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quarta-feira, junho 06, 2018

Edigar de Alencar - Biografia

Edigar de Alencar, musicólogo, jornalista, poeta e teatrólogo. Nasceu em 06/11/1901 na cidade de Fortaleza-CE e faleceu no Rio de Janeiro-RJ em 24/04/1993.

Foi para o Rio de Janeiro em 1926, dedicando-se ao comércio.

Escreveu a revista Doce de coco, estrelada por Alda Garrido, no Teatro São José, e foi crítico de teatro, chegando a presidir o Ciclo Independente dos Críticos Teatrais.

Em 1932 publicou seu primeiro livro de poesias, Carnaúba. Cronista do jornal carioca O Dia desde sua fundação, onde assinava sob o pseudônimo de Dig, foi conselheiro de música popular brasileira do MIS, do Rio de Janeiro.

Publicou O Carnaval carioca através da música, 2 volumes, Rio de Janeiro, 1965; A modinha cearense, Rio de Janeiro, 1967; Nosso Sinhô do samba, Rio de Janeiro, 1968.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

quinta-feira, março 22, 2018

Mário de Andrade - Biografia

Mário de Andrade (Mário Raul de Morais Andrade). Poeta, escritor, musicólogo, folclorista, crítico, jornalista. São Paulo SP 9/10/1893—id. 25/2/1945. Filho de Carlos Augusto de Andrade e de Maria Luísa de Morais Andrade fez estudos secundários no Ginásio do Carmo, dos irmãos maristas, em São Paulo.

Em 1911, matriculou-se no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo nos cursos de música, piano e canto, diplomando-se em 1917. Publicou os primeiros ensaios de crítica de arte em jornais e revistas, e seu primeiro livro, Há uma gota de sangue em cada poema (São Paulo, 1917). Foi o início de uma atividade intelectual das mais vigorosas da história literária e artística do país.

Em 1922 tornou-se professor de história da música e de estética musical do conservatório onde se diplomara e publicou Paulicéia desvairada, obra pioneira da poesia modernista do Brasil. A crítica conservadora cobriu o livro e seu autor de insultos e ápodos, ressalvando-se, entretanto, os pronunciamentos de Amadeu Amaral e João Ribeiro, que demonstraram compreensão para o “movimento modernista” que se iniciava e que culminou com a realização da Semana de Arte Moderna, no Teatro Municipal, de São Paulo, em fevereiro de 1922, e da qual terá sido, possivelmente, a figura principal.

Em 1924 assumiu no conservatório a cátedra de história da música e de piano. Somente depois de ter publicado algumas Obras de literatura — poesia, prosa e crítica — voltou-se para a música, com uma série de Obras em que fixou as bases teóricas para a formação de uma consciência musical brasileira. Com o Ensaio sobre a música brasileira (São Paulo, 1928) esboçou os rumos para a sistematização dos estudos musicológicos no Brasil.

No ano seguinte publicou o Compêndio de história da música (São Paulo, 1929), depois reescrito e reintitulado Pequena história da música (São Paulo, 1942), e a seguir Modinhas imperiais (São Paulo, 1930), antologia de peças do século XIX, precedida de um prólogo e de notas bibliográficas em que aborda em profundidade a história da modinha brasileira de salão. Em Música, doce música (São Paulo, 1933) reuniu escritos, conferências e crítica.

Em 1935 foi nomeado pelo prefeito Fábio Prado para a direção do então criado Departamento de Cultura, da prefeitura de São Paulo. Teve nesse encargo a colaboração de Paulo Duarte, que o indicara ao prefeito. Criou os parques infantis, a Discoteca Pública Municipal, e, para incentivar o cultivo da música, empregou recursos oficiais na criação da Orquestra Sinfônica de São Paulo, do Quarteto Haydn (depois Quarteto Municipal), do Coral Paulistano e de um Coral Popular.

Desligou-se do Departamento de Cultura em 1936 e assumiu, no Rio de Janeiro, o Instituto de Artes, da Universidade do Distrito Federal, onde também passou a reger a cátedra de filosofia e história da arte. Desse ano é o ensaio A música e a canção populares no Brasil, editado pelo Serviço de Cooperação Intelectual do Ministério das Relações Exteriores, e depois incluído no volume VI das Obras completas.

