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quarta-feira, junho 06, 2018

Chiquinho do Acordeom - Biografia

Chiquinho do Acordeom (Romeu Seibel), instrumentista e compositor, nasceu em Santa Cruz do Sul RS em 07/11/1928, e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 13/02/1993. Começou a estudar acordeom na cidade natal, em 1937, com Maneta Heuser.

Gravou pela primeira vez, em 1951, com o Regional Claudionor Cruz, no estúdio Star, no Rio de Janeiro RJ. Ao lado de Garoto (violão) e Fafá Lemos (violino), trabalhou no programa Música em Surdina, na Rádio Nacional, do qual nasceu, em 1952, o Trio Surdina, composto pelos três, que gravou LPs na Musidisc.

Trabalhou, ainda em 1953, na Grande Orquestra Brasileira, da Rádio Nacional, regida por Radamés Gnattali e no mesmo ano fundou seu próprio grupo denominado Chiquinho e seu Conjunto. Em 1954 integrou o Sexteto de Radamés Gnattali

Além de ter feito arranjos para jingles, participou da gravação de trilhas sonoras para cinema, com diversos maestros, entre os quais Radamés Gnattali, Lírio Panicali, Edino Krieger, Remo Usai, Guerra-Peixe e outros. Em 1960 excursionou pela Europa com o Sexteto de Radamés Gnattali, na III Caravana de Música Brasileira.

Foi diretor musical da TV Excelsior de 1963 a 1967. Um dos mais solicitados acordeonistas para gravações, já acompanhou, entre outros, Elisete Cardoso, Carmélia Alves, Martinho da Vila, Carlos Lyra, Maria Creuza e MPB-4.

Como compositor, é autor de São Paulo Quatrocentão (com Garoto), uma de suas obras mais conhecidas, Esquina da saudade (com Radamés Gnattali e Alberto Ribeiro), gravada por Jamelão, Relógio da vovó (com Fafá Lemos e Garoto), Um baile em Santa Cruz, Sinimbu, Polquinha gaúcha, Estrela, Dobrado 27 de Fevereiro (com Radamés Gnattali), entre outras.

CD: Radamés Gnattali: três concertos e uma brasiliana, Orquestra Sinfônica Nacional, reg. Alceu Bocchino, 1996, SOARMEC S004.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

sábado, julho 13, 2013

Nilo Sérgio

Nilo Sérgio - 1943
Nilo Sérgio (Nilo Santos Pinto), compositor, cantor e produtor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 16/06/1921, e faleceu na mesma cidade em 1981. Foi criador e diretor da gravadora Musidisc. Iniciou a carreira artística na Rádio Cruzeiro do Sul e depois, como crooner da orquestra The Midnighters.

Em 1943, gravou seu primeiro disco, interpretando o fox trot Take it from there, de Robin e Rainger.  Ainda nesse ano, gravou com o trio vocal As Três Marias, e com acompanhamento da orquestra de Zaccarias, o samba Morena boca de ouro, de Ary Barroso. Seus primeiros discos, lançados pela gravadora RCA Victor, traziam vários estilos que iam de fox trotes, beguines e principalmente de standards do cancioneiro americano.

A partir de 1949, começou a abrasileirar seu repertório, embora mantendo o estilo romântico, e gravou a marcha I'm looking over a four leaf clover (Trevo de quatro folhas), de Woods e Dixon, para a qual ele mesmo fez a versão; o fox trot My darling, my darling, de Frank Loesser; o beguine On na island with you, de Edward Heyman e N. Herb Brown; os sambas Mañana, versão de Haroldo Barbosa, para música de P. Lee e D. Harbour, e Falta-me alguém de Claudionor Cruz e Pedro Caetano, e a Canção de aniversário, de José Maria de Abreu e Alberto Ribeiro.

