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sexta-feira, março 23, 2018

Quantas lágrimas - Cristina Buarque

Em setembro de 1970, a RGE lançou o antológico elepê Portela, passado de glória, produzido por Paulinho da Viola, no qual a Velha Guarda de Portela registrou uma seleção de composições de seus mais ilustres integrantes. Uma das faixas do disco era o samba “Quantas Lágrimas”, de Manacéia (Manacéia José de Andrade), que com os irmãos Aniceto e Mijinha, também sambistas históricos, pertenceu ao núcleo que fundou o Grêmio Recreativo Escola de Samba da Portela.

Quatro anos depois, incluído pela cantora Cristina, irmã de Chico Buarque, em seu elepê de estréia, “Quantas Lágrimas” tornou-se o grande sucesso do disco. Com sua letra romântico-ingênua (“Ai, quantas lágrimas eu tenho derramado / só em saber que não posso mais / reviver o meu passado...”) e uma melodia bem ao estilo da dupla Alcebíades Barcelos-Armando Marçal, que representa o que de melhor se fez em matéria de samba na década de trinta, a composição ficou conhecida do público “uns vinte anos depois de pronta”, segundo o autor.

A boa gravação de Cristina tem no acompanhamento músicos como César Faria e trio de percussionistas Elizeu, Luna e Marçal. Manacéia morreu em 10 de novembro de 1995 (A Canção no Tempo – Vol .2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Quantas lágrimas (samba, 1974) - Manacéia - Intérprete: Cristina Buarque

LP Cristina / Título da música: Quantas Lágrimas / Manacéa (ou Manacéia) (Compositor) / Cristina Buarque (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1974 / Nº Álbum: 103.0088 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba / MPB.


G                                 E7 
Ah!...Quantas lágrimas eu tenho derramado 
        Am                    D7 
Só em saber, que eu não posso mais 
                   G 
Reviver...o meu passado 
E7                   Am 
Eu vivi cheio de esperança 
        G             Am7          G 
E de alegria....eu cantava...eu sorria ** 
            G7               C 
Mas hoje em dia eu não tenho mais 
Am        D7            G 
A alegria....de tempos atrás 
       Am7      D7               G 
A melancolia...que os meus olhos trazem 
               Am       C7         B7 
Ai!...quantas saudades, a lembrança tras 
     E7                   Am 
Se houvesse retrocesso na idade 
                A7                 D7 
Eu não teria saudade...da minha mocidade 
REPETE ATÉ ** E SEGUE 
            G7               C 
Mas hoje em dia eu não tenho mais 
Am        D7             G 
A alegria....dos tempos atrás 
            G7               C 
Mas hoje em dia eu não tenho mais 
Am        D7            C 
A alegria....dos tempos atrás 
            G7               C 
Mas hoje em dia eu não tenho mais 
Am        D7             C 
A alegria....dos tempos atrás... 

sexta-feira, fevereiro 02, 2018

Sai da tua alcova - Henrique Cazes e Cristina Buarque


Sendo Noel Rosa um grande boêmio, um cara que gostava de viver nas ruas, nos botequins, ele fez logo amizade com muitos motoristas de taxi, que às vezes o levavam para casa, às vezes emendavam uma outra farra, ou às vezes o levavam para namorar alguma moça no Juá. Noel percebeu que havia um motorista de táxi chamado Malhado, que era metido a cantor de seresta, dava o famoso "dó de peito" e gostava de cantar falsas canções com palavras difíceis, rebuscadas, que ele não entendia absolutamente o que significava.

Noel, percebendo o estilo do motorista, compôs uma canção especialmente para ele e combinou lançar essa música numa seresta para duas filhas de um coronel lá em Vila Isabel. Chegando lá em baixo do sobrado do coronel, o Noel disse que ia ficar do outro lado da rua pra dar o destaque que a voz do Malhado merecia. Feriu o tom... lá se foi o Malhado.

Saí da Tua Alcova (canção, s. d.) - Noel Rosa - Intérpretes: Henrique Cazes e Cristina Buarque

CD Cristina Buarque, Henrique Cazes ‎– Sem Tostão... A Crise Não É Boato... - Canções de Noel Rosa / Título da música: Saí Da Tua Alcova / Noel Rosa (Compositor) / Henrique Cazes (Intérprete) / Cristina Buarque (Intérprete) / Gravadora: Kuarup Discos / Ano: 1995 / Nº Álbum: KCD 129 / Faixa 3 / Gênero musical: Canção.