Ainda em 1936 efetuou o tombamento dos monumentos históricos paulistas para o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que ajudara a projetar. Em 1937 fundou a Sociedade de Etnografia e Folclore de São Paulo e foi um dos organizadores do I Congresso da Língua Nacional Cantada, cujos trabalhos constam dos Anais publicados em 1938 pelo Departamento de Cultura da prefeitura de São Paulo.

Em 1939, com a extinção da Universidade do Distrito Federal, passou a trabalhar no Serviço (hoje Instituto) do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Elaborou, na época, o projeto de uma Enciclopédia Brasileira, nunca materializado.

Em 1940 o Instituto Brasil - Estados Unidos publicou sua conferência A expressão musical dos Estados Unidos, incluída no volume VII das Obras completas. Retornou a São Paulo em 1941, onde passou a ser assessor técnico da seção paulista do IPHAN e reassumiu a cátedra de história da música no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Nesse ano a Editora Guaíra, de Curitiba PR, lançou seu livro Música do Brasil, contendo estudos sobre história e folclore, incluídos nos volumes XI e XVIII das Obras completas.

Foi uma das inteligências mais construtivas do Brasil e sua obra atesta uma atividade intelectual e artística que se desdobram em setores dos mais variados aspectos, como a questão da língua nacional e os problemas fonéticos do canto erudito e da declamação lírica em vernáculo. Suas contribuições para o desenvolvimento da música no Brasil seriam depois enaltecidas por Camargo Guarnieri e Francisco Mignone, entre muitíssimos outros.

Influenciou por todo o país o trabalho de pesquisa do folclore musical, em particular o de Frutuoso Viana e o de Luciano Gallet (reuniu as pesquisas deste último em Estudos de folclore, Rio de Janeiro, 1934, para o qual escreveu um ensaio histórico e critico).

Em fevereiro de 1970 a Biblioteca Municipal Mário de Andrade dedicou-lhe número especial de seu Boletim bibliográfico, contendo, além de estudos, uma “Cronologia geral da obra de Mário de Andrade”. Inúmeros trabalhos e escritos seus publicados em revistas e jornais foram incorporados às suas Obras completas, cuja publicação, iniciada em 1944 pela Livraria Martins Editora, de São Paulo, compreende 20 volumes, dos quais os volumes XIII (Música de feitiçaria no Brasil, 1963) e XVIII (Danças dramáticas do Brasil, 3 tomos, 1959) foram organizados por Oneyda Alvarenga (sistematização geral, introdução e notas).

Dos demais volumes relacionados com música e folclore brasileiros citem-se: VI — Ensaio sobre a música brasileira (Ensaio sobre a música brasileira; A música e a canção populares no Brasil), 1962; VII — Música, doce música (Música doce música; A expressão musical nos Estados Unidos), organizado por Oneyda Alvarenga, 1963; VII — Pequena história da música, 1942; IX — Namoros com a medicina (Terapêutica musical; Medicina dos excretos), s.d.; XI — Aspectos da música brasileira (Evolução social da música no Brasil; Os compositores e a língua nacional; A pronúncia cantada e o problema nasal brasileiro através dos discos; O samba rural paulista; Cultura musical), 1965; XVI — Padre Jesuíno do Monte Carmelo, 1963; Modinhas imperiais, 1964.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

sábado, julho 02, 2011

José Ramos Tinhorão

José Ramos Tinhorão, jornalista, crítico musical e historiador, nasceu em Santos, São Paulo, em 07/02/1928, e criou-se no bairro de Botafogo no Rio de Janeiro. Em 1968, mudou-se para a cidade de São Paulo, onde reside até hoje.

É autor de uma extensa e diversificada obra sobre temas relacionados à música brasileira, especialidade em que se consagrou, tendo publicado até o momento 26 livros, além de artigos e ensaios em coletâneas, jornais e revistas do Brasil e do exterior.