Em 1950, gravou a marcha Sorrisos, de W. Calahan e L. Roberts, e versão sua, e o samba bolero Que importa a vida, parceria com Raimundo Baima. Ainda em 1950, ingressou na gravadora Todamérica, na qual estreou, registrando a valsa Cavaleiros do céu, de Satan Jones, e versão de Haroldo Barbosa; e o beguine Speak low, de Kurt Weill e Ogden Nash. No mesmo ano gravou os sambas Anseio, de sua autoria e Alberto Ribeiro,  Não posso esquecer, de José Maria de Abreu e Alberto Ribeiro, além da valsa Parabéns a você, de M. T. Hill, e versão de Léa Magalhães, e a Canção de aniversário de casamento, de A. Jolson e S. Chaplin, e versão de  Osvaldo Santiago.

Ainda em 1951, gravou os sambas Você é tormento, de sua parceria com Garoto, e Não briguemos, de sua autoria, e em disco lançado apenas em março de 1952, o bolero Serenata, de G. Braga, e ainda, a toada Onde a tristeza mora, de José Maria de Abreu. Em 1952, sua música Na madrugada foi gravada no primeiro LP do Trio Surdina.

Em 1953, criou sua própria etiqueta, o selo Musidisc. Nesse mesmo ano, lançou o primeiro LP pelo seu novo selo, Datas felizes, no qual interpretou as baladas Natal, de sua autoria; Papai Noel, de Alberto Ribeiro; Aniversário de casamento, de Ivanovic e Lourival Faissal; as valsas Aniversário de mamãe, de sua autoria e Alberto Ribeiro; e Parabéns a você, de M. J. Hill, e versão sua; as canções Canção da Páscoa, de sua autoria e Alberto Ribeiro; Canção de aniversário, de José Maria de Abreu e Alberto Ribeiro, e Canção dos namorados, parceria sua com Alberto Ribeiro.

Em 1956, dividiu com o Trio Surdina o LP Canções de Natal. Nesse disco, o trio interpretou quatro músicas e ele, mais quatro: Silent night, de Franz Gruber; o motivo tradicional Tannembaum, Papai Noel, de Alberto Ribeiro, e Natal, de sua autoria. Nesse ano, sua interpretação para Canção de aniversário, de José Maria de Abreu e Alberto Ribeiro, foi incluída no LP No mundo da canção - Vol. 1. No final dos anos 1950, criou sua própria orquestra, que passou a acompanhá-lo em gravações.

Em 1960, gravou o LP Dançando suavemente - Nilo Sérgio e sua orquestra, no qual foram interpretados diversos clássicos internacionais, além de Devaneio, de Djalma Ferreira e Luís Antônio, e Bongô para dois, de sua autoria. Nesse ano, a canção Trevo de quatro folhas, versão da música de M. Dixon e H. Woods, foi gravada por João Gilberto na Odeon.

Em 1961, foi relançada sua gravação com as valsas, Canção de aniversário de casamento, de M. J. Hill e Léa Magalhães, e, com o Trio Madrigal, Parabéns a você, de A. Jolson, S. Chaplin e versão de Osvaldo Santiago, registradas na Continental. Nos anos 1960, teve a música Amanhã eu vou gravada por Ed Lincoln, no LP Ed Lincoln seu piano e seu órgão espetacular.

Em 1962, lançou um de seus maiores êxitos, o LP Isto é romance - Nilo Sérgio, sua orquestra e vozes, no qual foram interpretadas as músicas Romantic partners, Marias de Portugal, Canção de um vagabundo e Canção para um homem no espaço, todas de sua autoria, além de Espiral, parceria com Ed Lincoln, entre outras.

Em 1963, lançou dois LPs, no primeiro, Bolero, amor e romance - Nilo Sérgio, sua orquestra e vozes, foram interpretados 10 boleros clássicos. No segundo, Cleópatra, cinema e romance - Nilo Sérgio, sua orquestra e vozes, foram interpretados 12 temas do cinema.

Em 1969, lançou pela Musidisc, o LP Canções para uma noite de chuva - Orquestra Nilo Sérgio, no qual foram interpretadas, entre outras, Deixe-me viver, Copacabana concerto, Oração para uma menina, Amor de inverno, Meu pecado e O parque, todas de sua autoria, além de sucesso da época como Carolina, de Chico Buarque, e Modinha, de Sérgio Bittencourt.