              Am            E7        Am
Saí da tua alcova com o prepúcio dolorido
(42-43-42-40-53-52-50)
Am                  Bb6       Bb(b5)  A7
Deixando seu clitóris gotejante
 A#°     A7/G    Dm   A7
De volúpia emurche..cido
   Dm   E7                 Am     B°
Porém,    o gonococus da paixão
Am      Am/G         Bb
Aumentou minha tensão
Bem, o coronel levantou atirando, 
o Malhado saiu correndo, chegou na esquina lívido, 
e o Noel já estava esperando ele e perguntou:

- O que é que houve Malhado?

E o Malhado assustadíssimo falou:

- O cara sai atirando, não entendi nada!

E o Noel sem perder a pose diz pra ele:

- Isso é pra você ver, Malhado, 
  o que que é a falta de sensibilidade dessa gente!

sexta-feira, outubro 01, 2010

Cristina Buarque

Cristina Buarque
Cristina Buarque (Maria Christina Buarque de Hollanda), nasceu em 23/12/1950, na cidade de São Paulo, SP. Filha do sociólogo e historiador Sérgio Buarque de Holanda e de Mária Amélia Alvim Buarque de Holanda, é irmã caçula dos cantores Miúcha, Chico Buarque e Ana de Hollanda. Sua casa era freqüentada por intelectuais amigos de seus pais, como Vinícius de Moraes e Mário de Andrade.

Em 1952, sua família mudou-se para a Roma, na Itália, onde seu pai foi lecionar, retornando depois ao Brasil. Por volta de 1965, formou um quarteto vocal, com duas irmãs (Ana Maria e Maria do Carmo) e uma amiga (Helena), que se apresentava em shows em colégios paulistanos e em alguns programas esporádicos na televisão, acompanhando às vezes o irmão Chico.

Sua primeira gravação foi em 1967, no LP Paulo Vanzolini - Onze sambas e uma capoeira, selo Marcus Pereira, no qual cantou Chorava no meio da rua (Paulo Vanzolini).

Em 1968, seu irmão, Chico Buarque, chamou-a para dividir com ele a faixa Sem fantasia (Chico Buarque), do LP Chico Buarque Volume 3. Essa gravação alcançou relativa popularidade.

Na início década de 1970, apresentou-se no Bar Violeiro, na barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, junto com João do Vale e Miúcha. Em 1974, lançou seu primeiro LP Cristina no qual interpretou Quantas lágrimas, (Manacéia), o seu grande sucessos, a música a tornou mais conhecida do grande público. Já nesta época começou a de resgatar a obra de antigos sambistas e membros das escolas de samba, como Candeia.

No ano de 1976, lançou o seu segundo LP, Prato e faca. Em 1977, participou do disco Tiro de misericórdia, de João Bosco, faixa Vaso ruim não quebra (João Bosco e Aldir Blanc) e do LP Pelas ruas, de Carlinhos Vergueiro, na faixa Teimosia (Carlinhos Vergueiro). Em 1978 gravou pela Continental o LP Arrebém, com participações das irmãs Miúcha e Piii na faixa Você só... mente (Noel Rosa e Hélio Rosa), e da Velha-Guarda da Portela na música Muito embora abandonado (Mijinha e Francisco Santana). Em 1979 participou do LP Clementina e convidados, da cantora Clementina de Jesus, lançado pela EMI/Odeon, dividindo com ela a faixa Tantas você fez (Candeia).

Em 1980, gravou pela Ariola o LP Vejo amanhecer, que teve a participação do conjunto Época de Ouro na faixa Cantar, de Godofredo Guedes, pai do cantor e compositor Beto Guedes, além da música-título de Noel Rosa. Em 1981 lançou o LP Cristina, com Vida de rainha (Alvaiade e Monarco), e participação de Clementina de Jesus em Quando a polícia chegar (João da Baiana). Ainda neste ano, participou do disco em homenagem a Geraldo Pereira, gravando a música Pode ser? (Geraldo Pereira e Marino Pinto).

Em 1985, participou do disco As flores em vida - Nélson Cavaquinho, cantando Aquele bilhetinho (Nélson Cavaquinho, Augusto Garcez e Wilson Canegal). Neste mesmo ano lançou, em parceria com Mauro Duarte, o LP Cristina e Mauro Duarte, pelo selo Coomusa (Cooperativa Mista dos Músicos Profissionais do Rio de Janeiro), onde regravou Quantas lágrimas.

No ano de 1987, gravou um compacto duplo com Mauro Duarte, no qual os dois cantam Resgate (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro), e Deixa eu viver na orgia (Cristina e Mauro Duarte). Em 1988 participou do LP Candeia, lançado pela Funarte, interpretando a faixa Morro do sossego (Candeia e Artur Poerner). Em 1989 participou do disco Homenagem a Paulo da Portela, outra vez em dueto com Mauro Duarte, cantando Quem espera sempre alcança.

