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quinta-feira, março 22, 2018

Mário de Andrade - Biografia

Mário de Andrade (Mário Raul de Morais Andrade). Poeta, escritor, musicólogo, folclorista, crítico, jornalista. São Paulo SP 9/10/1893—id. 25/2/1945. Filho de Carlos Augusto de Andrade e de Maria Luísa de Morais Andrade fez estudos secundários no Ginásio do Carmo, dos irmãos maristas, em São Paulo.

Em 1911, matriculou-se no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo nos cursos de música, piano e canto, diplomando-se em 1917. Publicou os primeiros ensaios de crítica de arte em jornais e revistas, e seu primeiro livro, Há uma gota de sangue em cada poema (São Paulo, 1917). Foi o início de uma atividade intelectual das mais vigorosas da história literária e artística do país.

Em 1922 tornou-se professor de história da música e de estética musical do conservatório onde se diplomara e publicou Paulicéia desvairada, obra pioneira da poesia modernista do Brasil. A crítica conservadora cobriu o livro e seu autor de insultos e ápodos, ressalvando-se, entretanto, os pronunciamentos de Amadeu Amaral e João Ribeiro, que demonstraram compreensão para o “movimento modernista” que se iniciava e que culminou com a realização da Semana de Arte Moderna, no Teatro Municipal, de São Paulo, em fevereiro de 1922, e da qual terá sido, possivelmente, a figura principal.

Em 1924 assumiu no conservatório a cátedra de história da música e de piano. Somente depois de ter publicado algumas Obras de literatura — poesia, prosa e crítica — voltou-se para a música, com uma série de Obras em que fixou as bases teóricas para a formação de uma consciência musical brasileira. Com o Ensaio sobre a música brasileira (São Paulo, 1928) esboçou os rumos para a sistematização dos estudos musicológicos no Brasil.

No ano seguinte publicou o Compêndio de história da música (São Paulo, 1929), depois reescrito e reintitulado Pequena história da música (São Paulo, 1942), e a seguir Modinhas imperiais (São Paulo, 1930), antologia de peças do século XIX, precedida de um prólogo e de notas bibliográficas em que aborda em profundidade a história da modinha brasileira de salão. Em Música, doce música (São Paulo, 1933) reuniu escritos, conferências e crítica.

Em 1935 foi nomeado pelo prefeito Fábio Prado para a direção do então criado Departamento de Cultura, da prefeitura de São Paulo. Teve nesse encargo a colaboração de Paulo Duarte, que o indicara ao prefeito. Criou os parques infantis, a Discoteca Pública Municipal, e, para incentivar o cultivo da música, empregou recursos oficiais na criação da Orquestra Sinfônica de São Paulo, do Quarteto Haydn (depois Quarteto Municipal), do Coral Paulistano e de um Coral Popular.

Desligou-se do Departamento de Cultura em 1936 e assumiu, no Rio de Janeiro, o Instituto de Artes, da Universidade do Distrito Federal, onde também passou a reger a cátedra de filosofia e história da arte. Desse ano é o ensaio A música e a canção populares no Brasil, editado pelo Serviço de Cooperação Intelectual do Ministério das Relações Exteriores, e depois incluído no volume VI das Obras completas.

Ainda em 1936 efetuou o tombamento dos monumentos históricos paulistas para o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que ajudara a projetar. Em 1937 fundou a Sociedade de Etnografia e Folclore de São Paulo e foi um dos organizadores do I Congresso da Língua Nacional Cantada, cujos trabalhos constam dos Anais publicados em 1938 pelo Departamento de Cultura da prefeitura de São Paulo.

Em 1939, com a extinção da Universidade do Distrito Federal, passou a trabalhar no Serviço (hoje Instituto) do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Elaborou, na época, o projeto de uma Enciclopédia Brasileira, nunca materializado.

Em 1940 o Instituto Brasil - Estados Unidos publicou sua conferência A expressão musical dos Estados Unidos, incluída no volume VII das Obras completas. Retornou a São Paulo em 1941, onde passou a ser assessor técnico da seção paulista do IPHAN e reassumiu a cátedra de história da música no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Nesse ano a Editora Guaíra, de Curitiba PR, lançou seu livro Música do Brasil, contendo estudos sobre história e folclore, incluídos nos volumes XI e XVIII das Obras completas.

