fora do rádio, Paulo estuda e pretende seguir uma carreira universitária. Está terminando seu curso de humanidades para depois então ingressar numa Universidade. Requestado pelas moças, dono de uma bonita voz e de uma aparência atraente, o moço pernambucano reúne muitas qualidades para agradar às jovens. Acontece, porém, que era preciso que alguém o atraísse e, esse alguém, dizem todos, é a cantora da antiga “Hora do Guri”, a Marilena Cairo, dona de uma voz bonita e de uma carinha ainda mais bela.

Nessas coisas do coração, nada como se ouvir os interessados e, por isso, fomos ao encontro das pessoas mais próximas aos dois moços. Por sorte, encontramos o pai de Paulo Mollin, no elevador da Tupi, em companhia do animador Aérton Perlingeiro, velho amigo da família e talvez o maior fã de Paulinho. De início, nos dirigimos ao sr. Mollin perguntando:

— Então, temos romance na família, não é?

O pai de Paulo, porém, se surpreendeu com a pergunta e, curioso, fez outra indagação:

— Que negócio é esse?

Não vacilamos em contar a história:

— Dizem que Paulo Mollin e a Marilena Cairo estão-se namorando e o negócio é para casar...

Dessa vez o sr. Mollin, não vacilou e, quase nervoso, replicou:

— Qual o que! Paulinho ainda é muito novo e precisa cuidar de sua vida. De sua carreira. Fazer alguma coisa e preparar-se para o futuro.

— Mas se ele gosta da moça...

— Nem sempre o coração deve ser atendido. Paulo está estudando e tem em mente realizar um curso. Não pode, no momento, pensar em casamento.

— E no futuro?

— Bem, aí é outra coisa. Se ele pensar bem, tratará primeiro de se firmar na vida e, depois, de casar.

— O senhor se importaria que ele casasse?

— Nessas coisas, o pensamento dos pais não influi a não ser como a voz do bom senso. Todo aquele que antes de se firmar definitivamente procura constituir família, acaba se arrependendo, mais dia menos dia.

— E o Paulinho, não lhe falou nada, ainda?

— Não. Soube disso por seu intermédio. Nem conhecia qualquer projeto do Paulinho com referência à cantora da Mundial. Por isso não posso me pronunciar oficialmente sobre um romance que nem sei se existe.

Deixamos o elevador e procuramos Paulo Mollin na Nacional e Marilena na Mundial. Não os encontramos e tivemos de nos valer do telefone. Todos dois negaram a existência de qualquer romance.  Paulo disse que conhece Marilena e gosta dela como admirador e colega. Nada mais. O fato é que, se de fato existe um romance, eles despistam muito bem.  Há, porém, tudo para favorecer a ação de Cupido: ambos são moços, e estão naquela fase da vida em que tudo se apresenta envolto em nuvens cor de rosa!" (Revista do Rádio, 21/5/1955)

Discografia

(S/D) Aniversário da saudade/Ao apagar da fogueira • Santa Rita • 78
(S/D) Menina dos olhos/Você me traiu • Santa Rita • 78
(1974) Osvaldo Santiago - Gente importante na MPB • Continental • LP
(1958) Não posso mais te querer/Por que brigamos? • RCA Victor • 78
(1957) Eu sei/Se eu pudesse • Sinter • 78
(1957) Deus te favoreça/Vê o que fizeste • RCA Victor • 78
(1956) Marilene Cairo canta para você • Sinter • LP
(1956) Quem me dera/Ninguém para amar • Sinter • 78
(1955) Eu não conhecia a saudade/Fita meus olhos • Copacabana • 78
(1953) Mentes/Os lábios que te beijavam • Copacabana • 78

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Fontes: Revista do Rádio; Dicionário Cravo Albin da MPB.

segunda-feira, novembro 08, 2010

A situação do Escurinho

Germano Mathias
A situação do Escurinho (samba, 1956) - Aldacir Louro e Padeirinho

Título da música: A situação do escurinho / Gênero musical: Samba / Intérprete: Germano Mathias / Compositores: Louro, Aldacir - Padeirinho / Acompanhamento: Conjunto / Gravadora Polydor / Número do Álbum: 203 / Data de Gravação: 31/10/1956 / Lado: lado B / Rotações: Disco 78 rpm:



A situação do Escurinho
Está ruim como quê
O Zé Pretinho diz que quer saber
Da mulher que ele carregou
Ai, meu Deus! Que horror!

E aquela baiana
Que ele virou o tabuleiro dela
Foi no cemitério acender uma vela
O Escurinho não sabe
O que ele arrumou
Morou, morou...

Padeirinho

Osvaldo Vitalino de Oliveira
Padeirinho (Osvaldo Vitalino de Oliveira), compositor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 05/03/1927, e faleceu na mesma cidade em 27/1/1997. Filho de padeiro, o que deu origem a seu apelido, começou a compor desde os 12 anos, cantando pelas tendinhas ou biroscas da Mangueira, época em que já saia na bateria da escola.

Em 1947, levado por seu cunhado Geraldo da Pedra, apresentou na ala dos compositores seu samba Mangueira desceu para cantar, tornando-se seu integrante, apesar de a composição ter sido censurada por utilizar a música do Hino da Marinha.

Um de seus primeiros sambas foi Vão acabar com a Praça Onze, a que se seguiu a música feita em homenagem aos brasileiros que participaram da Segunda Guerra Mundial, Brasileiro na guerra.