No ano de 1990 lançou no mercado japonês o CD Resgate, lançado na Brasil novembro de 1994. Em 1995 lançou, com Henrique Cazes, o CD Sem tostão... A crise não é boato - canções de Noel Rosa. Em 1998, gravou no disco Eterna chama/ Candeia, duas parcerias inéditas de Marquinhos de Oswaldo Cruz e Candeia, Luz de verão e Vem pra Portela, registradas por Cristina em fita K7 na casa de Candeia na década de 1970, posteriormente letradas por Marquinhos de Oswaldo Cruz. Neste mesmo ano de 1998, participou do CD Chico Buarque de Mangueira, no qual cantou em várias faixas.

Em janeiro do ano 2000, participou ao lado de Monarco do show O poeta da morte. Neste mesmo ano lançou o CD Ganha-se pouco, mas é divertido, com composições de Wilson Batista. Em 2001 gravou, com Henrique Cazes, o CD Sem tostão 2... A crise continua. Ainda em 2002 participou da caixa de quatro discos Acerto de contas de Paulo Vanzolini, lançada pela gravadora Biscoito Fino, na qual Falta de mim, noite longa (Paulo Vanzolini e Toquinho), Mente e Morte é paz (ambas de Paulo Vanzolini).

Em 2007 Cristina lança o CD Cristina Buarque e Terreiro Grande Ao Vivo, em parceria com o Grupo Terreiro Grande, cantando sambas tradicionais como vem fazendo desde o início de sua carreira. Logo no primeiro semestre do anos seguinte lança em parceria com o grupo Samba de Fato pela gravadora Deckdisc o CD duplo O Samba Informal de Mauro Duarte, no qual resgata grande parte da obra do sambista, sendo que 18 das músicas registradas são inéditas.


Fontes: Cantoras do Brasil; Dicionário Cravo Albin da MPB.

segunda-feira, agosto 06, 2007

Quantas lágrimas

Em setembro de 1970, a RGE lançou o antológico elepê Portela, passado de glória, produzido por Paulinho da Viola, no qual a Velha Guarda de Portela registrou uma seleção de composições de seus mais ilustres integrantes. Uma das faixas do disco era o samba “Quantas Lágrimas”, de Manacéia (Manacéia José de Andrade), que com os irmãos Aniceto e Mijinha, também sambistas históricos, pertenceu ao núcleo que fundou o Grêmio Recreativo Escola de Samba da Portela.

Quatro anos depois, incluído pela cantora Cristina, irmã de Chico Buarque, em seu elepê de estréia, “Quantas Lágrimas” tornou-se o grande sucesso do disco. Com sua letra romântico-ingênua (“Ai, quantas lágrimas eu tenho derramado / só em saber que não posso mais / reviver o meu passado...”) e uma melodia bem ao estilo da dupla Alcebíades Barcelos-Armando Marçal, que representa o que de melhor se fez em matéria de samba na década de trinta, a composição ficou conhecida do público “uns vinte anos depois de pronta”, segundo o autor.

A boa gravação de Cristina tem no acompanhamento músicos como César Faria e trio de percussionistas Elizeu, Luna e Marçal. Manacéia morreu em 10 de novembro de 1995 (A Canção no Tempo – Vol .2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Quantas lágrimas (samba, 1974) - Manacéia - Intérprete: Cristina Buarque

LP Cristina / Título da música: Quantas Lágrimas / Manacéa (ou Manacéia) (Compositor) / Cristina Buarque (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1974 / Nº Álbum: 103.0088 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba / MPB.


G                                 E7 
Ah!...Quantas lágrimas eu tenho derramado 
        Am                    D7 
Só em saber, que eu não posso mais 
                   G 
Reviver...o meu passado 
E7                   Am 
Eu vivi cheio de esperança 
        G             Am7          G 
E de alegria....eu cantava...eu sorria ** 
            G7               C 
Mas hoje em dia eu não tenho mais 
Am        D7            G 
A alegria....de tempos atrás 
       Am7      D7               G 
A melancolia...que os meus olhos trazem 
               Am       C7         B7 
Ai!...quantas saudades, a lembrança tras 
     E7                   Am 
Se houvesse retrocesso na idade 
                A7                 D7 
Eu não teria saudade...da minha mocidade 
REPETE ATÉ ** E SEGUE 
            G7               C 
Mas hoje em dia eu não tenho mais 
Am        D7             G 
A alegria....dos tempos atrás 
            G7               C 
Mas hoje em dia eu não tenho mais 
Am        D7            C 
A alegria....dos tempos atrás 
            G7               C 
Mas hoje em dia eu não tenho mais 
Am        D7             C 
A alegria....dos tempos atrás...