Foi uma das inteligências mais construtivas do Brasil e sua obra atesta uma atividade intelectual e artística que se desdobram em setores dos mais variados aspectos, como a questão da língua nacional e os problemas fonéticos do canto erudito e da declamação lírica em vernáculo. Suas contribuições para o desenvolvimento da música no Brasil seriam depois enaltecidas por Camargo Guarnieri e Francisco Mignone, entre muitíssimos outros.

Influenciou por todo o país o trabalho de pesquisa do folclore musical, em particular o de Frutuoso Viana e o de Luciano Gallet (reuniu as pesquisas deste último em Estudos de folclore, Rio de Janeiro, 1934, para o qual escreveu um ensaio histórico e critico).

Em fevereiro de 1970 a Biblioteca Municipal Mário de Andrade dedicou-lhe número especial de seu Boletim bibliográfico, contendo, além de estudos, uma “Cronologia geral da obra de Mário de Andrade”. Inúmeros trabalhos e escritos seus publicados em revistas e jornais foram incorporados às suas Obras completas, cuja publicação, iniciada em 1944 pela Livraria Martins Editora, de São Paulo, compreende 20 volumes, dos quais os volumes XIII (Música de feitiçaria no Brasil, 1963) e XVIII (Danças dramáticas do Brasil, 3 tomos, 1959) foram organizados por Oneyda Alvarenga (sistematização geral, introdução e notas).

Dos demais volumes relacionados com música e folclore brasileiros citem-se: VI — Ensaio sobre a música brasileira (Ensaio sobre a música brasileira; A música e a canção populares no Brasil), 1962; VII — Música, doce música (Música doce música; A expressão musical nos Estados Unidos), organizado por Oneyda Alvarenga, 1963; VII — Pequena história da música, 1942; IX — Namoros com a medicina (Terapêutica musical; Medicina dos excretos), s.d.; XI — Aspectos da música brasileira (Evolução social da música no Brasil; Os compositores e a língua nacional; A pronúncia cantada e o problema nasal brasileiro através dos discos; O samba rural paulista; Cultura musical), 1965; XVI — Padre Jesuíno do Monte Carmelo, 1963; Modinhas imperiais, 1964.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

João do Rio

João do Rio
João do Rio (João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto), folclorista, teatrólogo, romancista e jornalista, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 05/07/1881, e faleceu na mesma cidade, em 23/06/1921.

Era filho de educador Alfredo Coelho Barreto e de Florência Cristóvão dos Santos Barreto. Adepto do Positivismo, o pai fez batizar o filho na igreja positivista, esperando que o pequeno Paulo viesse a seguir os passos de Teixeira Mendes. Mas Paulo Barreto jamais levaria a sério a igreja contista, nem qualquer outra, a não ser como tema de reportagem.

domingo, janeiro 09, 2011

João da Gente

João da Gente (João de Wilton Morgado ou João da Silva Morgado), compositor, teatrólogo e jornalista, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 08/12/1882, e faleceu na mesma cidade, em 18/01/1937.

Filho do construtor português Eduardo Penafiel da Silva (que, por ser primogênito, adotou o sobrenome de Morgado, tornando-se Eduardo Morgado). Nascido em Vila Isabel, foi batizado João da Silva Morgado, recebendo, mais tarde, da Igreja de Portugal, o título de conde e o nome de João de Wilton Morgado.

Em 1897 estreou no teatro, como amador, no Centro Cômico do Rio de Janeiro. Foi funcionário federal, teatrólogo, jornalista, escritor, mas era conhecido principalmente como um dos mais populares compositores carnavalescos das primeiras décadas deste século, no Rio de Janeiro.

Foi repórter e cronista carnavalesco dos jornais cariocas Jornal do Brasil, Correio da Manhã (desde cerca de 1904 até 1937), Diário de Notícias (1908), A Imprensa (1908), A Época (1915) e O País (1916).