Em 1971, depois de quase 20 anos de existência, chegou ao fim a gravadora Musidisc, deixando um acervo de cerca de quatro mil fonogramas que renderam entre 400 e 500 discos. Entre os músicos que passaram por sua gravadora, destacaram Ed Lincoln, Orlandivo, Sílvio César e Pedrinho Rodrigues, além da Orquestra Românticos de Cuba, feita especialmente para as gravações. Também fizeram gravações pela Musidisc o conjunto Voz do Morro, integrado por Paulinho da Viola, Elton Medeiros e Nelson Sargento, o intrumentista Altamiro Carrilho, e o grupo de rock Bango.

Com o fim da gravadora, o espaço onde ela funcionou passou a ser utilizado como estúdio. Ao longo da carreira de cantor gravou gravou mais de 40 discos, entre 78 rpm e LPs.

Obra


Canção de aniversário (c/Alberto Ribeiro), Canção dos namorados, Na madrugada, Natal, Papai Noel.

Discografia


1943 - Take it from there - Com The Midnighters - Victor - 78
1943 - It can't be wrong - Com The Midnighters - Victor - 78
1943 - You'll never know/My devotion - Com The Midnighters - Victor - 78
1943 - Jingle, jangle, jingle/If you please - Com The Midnighters - Victor - 78
1943 - Sunday, Monday or always/For the first time - c/The Midnighters - Victor - 78
1943 - Paper Doll/Hello Frisco - Com The Midnighters - Victor - 78
1943 - Morena boca de ouro - Com As Três Marias - Victor - 78
1944 - Have I stayed aweay too long/Don't believe everything you dream- Victor - 78
1944 - I'II be around/No love, no nothing - Victor - 78
1944 - How sweet you are/We mustn"t say goodbye - Victor - 78
1944 - Someday I'II meet you again/The dreamer - Victor - 78
1944 - Shoo-shoo baby/Don't sweetheart me - Victor -78
1944 - Goodnight, wherever you are/How blue the night - Victor - 78
1944 - San Fernando Valley/Long ago - Victor - 78
1945 - I'm making believe/Let me love you tonight - Continental - 78
1945 - Always - All of me/This heart of mine - Continental - 78
1945 - More and more/Candy - Continental - 78
1945 - Laura/Dream - Continental - 78
1946 - As long as I live/It might as well be spring - Continental - 78
1947 - Among my souvenirs/Mam'selle - Continental - 78
1948 - Without you/Make mine music - Continental - 78
1948 - Begin the beguine/Je vous aime - Continental - 78
1949 - I'm looking over a four leaf clover/My darling, my darling - Continental - 78
1949 - On na island with you/Mañana - Continental - 78
1949 - Canção de aniversário/Falta-me alguém - Continental - 78
1950 - Sorrisos/Que importa a vida - Continental - 78
1950 - Cavaleiros do céu/Speak low - Todamérica - 78
1950 - Anseio/Não posso esquecer- Todamérica - 78
1950 - Parabéns a você/Canção de aniversário de casamento- Todamérica - 78
1951 - Você é tormento/Não briguemos- Todamérica - 78
1951 - Serenata/Onde a tristeza mora- Todamérica - 78
1953 - Datas felizes - Musidisc - LP
1956 - Canções de Natal - Nilo Sérgio e Trio Surdina - Musidisc - LP
1956 - Vai menina/Dos perdidos - Musidisc - 78
1960 - Dançando suavemente - Nilo Sérgio e sua orquestra - Musidisc - LP
1961 - Canção de aniversário de casamento/Parabéns a você - Continental - 78
1962 - Isto é romance - Nilo Sérgio, sua orquestra e vozes - Musidisc - LP
1962 - Dança e romance - Nilo Sérgio, sua orquestra e vozes - Nilser - LP
1963 - Bolero, amor e romance - Nilo Sérgio, sua orq. e vozes - Nilser - LP
1963 - Cleópatra, cinema e romance - Nilo Sérgio, sua orq. e vozes - Nilser - LP
1969 - Canções para uma noite de chuva - Orq. Nilo Sérgio - Musidisc - LP


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Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Revista "O Malho", de 1943; http:// oladobom.blogspot.com/2010/11/musidisc-de-nilo-sergio.html.

sábado, maio 12, 2012

Badeco

Badeco (Emmanoel Barbosa Furtado), instrumentista e cantor, integrava em 1944 o conjunto Os Irapurus. Entusiasta do violão, assistia sempre aos programas em que o famoso compositor e instrumentista Garoto (Aníbal Augusto Sardinha) participava na Rádio Nacional, surgindo assim uma grande amizade que se consolidou no ano seguinte.