Estudante da primeira turma de Jornalismo do país, colaborava desde o primeiro ano, 1951, como repórter free-lance da revista A Semana (Rio de Janeiro) e da Guaíra (Curitiba).

Em 1953, ingressou como jornalista profissional no extinto Diário Carioca. Cinco anos depois, passou para o Jornal do Brasil, onde acumulou as funções de redator e colaborador dos suplementos “Estudos Brasileiros” e “Caderno B”. Trabalhou também para os jornais Correio da Manhã, Jornal dos Sports, Última Hora e O Jornal; revistas Singra, o Cruzeiro, Veja e Nova; e televisões Excelsior, Globo, TVE (RJ) e Cultura (SP). Colaborou ainda com O Pasquim e as revistas Senhor, Visão e Seleções, entre outras.

Seus dois primeiros livros – A província e o naturalismo (Rio de Janeiro, 1966) e Música popular (São Paulo, 1966) – reuniram ensaios produzidos para o Jornal do Brasil. A partir da década de 1980 se distanciou gradualmente da imprensa onde ganhara notoriedade e recebeu o epíteto de “temido crítico musical”.

Passa a dedicar-se em profundidade à pesquisa histórica, desenvolvendo assim uma extensa obra. Publicou estudos sobre os sons dos negros no Brasil e em Portugal, romances em folhetins, imprensa carnavalesca, festas no Brasil colonial, além de muitas obras sobre a música popular. Continua sua produção até os dias de hoje – sua obra Festa de negro em devoção de branco: do carnaval na procissão ao teatro no círio está no prelo em Portugal.

O acervo Tinhorão nasceu da necessidade do estudioso de compreender melhor a música popular produzida no Brasil. O material que o compõe compreende, de fato, a soma de uma variedade de coleções envolvendo concentração de informações de interesse para o estudo da cultura urbana brasileira, em geral, e da história do fenômeno da música popular, em particular. Além dos discos, há fotos, filmes, scripts de rádio, programas de cinema e teatro, cartazes, jornais, revistas, rolos de pianola, folhetos de cordel, press releases de gravadoras e uma biblioteca especializada em obras sobre música.

Tinhorão colecionou também obras de ficção, crônicas e memórias, que o ajudaram a entender a cultura popular urbana, além de 11 coleções de suplementos literários de jornais do Rio de Janeiro e São Paulo, publicados a partir da década de 1940. Registrou, ainda, fitas com depoimentos de personalidades, gravações de palestras e programas de televisão de que participou.

A discoteca do acervo Tinhorão, que foi incorporado pelo Instituto Moreira Salles em meados de 2001, é formada por cerca de 6,5 mil discos de 76 e 78 rpm (gravados e lançados no mercado fonográfico entre 1902 e 1964) e 6 mil discos de 33 rpm (vendidos entre 1955 e meados da década de 1990), conhecidos como long-plays.

Dos mais antigos sambas (anteriores ao célebre Pelo Telefone, de 1917) à chamada “era dos festivais”, na década de 1960, em que pontificavam talentos como Caetano Veloso, Chico Buarque e Milton Nascimento, passando pela grande música instrumental produzida no Brasil a partir da década de 1970, todos os ciclos e movimentos da música popular brasileira podem ser encontrados nesse conjunto.

O amado e odiado pesquisador

Tinhorão poderia ser chamado de "o boca maldita" do século XX. Amado e odiado na mesma intensidade, o crítico musical ganhou fama, principalmente, por atacar figuras do cenário brasileiro, como Tom Jobim e Chico Buarque e ser implacável com a bossa nova. Chegou mesmo a escrever que Águas de Março, de Jobim, não passaria de mero plágio. Mesmo despertando sentimentos apaixonados, Tinhorão, certamente, é um dos grandes nomes da crítica musical brasileira.

Começou no Jornalismo em 1951, vendendo reportagens para a Revista da Semana (RJ) e para a Revista Guaíra de Curitiba (PR). No ano de 1959, entrou no Jornal do Brasil, onde atuou como redator e colaborador dos 'Cadernos de Estudos Brasileiros' e 'Caderno B'. Ao assumir uma coluna controversa no jornal, entre os anos de 1975 a 1980, comprou briga com grandes nomes da MPB, chamando, por exemplo, de "boi com abóbora" um samba de Chico Buarque ou batendo boca com Paulinho da Viola.