Colaborou ainda nos jornais mineiros Araguari e Queluz, no Correio da Noite, de Guaratinguetá SP, na revista Santa Cruz, de São Paulo SP, e no jornal O Município, de São João da Boa Vista SP. Na revista O Teatro, escreveu com os pseudônimos de João da Gente e John Wilton. Colaborou também em vários jornais de Lisboa, Portugal.

Como teatrólogo, é autor dos dramas Silvina e Cruz e perdão, e das comédias Por causa das dúvidas, O engano, O paletó não é meu, Tio Tibério etc. Escreveu ainda Arpejos (versos) e Cintilações (prosa).

Grande entusiasta do Carnaval, em 1915 organizou a Mi-Carême, festa dos campeões carnavalescos, realizada no domingo de Páscoa com muito sucesso. Foi também idealizador e organizador de vários blocos carnavalescos, instituindo prêmios para as fantasias e carros alegóricos. Organizador ainda das tradicionais batalhas de confete, era figura obrigatória em comissões julgadoras dos desfiles carnavalescos.

Foi membro da comissão de frente do Clube dos Democráticos e, durante muitos anos, chefe político do Segundo distrito eleitoral, tendo organizado muitos comícios e passeatas com carros alegóricos.

Foi compositor, sobretudo, de dezenas de sambas e marchas carnavalescas, como a marcha Deixa ela e os sambas Olá (gravado por Fernando, na Odeon, em 1925) e Vem comigo, este, campeão do Carnaval de 1929, gravado por Francisco Alves e muito cantado na Festa da Penha.

Obra

Falso amor, samba, 1932; Guiomar, samba, 1930; No chore, samba, 1931; Não jures, samba, 1928; Não se esqueça de seu bem, samba, 1930; Não se roda, samba, 1923; Olá, samba, 1925; Orgulhosa, samba, 1930; Sai, jereré, samba, 1928; Tristeza (c/Heitor dos Prazeres), samba, 1929; Vem comigo, samba, 1929.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira -Art Editora e PubliFolha - 2a. Edição - 1998.

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Eneida


Eneida (Eneida Costa de Morais), jornalista e escritora, nasceiu em Belém, PA, em 23/10/1904, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 27/4/1971. Com apenas 15 anos, foi secretária da revista literária A Semana, em Belém, e em 1929 lançou o livro de versos Terra verde.

No mesmo ano, foi para o Rio de Janeiro, onde se radicou, tendo trabalhado em vários jornais cariocas (inclusive A Manhã, do barão de Itararé), fixando-se como cronista do Diário de Notícias, da década de 1950 até a morte.

Conhecida como a maior foliã do Carnaval da cidade, criou o famoso Baile do Pierrô, realizado todos os anos em boates de Copacabana, aos quais compareciam os maiores artistas plásticos, escritores e cantores, todos fantasiados de pierrô. 

Em 1958 lançou no Rio de Janeiro o livro História do Carnaval carioca e mais tarde participou de júris nos desfiles de escolas de samba. 

Em 1965 desfilou na ala dos pierrôs do G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro, quando este venceu o desfile de escolas de samba do Carnaval carioca, com o enredo A História do Carnaval Carioca, tirado de seu livro.

Autora de livros de contos e de crônicas, tornou-se responsável pelo relançamento de antiga cantora de auditório da Rádio Nacional, Marlene, quando escreveu e apresentou o show Carnavália (que reunia ainda os cantores Blecaute e Nuno Roland), encenado no Teatro Casa Grande, do Rio de Janeiro, e produzido por Sidney Miller e Paulo Afonso Grisolli, em 1968. 

Em 1973, o Salgueiro apresentou enredo homenageando a escritora.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - 2a. Edição - 1998.

sábado, dezembro 11, 2010

Sérgio Cabral

Sérgio Cabral
Sérgio Cabral (Sérgio Cabral Santos), jornalista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 27/5/1937.

Em 1957, quando se preparava para o vestibular de jornalismo, deixou os estudos e começou a trabalhar como repórter de polícia no Diário da Noite, do Rio de Janeiro, transferindo-se em 1959 para o Jornal do Brasil, onde iniciou, dois anos depois, suas atividades como crítico de música popular brasileira, com a coluna Música naquela base.