Depois disso, Badeco integrou o conjunto Os Tupiniquins e finalmente participou da primeira formação oficial do conjunto Os Cariocas, no qual atuou como terceira voz e violonista. Com este grupo, gravou diversos discos e participou de inúmeros shows no Brasil e no exterior.

Em 1987, foi o responsável pela volta do conjunto - que teve sua atividade suspensa por 21 anos -, quando levou seus integrantes para ouvir a harmonia criada pelo pianista Alberto Chimeli para a música "Da cor do pecado", de Bororó. O pianista insistiu em ver a harmonia na voz do grupo e, com isso, deu o impulso que faltava para a volta do conjunto.

Um de seus últimos trabalhos com o grupo foi a gravação da faixa Chansong, no CD em homenagem a Tom Jobim, lançado pela Lumiar, da qual participou também no arranjo ao lado de Severino Filho.

Fontes: Sovaco de Cobra; Dicionário Cravo Albin da MPB.

quinta-feira, setembro 16, 2010

Língua de preto

Honorino Lopes (28/8/1884 - 19/8/1909, Rio de Janeiro, RJ) foi o compositor do clássico choro Língua de preto, gravado pela primeira vez pela Banda da Força Policial do Estado de São Paulo, na Odeon, entre 1907 e 1912.

Em 1913, foi gravada pela Banda da Casa Edison. Obra que faz parte do repertório de chorões, conta com gravações de músicos como Henrique Cazes, entre outros. Abaixo uma interpretação de Garoto.

Disco 78 rpm / Título da música: Língua de preto / Honorino Lopes (Compositor) / Garoto (Violão tenor) (Intérprete) / Seu Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 12966-b / Nº da Matriz: 8566 / Data de Gravação: 3/Outubro/1949 / Data de Lançamento: Dezembro/1949 / Gênero musical: Choro / Acervo Humberto Franceschi



sábado, janeiro 12, 2008

Chiquinho do Acordeom

Chiquinho do Acordeom (Romeu Seibel), instrumentista e compositor, nasceu em Santa Cruz do Sul RS em 07/11/1928, e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 13/02/1993. Começou a estudar acordeom na cidade natal, em 1937, com Maneta Heuser.

Gravou pela primeira vez, em 1951, com o Regional Claudionor Cruz, no estúdio Star, no Rio de Janeiro RJ. Ao lado de Garoto (violão) e Fafá Lemos (violino), trabalhou no programa Música em Surdina, na Rádio Nacional, do qual nasceu, em 1952, o Trio Surdina, composto pelos três, que gravou LPs na Musidisc.

Trabalhou, ainda em 1953, na Grande Orquestra Brasileira, da Rádio Nacional, regida por Radamés Gnattali e no mesmo ano fundou seu próprio grupo denominado Chiquinho e seu Conjunto. Em 1954 integrou o Sexteto de Radamés Gnattali

Além de ter feito arranjos para jingles, participou da gravação de trilhas sonoras para cinema, com diversos maestros, entre os quais Radamés Gnattali, Lírio Panicali, Edino Krieger, Remo Usai, Guerra-Peixe e outros. Em 1960 excursionou pela Europa com o Sexteto de Radamés Gnattali, na III Caravana de Música Brasileira.

Foi diretor musical da TV Excelsior de 1963 a 1967. Um dos mais solicitados acordeonistas para gravações, já acompanhou, entre outros, Elisete Cardoso, Carmélia Alves, Martinho da Vila, Carlos Lyra, Maria Creuza e MPB-4.

Como compositor, é autor de São Paulo Quatrocentão (com Garoto), uma de suas obras mais conhecidas, Esquina da saudade (com Radamés Gnattali e Alberto Ribeiro), gravada por Jamelão, Relógio da vovó (com Fafá Lemos e Garoto), Um baile em Santa Cruz, Sinimbu, Polquinha gaúcha, Estrela, Dobrado 27 de Fevereiro (com Radamés Gnattali), entre outras.