Seu primeiro livro sobre a história da música popular brasileira foi escrito em 1966, 'Música Popular: um tema em debate'. Ao todo, sua obra já chega a mais de 20 publicações.

Acervo histórico

Tinhorão sempre foi um pesquisador das raízes da música brasileira. Aventureiro de sebos, bibliotecas e arquivos empoeirados do Brasil e de Portugal, tornou-se dono de 7 mil discos, 6 mil livros e mais uma grande quantidade de revistas, fotos e fitas.

O jornalista viveu muitos anos disputando espaço com todo seu material em apenas 31 metros quadrados de um apartamento no centro de São Paulo. Disposto a vender sua obra, não conseguia encontrar compradores que se interessassem e chegou a pensar em vender as relíquias na rua.

A salvação para todo esse material histórico, importante no retrato da música brasileira, foi o interesse do Instituto Moreira Salles. Com um projeto de digitalizar e disponibilizar a todos os interessados músicas, livros e fotografias da história brasileira, o instituto comprou o acervo de Tinhorão. Agora, quem quiser conferir pode acessar o site do IMS e navegar nos raros acervos disponíveis pelos instituto. São cerca de 13 mil músicas brasileiras gravadas originalmente em discos de vinil de 78 rotações por minuto.

Parabéns ao historiador Tinhorão. Muitas informações sobre música aqui, é o trabalho valioso dele e do Senhor Jairo Severiano, outro grande escritor.  

Fontes: Wikipédia; Revista época; Instituto Moreira Salles.

segunda-feira, maio 02, 2011

Murici Andrade

Murici Andrade (José Cândido de Andrade Murici), musicólogo, jornalista e professor, nasceu em Curitiba PR, em 4/2/1895, e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 9/6/1984. Iniciou estudos de piano com Marieta Beltrão, em 1911, escrevendo também seus primeiros trabalhos literários para a revista O Fanal.

Em 1913 publicou sua primeira obra, o conto Sonata pagã. Em 1914 e 1915 participou das manifestações literomusicais Horas de Arte, época em que estudou piano com Hugo Antônio de Barros e piano e harmonia com Leo Kessler.

Em 1916 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se dedicou ao jornalismo e à crítica literária. Em 1919 formou-se em direito pela Faculdade de Ciências Juridicas e Sociais do Rio de Janeiro.

De 1923 a 1925 morou na Suíça. Retornando ao Brasil, retomou seus estudos de piano com Luciano Gallet e depois com Tomás Terán e Arnaldo Estrela, no Rio de Janeiro. Em 1926 publicou o romance Festa inquieta e foi nomeado para a secretaria da Corte de Apelação, do Rio de Janeiro. Em 1927 fundou, com outros, a revista Festa, que também dirigiu. 

Em 1935 deu cursos de extensão universitária no I.N.M. e na Associação dos Artistas Brasileiros. Em 1942 foi transferido para o Ministério da Educação e Saúde, atuai Ministério da Educação e Cultura, como professor de estética musical e história da música, no Conservatório Nacional de Canto Orfeônico. Foi membro-fundador da Academia Brasileira de Música e seu secretário-geral em 1945. 

Publicou Caminho da música (1a. série, Curitiba, 1946; 2a. série, Curitiba, 1951). Membro da comissão artística e cultural do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, foi eleito seu diretor em 1952. Nesse ano publicou Panorama do movimento simbolista brasileiro, 3 volumes, Rio de Janeiro (2a. ed., 2 volumes, Rio de Janeiro, 1973). Escreveu ainda Villa-Lobos — uma interpretação, Rio de Janeiro, 1961. 