Deixou o Jornal de Brasil em 1962, passando a fazer crítica musical para outros jornais do Rio de Janeiro, como a Tribuna da Imprensa, Diário Carioca e Correio da Manhã.

Dirigiu e escreveu vários espetáculos de música popular, como o Telecoteco opus n° 1, junto com Oduvaldo Viana Filho e Teresa Aragão, em 1965, em que participaram Ciro Monteiro e Dilermando Pinheiro (Teatro Opinião, do Rio de Janeiro).

No ano seguinte, com Oduvaldo Viena Filho e Armando Costa, realizou o Samba pede passagem, com Baden Powell, Araci de Almeida, MPB-4, Ismael Silva, Regional do Canhoto, Raul de Barros, Sidney Miller e diversos conjuntos de samba.

Em 1969, com outros jornalistas, fundou O Pasquim, do qual foi editor por um ano. Depois, continuou no jornal como colaborador, além de escrever colunas de música popular em outros órgãos de imprensa, como o jornal O Globo e a revista Homem.

Em 1973 dirigiu e escreveu o espetáculo Sarau, com Paulinho da Viola e o conjunto Época de Ouro. No mesmo ano foi gravada sua composição (parceria com Rildo Hora) Janelas azuis, por Maria Creuza, na RCA.

Em 1974 produziu discos para as etiquetas Marcus Pereira e RCA. Fez parte do conselho de música popular do MIS, do Rio de Janeiro. Em 1979 realizou a seleção musical e escreveu o texto do álbum duplo Pixinguinha, vida e obra, disco-brinde produzido pela Som Livre para os clientes da Rede Globo. 

Publicou, entre outros: As escolas de samba, o quê, quem, como, quando e por quê?, Rio de Janeiro, 1974 (22 ed., Rio de Janeiro, Lumiar Editora, 1996); Pixinguinha, vida e obra, Coleção MPB, nr 1, Rio de Janeiro, Funarte, 1978 (22 ed., Rio de Janeiro, Lumiar Editora, 1997); No tempo de Almirante: uma história do rádio e da MPB, Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1990; No tempo de Ari Barroso, Rio de Janeiro, Lumiar Editora, 1993; Elisete Cardoso: uma vida, Rio de Janeiro, Lumiar Editora, 1994; Antônio Carlos Jobim — uma biografia, Lumiar Editora, Rio de Janeiro, 1997. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

sábado, novembro 24, 2007

Jota Efegê

Jota Efegê (João Ferreira Gomes), jornalista, pesquisador, cronista, musicólogo e escritor, nasceu no Rio de Janeiro-RJ em 27/1/1902, e faleceu na mesma cidade em 25/5/1987.

Entre 1919 e 1920, escreveu para o Jornal das Moças. Por essa mesma época, colaborou com o jornal Idéia Nacional que, entre seus redatores, contava com Carlos Maul. Em 1928, ingressou no jornal carioca Diário da Noite, passando a auxiliar Eustórgio Wanderley, fazendo crônicas carnavalescas.

A partir de 1930, trabalhou no Diário Carioca, aí permanecendo até 1960, quando se aposentou. Paralelamente, colaborou nas revistas Carioca, Noite Ilustrada e no terceiro caderno de O Jornal. Em 1931 publicou O Cabrocha, livro de crônicas e reportagens sobre as gafieiras cariocas.

Depois de alguns anos de aposentadoria, voltou a atuar na imprensa carioca, como colaborador do Jornal do Brasil (1964-1967) e depois em O Globo.

A partir da década de 1960, tornou-se historiador de nossa música popular, publicando os livros Ameno Resedá, o rancho que foi escola, Rio de Janeiro, 1965; Maxixe — a dança excomungada, Rio de Janeiro, 1974; Figuras e coisas da música popular brasileira — vol. 1, Rio de Janeiro, 1978, e vol. 2, Rio de Janeiro, 1980; Figuras e coisas do Carnaval carioca, Rio de Janeiro, 1982; e Meninos, eu vi, Rio de Janeiro, 1985, sendo os quatro últimos coletâneas de trabalhos publicados em jornais.

Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

domingo, julho 08, 2007

Mário de Andrade

Mário de Andrade (Mário Raul de Morais Andrade). Poeta, escritor, musicólogo, folclorista, crítico, jornalista. São Paulo SP 9/10/1893—id. 25/2/1945. Filho de Carlos Augusto de Andrade e de Maria Luísa de Morais Andrade fez estudos secundários no Ginásio do Carmo, dos irmãos maristas, em São Paulo.

Em 1911, matriculou-se no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo nos cursos de música, piano e canto, diplomando-se em 1917. Publicou os primeiros ensaios de crítica de arte em jornais e revistas, e seu primeiro livro, Há uma gota de sangue em cada poema (São Paulo, 1917). Foi o início de uma atividade intelectual das mais vigorosas da história literária e artística do país.

Em 1922 tornou-se professor de história da música e de estética musical do conservatório onde se diplomara e publicou Paulicéia desvairada, obra pioneira da poesia modernista do Brasil. A crítica conservadora cobriu o livro e seu autor de insultos e ápodos, ressalvando-se, entretanto, os pronunciamentos de Amadeu Amaral e João Ribeiro, que demonstraram compreensão para o “movimento modernista” que se iniciava e que culminou com a realização da Semana de Arte Moderna, no Teatro Municipal, de São Paulo, em fevereiro de 1922, e da qual terá sido, possivelmente, a figura principal.

Em 1924 assumiu no conservatório a cátedra de história da música e de piano. Somente depois de ter publicado algumas Obras de literatura — poesia, prosa e crítica — voltou-se para a música, com uma série de Obras em que fixou as bases teóricas para a formação de uma consciência musical brasileira. Com o Ensaio sobre a música brasileira (São Paulo, 1928) esboçou os rumos para a sistematização dos estudos musicológicos no Brasil.

No ano seguinte publicou o Compêndio de história da música (São Paulo, 1929), depois reescrito e reintitulado Pequena história da música (São Paulo, 1942), e a seguir Modinhas imperiais (São Paulo, 1930), antologia de peças do século XIX, precedida de um prólogo e de notas bibliográficas em que aborda em profundidade a história da modinha brasileira de salão. Em Música, doce música (São Paulo, 1933) reuniu escritos, conferências e crítica.

Em 1935 foi nomeado pelo prefeito Fábio Prado para a direção do então criado Departamento de Cultura, da prefeitura de São Paulo. Teve nesse encargo a colaboração de Paulo Duarte, que o indicara ao prefeito. Criou os parques infantis, a Discoteca Pública Municipal, e, para incentivar o cultivo da música, empregou recursos oficiais na criação da Orquestra Sinfônica de São Paulo, do Quarteto Haydn (depois Quarteto Municipal), do Coral Paulistano e de um Coral Popular.

Desligou-se do Departamento de Cultura em 1936 e assumiu, no Rio de Janeiro, o Instituto de Artes, da Universidade do Distrito Federal, onde também passou a reger a cátedra de filosofia e história da arte. Desse ano é o ensaio A música e a canção populares no Brasil, editado pelo Serviço de Cooperação Intelectual do Ministério das Relações Exteriores, e depois incluído no volume VI das Obras completas.

Ainda em 1936 efetuou o tombamento dos monumentos históricos paulistas para o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que ajudara a projetar. Em 1937 fundou a Sociedade de Etnografia e Folclore de São Paulo e foi um dos organizadores do I Congresso da Língua Nacional Cantada, cujos trabalhos constam dos Anais publicados em 1938 pelo Departamento de Cultura da prefeitura de São Paulo.

Em 1939, com a extinção da Universidade do Distrito Federal, passou a trabalhar no Serviço (hoje Instituto) do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Elaborou, na época, o projeto de uma Enciclopédia Brasileira, nunca materializado.

Em 1940 o Instituto Brasil - Estados Unidos publicou sua conferência A expressão musical dos Estados Unidos, incluída no volume VII das Obras completas. Retornou a São Paulo em 1941, onde passou a ser assessor técnico da seção paulista do IPHAN e reassumiu a cátedra de história da música no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Nesse ano a Editora Guaíra, de Curitiba PR, lançou seu livro Música do Brasil, contendo estudos sobre história e folclore, incluídos nos volumes XI e XVIII das Obras completas.