CD: Radamés Gnattali: três concertos e uma brasiliana, Orquestra Sinfônica Nacional, reg. Alceu Bocchino, 1996, SOARMEC S004.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

domingo, dezembro 16, 2007

Fafá Lemos


Fafá Lemos ( Rafael Lemos Júnior), instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro em 19/02/1921 e faleceu na mesma cidade em 18/10/2004. Aos sete anos de idade começou a estudar violino com Orlando Frederico e solfejo e teoria com Guiomar Beltrão Frederico. Com apenas nove anos, interpretou como solista um concerto de Antônio Vivaldi (1678—1741), acompanhado pela Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, sob a regência do maestro Burle Marx.


No ano seguinte, acompanhado pelo pianista Sousa Lima, apresentou-se num concerto no Salão Leopoldo Miguez, do I.N.M., do Rio de Janeiro. Nessa época, deixou a música para concluir os estudos no Colégio Andrews. Ficou quatro anos sem tocar violino, período em que morou no Paraná.

Em 1940 regressou ao Rio de Janeiro, onde, durante seis anos, participou da Orquestra de Carlos Machado, que atuava no Cassino da Urca. Ainda em 1940, por quatro meses, foi instrumentista da OSB.

Em 1946, com Carlos Machado, passou a tocar na boate Casablanca e, logo depois, foi contratado para integrar o Trio Rio, que se apresentava na Bally-Hi. Em 1950 a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, contratou-o como solista. De 1952 em diante, viajou várias vezes aos Estados Unidos, e acompanhado por Laurindo de Almeida gravou a trilha sonora do filme da Metro, Meu amor brasileiro, de Mervyn Le Roy.

Ao lado de Carmen Miranda, realizou tournée por diversas cidades norte-americanas. Paralelamente, fez três programas na TV CBS, de New York, e atuou como solista na KTV, de Hollywood.

Em 1952, convidado pela RCA Victor norte-americana, gravou um álbum, nos quais incluiu, entre outras, Aquarela do Brasil, Na Baixa do Sapateiro e Risque (todas de Ary Barroso), Nem eu (Dorival Caymmi) e Paraíba (Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga). Ainda em 1952 fez parte do Trio Surdina, ao lado de Chiquinho (acordeom) e Garoto (violão), conjunto que surgiu no programa Música em Surdina, de Paulo Tapajós, na Rádio Nacional, e, no ano seguinte, gravou com o trio na Musidisc dois LPs de dez polegadas: Trio Surdina, com O relógio da vovó (de autoria do trio), Duas contas (Garoto) e Na madrugada (Nilo Sérgio); e Trio Surdina toca Ary Barroso e Dorival Caymmi.

Ainda em 1953 lançou Se alguém disser (Reinaldo Lopes e Ismael Neto), a valsa cigana Canarinho feliz (Noel Coward), o choro Tempo antigo (Pedro Camargo) e Luar de Areal (Garoto). Voltou novamente aos EUA para cumprir contrato com Carmen Miranda, acompanhando-a até a morte, em 1955.

Organizou depois um trio, com o qual se apresentou, por 13 meses, no restaurante Marquis, e, por cinco meses, no Frascati. Voltou ao Brasil em 1956 e tornou- se diretor artístico da Victor, gravadora pela qual lançou em 78 rpm todos os sucessos que havia gravado nos EUA. Ficou no Brasil até 1961. Apresentou-se no Rio de Janeiro, em boates e televisão, até 1961, quando foi para Los Angeles, EUA, onde ficou até 1965.

Entre outros, lançou pela RCA Victor os LPs: Fafá, seu violino e seu ritmo, Trio do Fafá e Violino travesso, e, pela Eldorado, Fafá & Carolina (1989), ao lado de Carolina Cardoso de Meneses.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

terça-feira, outubro 23, 2007

Armandinho

Armandinho (Armando Neves), instrumentista e compositor, nasceu em Campinas-SP (28/11/1902) e faleceu em São Paulo-SP (12/10/1976). Freqüentava na infância a casa do professor de violino Antônio Paula de Sousa, e já tocava violão, de ouvido, pois nunca aprendeu a ler e escrever uma nota musical. Quem transcrevia suas composições para o papel era o seu professor.