Em 1965 recebeu a medalha de mérito Carlos Gomes, do governo do antigo Estado da Guanabara. Em 1973 recebeu a medalha cultural Silvio Fróis, do Instituto de Música da Universidade Católica de Salvador BA, lançando no mesmo ano o estudo biobibliográfico Cruz e Sousa. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art EditorA.

domingo, abril 03, 2011

Jairo Severiano

Jairo Severiano
Jairo Severiano, pesquisador, historiador, musicólogo e produtor, nasceu em Fortaleza, CE, em 20/1/1927. Depois de viver a infância e a adolescência nas cidades de Fortaleza e Recife PE, mudou-se em 1950 para o Rio de Janeiro RJ, onde iniciou carreira de escriturário no Banco de Brasil.

Interessado desde criança em música popular, começou em 1968 o levantamento da díscografia brasileira. Em 1973, juntou seu trabalho ao dos pesquisadores Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez), Grácio Barbalho e Alcino Santos, que realizavam levantamento idêntico.

Patrocinada pelo M.E.C. a partir de 1976, a pesquisa foi concluída em 1979, sendo editada pela Funarte em 1982 com o título de Discografia brasileira 78 rpm — 1902-1964 (5 volumes). A pedido da FGV, escreveu a monografia Getúlio Vargas e a música popular, publicada em 1983. Em seguida, escreveu a biografia do compositor João de Barro (Braguinha), publicada pela Funarte em 1987 com o título de Yes, nós temos Braguinha

Na década de 1980, produziu álbuns fonográficos de sentido cultural, entre os quais se destacam a série Revolução de 30, Revolução de 32 e O Ciclo Vargas, para a Fundação Roberto Marinho, Nosso Sinhô do Samba, Araci Cortes, Orlando Silva e Yes, nós temos Braguinha, para a Funarte, Native Brazilian Music, para o Museu Villa-Lobos, e os LPs duplos com Dorival Caymmi (1985) e Antônio Carlos Jobim (1987), reeditados em CDs com os títulos de Caymmi inédito e Tom Jobim inédito

Paralelamente, dedicou-se à coordenação do projeto de catalogação e informatização do Acervo Mozart de Araújo, para o Centro Cultural Banco do Brasil (1991), e do projeto Memória Musical Carioca, para o Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro (1982-1985), este juntamente com o pesquisador Paulo Tapajós. 

Realizou ainda palestras em universidades do Rio de Janeiro e de outros Estados e cursos em entidades como a Fundação Casa de Rui Barbosa. 

Em dezembro de 1997, lançou o volume I (1901-1957) da obra A canção no tempo — 85 anos de música brasileira, realizada em parceria com o pesquisador Zuza Homem de Melo.

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira  - Art Editora.

domingo, dezembro 12, 2010

Carlos de Campos

Carlos de Campos
Carlos de Campos, compositor e musicólogo, nasceu em Campinas, SP, em 6/8/1866, e faleceu em São Paulo, SP, em 27/4/1927. Formado pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1887, exerceu a profissão de advogado em Amparo SP.

Foi deputado estadual, deputado federal, secretário da Justiça e governador de São Paulo, de 1924 a 1927, cargo no qual veio a falecer.

Por um curto período estudou com os maestros Carlos Gomes e Luís Provesi. Foi diretor do jornal Correio Paulistano

Compôs as óperas A bela adormecida, em um prólogo, um intermezzo e dois atos (com libreto de João Kopke e orquestração de Luís Provesi), estreada em São Paulo, no Teatro Municipal, a 28 de abril de 1924, e levada no Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, a 8 e 16 de novembro de 1924; e Um caso singular, em três atos (com libreto de Pedro Augusto Gomas Cardim), estreada em São Paulo, no Teatro Municipal, em agosto de 1926, e levada no Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, a 30 de julho e 5 de agosto de 1926.

Obra 

Música dramática: A bela adormecida, ópera, 1924; Um caso singular, ópera, 1926. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

sábado, outubro 09, 2010

Mozart de Araújo

Mozart de Araújo
Mozart de Araújo (José Mozart de Araújo), musicólogo, professor e historiador, nasceu em Campo Grande CE (25/1/1904) e faleceu no Rio de Janeiro RJ (23/06/1988). Chegou ao Rio de Janeiro em 1928 para cursar medicina.

Freqüentando o meio artístico, começou a pesquisar e analisar documentos sobre a música no Brasil, reunindo grande coleção de manuscritos e edições raras desde o período colonial.