Sua primeira composição lançada em disco foi Mora no assunto (com Joaquim dos Santos), gravada com sucesso por Jamelão, na Sinter, no início da década de 1950.

Em 1956, fez O grande presidente, samba-enredo vencedor na escola. No mesmo ano Germano Mathias grava seu samba A situação do Escurinho (com  Aldacir Louro).

Em 1961 compôs Linguagem de morro (com Ferreira dos Santos); dois anos depois, Fofoca no morro, e em 1965, Vida de operário (ambas com Ferreira dos Santos); no ano seguinte, Favela (com Jorge Pessanha) e Cuidado, menina (com Ismael Batista).

Em 1971 compôs o samba-enredo Rio, Carnaval dos Carnavais (com Moacir da Silva e Nílton Russo).

Foi funcionário do Cais do Porto e da Limpeza Pública do Rio de Janeiro. Participou de vários programas de rádio e televisão, tendo atuado também no show O samba pede passagem, levado no Teatro Opinião, do Rio de Janeiro, como partideiro, e ao lado de Lelei e Bídi (do conjunto Os Originais do Samba), além de Jorge Zagaia.

Em 1974 gravou como intérprete o samba A mais querida, e o samba-enredo O grande presidente (ambos de sua autoria), para a etiqueta Marcus Pereira, no LP História das escolas de samba: Mangueira. No mesmo ano compôs Cavaco emprestado, gravado gravado no ano seguinte por Paulinho da Viola.

Autor de mais de oitenta músicas, entre seus principais intérpretes estão Jamelão, Germano Mathias, Nara Leão, Isaura Garcia, Eliana Pittman, Quarteto em Cy e Noite Ilustrada. Também tocava pandeiro e outros instrumentos de percussão, além de tarol.

Em 1981 participou de um show da Funarte com Xangô da Mangueira, Preto Rico, Nelson Sargento e Babaú, em diversas cidades, entre elas Rio de Janeiro, São Paulo e São Bernardo do Campo SP. Estava programado que gravaria seu primeiro disco em 1997, mas perdeu Mida, sua companheira de mais de 40 anos, vindo a falecer dois meses depois.

Obra

Cavaco emprestado, samba, 1975; Favela (c/Jorge Pessanha), samba, 1966; O grande presidente, samba-enredo, 1956; A mais querida, samba, 1974; Mora no assunto (c/Joaquim dos Santos), samba, s.d.; Rio, Carnaval dos Carnavais (c/Moacir da Silva e Nilton Russo), samba-enredo, 1971.

Os versos e gírias de um compositor com gênio difícil

Nascido no Rio, Osvaldo Vitalino de Oliveira (1927-1997), o Padeirinho da Mangueira, era homem de gênio bem difícil, mas dono de grande talento musical. Devani Ferreira, o Tantinho da Mangueira, quando adolescente nos anos 1960, conviveu com Padeirinho no Morro da Mangueira. "Ele não tinha parceiros porque era muito chato", diz Tantinho, hoje com 63 anos. "O Cartola corria dele."

Ao fazer improvisos nas rodas de partido-alto, Tantinho lidava com a implicância do outro, que adorava meter-se em brigas. Mas isso não impediu que ele cantasse uma música do sambista mais velho num programa do Chacrinha veiculado pela rádio Mayrink Veiga. Tirou o primeiro lugar no concurso - ganhando um dinheiro que fez diferença - com Mora no Assunto, composição que, infelizmente, não aparece entre os 14 sambas do CD Tantinho Canta Padeirinho da Mangueira.

Este é o segundo trabalho de Tantinho, depois de Memória em Verde e Rosa, ganhador do prêmio TIM de melhor disco de samba em 2007. Com arranjos de Paulão 7 Cordas e participação de Cláudio Jorge (violão), Carlinhos 7 Cordas (violão), Esgubela (percussão) e outros, ele apresenta inéditas - Logo a Mim e Distância -, que o intérprete conseguiu com a família do sambista mangueirense. Registra as clássicas, como Favela, Modificado, Linguagem do Morro, A Situação do Escurinho, Terreiro em Itacuruçá e O Grande Presidente, do compositor que aprendeu a ler e escrever somente aos 15 anos, e sozinho.

Exímio percussionista, Padeirinho, segundo Tantinho, pode ser igualado em talento a outros mangueirenses como Cartola, Nelson Cavaquinho, Carlos Cachaça e Geraldo Pereira. "Mas quase ninguém o conhece", apesar de gravado por Chico Buarque, Nara Leão, Germano Mathias, João Nogueira, Jamelão, Beth Carvalho e outros. (Padeirinho nunca gravou um disco-solo). 

A suas letras são marcadas pelas gírias. Os seus versos são estruturados em sextilhas - evitando as quadrinhas, mais fáceis, segundo o compositor Nei Lopes. E a sua melodia tem o ritmo marcadamente sincopado. "Quando junta os instrumentos nos sambas do Padeirinho, você percebe que eles têm uma grande beleza", diz Tantinho, que ficou fascinado com Modificado, quando o Paulo 7 Cordas colocou a harmonia.

Padeirinho foi chamado de "filólogo da Mangueira" por Franco Paulino, o seu biógrafo, que assina a introdução do encarte. A única imagem de Padeirinho no CD é do fotógrafo Walter Firmo: ela mostra um homem sentado sobre uma pedra, com um tamborim na mão, chapéu de fita verde e rosa, ao lado de um cachorro vira-lata.

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha; Os versos e gírias de um compositor com gênio difícil - cultura - Estadão (23 de setembro de 2009); Instituto Moreira Sales.