Foi jogador de futebol até 1919, depois boiadeiro pelo interior de São Paulo. Aos 21 anos transferiu-se para São Paulo, estudando violão com os irmãos José e Joaquim Matoso e em 1926 com Larosa Sobrinho, com quem ingressou na Rádio educadora Paulista (hoje Gazeta), organizando o primeiro Conjunto Regional de São Paulo. No final do ano seguinte, entrou para o conjunto Os Turunas Paulistas, de Canhoto, considerado o melhor violonista da época. 

Com a morte de Canhoto, em 1928, ingressou na então inaugurada Rádio Record, organizando o primeiro regional dessa emissora, do qual seria chefe durante 30 anos. Em 1930 tocou para o violonista paraguaio Agustín Barrios e, nesse mesmo ano, gravou dois discos para a Parlophon, com Larosa Sobrinho.
Especializado em acompanhamento ao violão, fez somente uma gravação de solo, num disco 78 rpm, de propriedade particular, com o selo Decelith, em 1938. Funcionário público da Secretaria de Estado e Saúde Pública aposentou-se em 1955. 

Suas composições foram gravadas por Garoto, José Menezes, Aimoré, Antônio Rago e Geraldo Ribeiro, entre outros. Seu choro Mafuá foi gravado por José Meneses na Sinter, em 1957. Essa mesma música foi gravada por Aimoré em janeiro de 1966. Em abril de 1966, Antônio Rago gravou Maxixe. Em 1970, Geraldo Ribeiro incluiu algumas músicas suas no LP Geraldo Ribeiro, na Fermata. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora / PubliFolha.

quinta-feira, novembro 02, 2006

Laurindo de Almeida


Laurindo de Almeida, instrumentista e compositor, nasceu em Miracatu, SP, em 2/9/1917 e faleceu em Los Angeles, EUA, em 26/7/1995. Filho de um ferroviário seresteiro de Miracatu, ainda garoto começou a tocar violão, tendo aprendido rudimentos de música com a mãe.

Em 1936 mudou-se para o Rio de Janeiro e passou a se apresentar nos cassinos da Urca, Atlântico e Icaraí (em Niterói), e na Rádio Mayrink Veiga, inclusive em dupla com Garoto. Em 1940 participou, ao lado de Donga, Pixinguinha, Cartola e outros, de gravações de música popular brasileira realizadas para o maestro Leopoldo Stokowski (1882—1976), que visitava o Brasil.

Com o fechamento dos cassinos, foi para os EUA, estabelecendo-se em Hollywood, onde recebeu oferta para tocar no filme A Song is Born, em 1947. Em seguida foi contratado como violonista para a orquestra de Stan Kenton, na qual começou a se tornar conhecido, obtendo grande sucesso, chegando a ser considerado um dos melhores do jazz em seu instrumento. Com a orquestra, gravou sua primeira música como solista, Lament, na etiqueta Capitol. Mais tarde formou seu próprio trio, apresentando-se na área de Hollywood.

Em 1949 gravou seu primeiro disco individual Concert Creation for Guitar. Lançou, em seguida a série de três LPs Brazilliance na etiqueta World Pacific, e em 1951 gravou o LP Suenos (Dreams), com a canção Sonho. Em 1953 lançou, com o saxofonista Bud Shank, nova série de discos, reeditada em 1962.

Ainda pela Capitol, gravou em 1956 o LP Guitar Music of Latin America, com Caixinha de música e, em 1957, Impressões do Brasil, com Pôr-do-sol em Copacabana e Serenata, composições suas. Como músico de jazz viajou pela Europa, Oceania, Oriente Médio e Japão.

Em 1962, com a popularidade da bossa nova nos EUA, sua carreira recebeu novo impulso, embora não tenha feito parte dos iniciadores do movimento. Em 1963 e 1964 gravou, e excursionou à Europa, com o Modern Jazz Quartet, e em seguida foi arranjador e regente de vários artistas norte-americanos.