Foi uma das inteligências mais construtivas do Brasil e sua obra atesta uma atividade intelectual e artística que se desdobram em setores dos mais variados aspectos, como a questão da língua nacional e os problemas fonéticos do canto erudito e da declamação lírica em vernáculo. Suas contribuições para o desenvolvimento da música no Brasil seriam depois enaltecidas por Camargo Guarnieri e Francisco Mignone, entre muitíssimos outros.

Influenciou por todo o país o trabalho de pesquisa do folclore musical, em particular o de Frutuoso Viana e o de Luciano Gallet (reuniu as pesquisas deste último em Estudos de folclore, Rio de Janeiro, 1934, para o qual escreveu um ensaio histórico e critico).

Em fevereiro de 1970 a Biblioteca Municipal Mário de Andrade dedicou-lhe número especial de seu Boletim bibliográfico, contendo, além de estudos, uma “Cronologia geral da obra de Mário de Andrade”. Inúmeros trabalhos e escritos seus publicados em revistas e jornais foram incorporados às suas Obras completas, cuja publicação, iniciada em 1944 pela Livraria Martins Editora, de São Paulo, compreende 20 volumes, dos quais os volumes XIII (Música de feitiçaria no Brasil, 1963) e XVIII (Danças dramáticas do Brasil, 3 tomos, 1959) foram organizados por Oneyda Alvarenga (sistematização geral, introdução e notas).

Dos demais volumes relacionados com música e folclore brasileiros citem-se: VI — Ensaio sobre a música brasileira (Ensaio sobre a música brasileira; A música e a canção populares no Brasil), 1962; VII — Música, doce música (Música doce música; A expressão musical nos Estados Unidos), organizado por Oneyda Alvarenga, 1963; VII — Pequena história da música, 1942; IX — Namoros com a medicina (Terapêutica musical; Medicina dos excretos), s.d.; XI — Aspectos da música brasileira (Evolução social da música no Brasil; Os compositores e a língua nacional; A pronúncia cantada e o problema nasal brasileiro através dos discos; O samba rural paulista; Cultura musical), 1965; XVI — Padre Jesuíno do Monte Carmelo, 1963; Modinhas imperiais, 1964.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

domingo, novembro 05, 2006

Sérgio Porto

Stanislaw Ponte Preta
Sérgio Porto (Sérgio Marcus Rangel Porto), cronista, radialista e compositor, conhecido também como Stanislaw Ponte Preta, nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 11/1/1923 e faleceu na mesma cidade em 30/9/1968.

Iniciou carreira jornalística escrevendo para a revista Sombra, em 1949. Dois anos depois estava no jornal Diário Carioca, em 1953 na Tribuna de Imprensa e em 1954 na Última Hora, do Rio de Janeiro, onde, sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, deu início às crônicas satíricas que lhe deram fama.

Escreveu em 1953 a Pequena história do jazz e no ano seguinte foi colaborador da Revista de Música Popular, fundada por seu tio Lúcio Rangel e Pérsio de Morais. Com Lúcio Rangel e o pintor Santa Rosa fundou a revista O Mundo Ilustrado.

Em 1956 escreveu com Nestor de Holanda TV para crer, e com Luís Iglésias, no ano seguinte, Quem comeu foi pai Adão, revistas teatrais encenadas com êxito. Escreveu shows musicais para boates, entre os quais o levado em 1964 na boate Zum-Zum, do Rio de Janeiro, com Araci de Almeida e Billy Blanco e apresentação dele próprio.

Como compositor destacou-se com o Samba do crioulo doido, gravado pelo Quarteto em Cy no LP Em Cy maior, em 1968, pela Elenco. O samba glosa a dificuldade dos compositores de escolas de samba quando obrigados a estudar a História do Brasil para compor os enredos dos desfiles.

Suas crônicas começaram a ser reunidas em livro a partir de 1961, com Tia Zulmira e eu, culminando em 1966 com o Febeapá, festival de besteira que assola o país. Foi em certo momento, pela linguagem, estilo, temas e críticas, a encarnação da “alma carioca”.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.