Em 1964 recebeu o prêmio Grammy pelo disco Guitar from Ipanema. Em 1967 esteve no Brasil, apresentando-se na Sala Cecilia Meireles, no Rio de laneiro, e como convidado especial do II FIC, da TV Globo, do Rio de Janeiro. Fez trilhas sonoras para diversas séries de filmes norte-americanos de televisão, entre as quais O Fugitivo. Como compositor teve músicas gravadas por Carmen Miranda, Araci de Almeida, Orlando Silva e outros.

Em 1979 foi lançado nos EUA o disco First Concerto for Guitar Orchestra, no qual, acompanhado pela Orquestra de Câmera de Los Angeles, interpreta um concerto de sua autoria e o Concerto n.4 para violão e orquestra, de Radamés Gnattali. CDs: Music of the Brazilian Masters, 1989, Concord Jazz 4389; Brazilllance, vols. 1 e 2, s.d., World Pacific 96339; First Concerto for Guitar Orchestra, s.d., Concord Jazz 42001.

Fonte: Adaptado da Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

domingo, abril 09, 2006

Garoto

Garoto (Aníbal Augusto Sardinha), instrumentista e compositor, nasceu em São Paulo SP, em 28/6/1915, e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 3/5/1955. Filho dos portugueses Antônio Augusto Sardinha e Adosinha dos Anjos Sardinha, o pai tocava guitarra portuguesa e violão, e o irmão, Batista, tinha um conjunto em que tocava banjo e outros instrumentos.

Começou a tocar sozinho, de ouvido e, ganhando um banjo do irmão, integrou em 1925, com apenas 11 anos, o Regional Irmãos Armani, ficando conhecido então como Moleque do Banjo, por sua pouca idade. No ano seguinte passou a tocar no Conjunto dos Sócios, pertencente ao irmão Inocêncio, cantor e violonista, apresentando-se em reuniões e festas.

Em 1930, com o violonista Serelepe (D. Montezano), apresentou-se ao diretor artístico da Parlophon, maestro Mignone e, depois de um teste, foram convidados no mesmo dia para gravar. Lançaram então em disco Bichinho de queijo, maxixe-choro, e Driblando, maxixe, duas composições suas, em duo de banjo e violão (no selo do disco consta o nome de Aníbal da Cruz como autor que é ele próprio). Na porta da gravadora travou relações com Zezinho, mais tarde conhecido como Aimoré, com quem passou a tocar fazendo serenatas todas as noites no bairro da Luz, na capital paulista. Depois, substituiu Derbagno no conjunto Chorões Sertanejos, com o qual viajou pelo interior de São Paulo. De volta à capital do Estado, trabalhou no Teatro Moulin Rouge e no Circo Piolin, do Largo do Paiçandu.

Em 1931 passou a atuar profissionalmente na Rádio Educadora Paulista (depois Gazeta), tocando cavaquinho e bandolim no Conjunto Regional, em substituição a Zé Carioca, então Zezinho do Banjo. Deixou a emissora no mesmo ano, passando a tocar no Jazz da Cruz Azul.

Em fins de 1934 foi convidado por Jaime Redondo, da Rádio Cosmos, de São Paulo, para integrar, ao lado de Aimoré, Atílio Grani, Pingo e Petit (Hudson Gaia), o Conjunto Regional, liderado por este último. Na época, por sugestão do próprio Redondo, mudou seu apelido de Moleque do Banjo para Garoto, e compôs, no mesmo ano, a música Quinze de Julho (com Aimoré).

No ano seguinte organizou, com Petit e Aimoré, um trio que se apresentou no salão nobre do Edifício Martinelli, em São Paulo. Com o fechamento da Rádio Cosmos, ficou algum tempo sem trabalho, sendo depois convidado a participar da Quarta Caravana Artística com temporada em Curitiba, no Cassino Rodoviário do Paraná. De lá, com Aimoré, foi para Porto Alegre RS, atuando no Cassino Farroupilha, e para Buenos Aires, Argentina, onde acompanharam Carlos Gardel em alguns números. Retornando a São Paulo, apresentou-se, com Aimoré e Sílvio Caldas, em Santos, quando obteve grande sucesso tocando violão-tenor.

Em 1935, com Aimoré no acompanhamento, gravou pela Columbia dois 78 rpm, com suas músicas Dolente, choro, Moreninha e Sobre o mar, valsas com solo de guitarra havaiana pelo autor e Quinze de Julho, com solo de violão-tenor. No mesmo ano, a convite de Sílvio Caldas, foi com Aimoré para o Rio de Janeiro, chegando a estrear na Rádio Mayrink Veiga. Contudo, por problemas de saúde, voltou a São Paulo, onde foi convidado, em 1937, pelo maestro Gaó, para integrar o conjunto regional da Rádio Cruzeiro do Sul.

Dois anos depois casou e desfez a dupla com Aimoré, seguindo para o Rio de Janeiro, onde passou a tocar com Laurindo de Almeida. Com a saída do violonista Ivo Astolfi do Bando da Lua, Carmen Miranda chamou-o para substituí-lo.

Permaneceu oito meses nos EUA com o conjunto. De volta ao Brasil, formou o conjunto Garoto e seus Garotos, integrado por Valdemar Reis, Poli e Almeida ao violão, e Russo do Pandeiro. Mais tarde, quando 0 conjunto se desfez, foi para a Rádio Nacional, participando de vários programas com Carolina Cardoso de Meneses e atuando na Orquestra da Rádio Nacional, regida por Radamés Gnattali.

De 1942 a 1946 gravou, na Victor seis 78 rpm com Carolina Cardoso de Meneses, sob o título Garoto e Carolina, e, cinco anos depois, formou dupla com José Meneses, participando do programa Nada Além de Dois Minutos, de Paulo Roberto, na Rádio Nacional. Ali, trocava de instrumentos sem perder a seqüência das músicas, alternando violão, guitarra, violão-tenor e cavaquinho. Ainda com José Meneses atuou em outros programas, como Ao Som da Viola e Um Milhão de Melodias, em que eram solistas da Orquestra da Rádio Nacional, além de terem gravado vários discos.

Em 1952 surgiu o Trio Surdina, produzido por Paulo Tapajós, então diretor-artístico da Rádio Nacional. Formado por Fafá Lemos (violino e solos de assobio), Chiquinho (acordeom) e ele próprio (violão), o trio gravou dois LPs de 10 polegadas, a convite de Nilo Sérgio, pela Musidisc. Realizadas no próprio estúdio da Rádio Nacional, nessas gravações foram incluídos mais dois elementos no grupo, o contrabaixista Vidal e o ritmista Bicalho.

Lançado em 1953, o primeiro LP Trio Surdina, trazia, entre outras, suas músicas O relógio da vovó (com Fafá Lemos e Chiquinho do Acordeom) e Duas contas, e ainda Na madrugada (Nilo Sérgio). No mesmo ano, com a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, regida pelo maestro Eleazar de Carvalho, tocou o Concerto n° 2, para violão e orquestra, da Radamés Gnattali, que lhe era dedicado. Ainda em 1953 compôs, com Chiquinho do Acordeom, São Paulo Quatrocentão (com letra de Avaré), para o IV Centenário de São Paulo, que vendeu 700 mil discos. Foi ainda naquele ano que gravou seu primeiro disco como violonista, pela Odeon, com Abismo de rosas (Canhoto) e Tristezas de um violão (de sua autoria).

Ao longo de sua carreira, estudou música com Atílio Bernardini e composição com João Sepe, cursando matérias afins com Radamés Gnattali. Como compositor, além de São Paulo quatrocentão, obteve grande sucesso com Amoroso (com Luís Bittencourt), Estranho amor (com David Nasser), Sorriu para mim (com Iraci de Abreu de Medeiros Rosa), Duas contas e Gente humilde, cuja letra foi escrita mais tarde por Chico Buarque e Vinícius de Moraes. Gravou ainda, como instrumentista de corda, sambas, choros, prelúdios, valsas, além de composições de músicos eruditos. Morreu em 1955, de um ataque cardíaco, quando planejava excursão à Europa.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.