Ocupou inúmeros cargos públicos relativos à música, entre os quais os de vice-presidente da Orquestra Sinfônica Brasileira, presidente do Clube do Choro, membro da Academia Brasileira de Música, vice-presidente do Conselho de Música Popular do Museu da Imagem e do Som, do Rio de Janeiro. No Conselho Federal de Cultura, dirigiu a Revista Brasileira de Cultura.

Publicou A modinha e o lundu no século XVIII, São Paulo, 1964. Foi colaborador (modinha, lundu, choro e chorões, pianeiros, maxixe) da Enciclopédia da Música Brasileira (São Paulo, Art Editora, 1977). Foi responsável por textos do encarte, selecão do repertório, arranjadores e indicacão de intérpretes dos álbuns Chorada, chorões, chorinhos (1976) e A modinha, da série Cantares Brasileiros (1977), oferecidos como brindes de Natal pela Companhia Internacional de Seguros.

Após sua morte, foi publicado o livro Rapsódia brasileira, Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza, 1994, coleção de textos publicados na imprensa.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

domingo, janeiro 13, 2008

Edigar de Alencar

Edigar de Alencar, musicólogo, jornalista, poeta e teatrólogo. Nasceu em 06/11/1901 na cidade de Fortaleza-CE e faleceu no Rio de Janeiro-RJ em 24/04/1993.

Foi para o Rio de Janeiro em 1926, dedicando-se ao comércio.

Escreveu a revista Doce de coco, estrelada por Alda Garrido, no Teatro São José, e foi crítico de teatro, chegando a presidir o Ciclo Independente dos Críticos Teatrais.

Em 1932 publicou seu primeiro livro de poesias, Carnaúba. Cronista do jornal carioca O Dia desde sua fundação, onde assinava sob o pseudônimo de Dig, foi conselheiro de música popular brasileira do MIS, do Rio de Janeiro.

Publicou O Carnaval carioca através da música, 2 volumes, Rio de Janeiro, 1965; A modinha cearense, Rio de Janeiro, 1967; Nosso Sinhô do samba, Rio de Janeiro, 1968.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

sábado, novembro 24, 2007

Jota Efegê

Jota Efegê (João Ferreira Gomes), jornalista, pesquisador, cronista, musicólogo e escritor, nasceu no Rio de Janeiro-RJ em 27/1/1902, e faleceu na mesma cidade em 25/5/1987.

Entre 1919 e 1920, escreveu para o Jornal das Moças. Por essa mesma época, colaborou com o jornal Idéia Nacional que, entre seus redatores, contava com Carlos Maul. Em 1928, ingressou no jornal carioca Diário da Noite, passando a auxiliar Eustórgio Wanderley, fazendo crônicas carnavalescas.

A partir de 1930, trabalhou no Diário Carioca, aí permanecendo até 1960, quando se aposentou. Paralelamente, colaborou nas revistas Carioca, Noite Ilustrada e no terceiro caderno de O Jornal. Em 1931 publicou O Cabrocha, livro de crônicas e reportagens sobre as gafieiras cariocas.

Depois de alguns anos de aposentadoria, voltou a atuar na imprensa carioca, como colaborador do Jornal do Brasil (1964-1967) e depois em O Globo.

A partir da década de 1960, tornou-se historiador de nossa música popular, publicando os livros Ameno Resedá, o rancho que foi escola, Rio de Janeiro, 1965; Maxixe — a dança excomungada, Rio de Janeiro, 1974; Figuras e coisas da música popular brasileira — vol. 1, Rio de Janeiro, 1978, e vol. 2, Rio de Janeiro, 1980; Figuras e coisas do Carnaval carioca, Rio de Janeiro, 1982; e Meninos, eu vi, Rio de Janeiro, 1985, sendo os quatro últimos coletâneas de trabalhos publicados em jornais.

Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

domingo, julho 08, 2007

Mário de Andrade

Mário de Andrade (Mário Raul de Morais Andrade). Poeta, escritor, musicólogo, folclorista, crítico, jornalista. São Paulo SP 9/10/1893—id. 25/2/1945. Filho de Carlos Augusto de Andrade e de Maria Luísa de Morais Andrade fez estudos secundários no Ginásio do Carmo, dos irmãos maristas, em São Paulo.

Em 1911, matriculou-se no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo nos cursos de música, piano e canto, diplomando-se em 1917. Publicou os primeiros ensaios de crítica de arte em jornais e revistas, e seu primeiro livro, Há uma gota de sangue em cada poema (São Paulo, 1917). Foi o início de uma atividade intelectual das mais vigorosas da história literária e artística do país.

Em 1922 tornou-se professor de história da música e de estética musical do conservatório onde se diplomara e publicou Paulicéia desvairada, obra pioneira da poesia modernista do Brasil. A crítica conservadora cobriu o livro e seu autor de insultos e ápodos, ressalvando-se, entretanto, os pronunciamentos de Amadeu Amaral e João Ribeiro, que demonstraram compreensão para o “movimento modernista” que se iniciava e que culminou com a realização da Semana de Arte Moderna, no Teatro Municipal, de São Paulo, em fevereiro de 1922, e da qual terá sido, possivelmente, a figura principal.

Em 1924 assumiu no conservatório a cátedra de história da música e de piano. Somente depois de ter publicado algumas Obras de literatura — poesia, prosa e crítica — voltou-se para a música, com uma série de Obras em que fixou as bases teóricas para a formação de uma consciência musical brasileira. Com o Ensaio sobre a música brasileira (São Paulo, 1928) esboçou os rumos para a sistematização dos estudos musicológicos no Brasil.

No ano seguinte publicou o Compêndio de história da música (São Paulo, 1929), depois reescrito e reintitulado Pequena história da música (São Paulo, 1942), e a seguir Modinhas imperiais (São Paulo, 1930), antologia de peças do século XIX, precedida de um prólogo e de notas bibliográficas em que aborda em profundidade a história da modinha brasileira de salão. Em Música, doce música (São Paulo, 1933) reuniu escritos, conferências e crítica.

Em 1935 foi nomeado pelo prefeito Fábio Prado para a direção do então criado Departamento de Cultura, da prefeitura de São Paulo. Teve nesse encargo a colaboração de Paulo Duarte, que o indicara ao prefeito. Criou os parques infantis, a Discoteca Pública Municipal, e, para incentivar o cultivo da música, empregou recursos oficiais na criação da Orquestra Sinfônica de São Paulo, do Quarteto Haydn (depois Quarteto Municipal), do Coral Paulistano e de um Coral Popular.

Desligou-se do Departamento de Cultura em 1936 e assumiu, no Rio de Janeiro, o Instituto de Artes, da Universidade do Distrito Federal, onde também passou a reger a cátedra de filosofia e história da arte. Desse ano é o ensaio A música e a canção populares no Brasil, editado pelo Serviço de Cooperação Intelectual do Ministério das Relações Exteriores, e depois incluído no volume VI das Obras completas.

Ainda em 1936 efetuou o tombamento dos monumentos históricos paulistas para o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que ajudara a projetar. Em 1937 fundou a Sociedade de Etnografia e Folclore de São Paulo e foi um dos organizadores do I Congresso da Língua Nacional Cantada, cujos trabalhos constam dos Anais publicados em 1938 pelo Departamento de Cultura da prefeitura de São Paulo.

Em 1939, com a extinção da Universidade do Distrito Federal, passou a trabalhar no Serviço (hoje Instituto) do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Elaborou, na época, o projeto de uma Enciclopédia Brasileira, nunca materializado.

Em 1940 o Instituto Brasil - Estados Unidos publicou sua conferência A expressão musical dos Estados Unidos, incluída no volume VII das Obras completas. Retornou a São Paulo em 1941, onde passou a ser assessor técnico da seção paulista do IPHAN e reassumiu a cátedra de história da música no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Nesse ano a Editora Guaíra, de Curitiba PR, lançou seu livro Música do Brasil, contendo estudos sobre história e folclore, incluídos nos volumes XI e XVIII das Obras completas.

Foi uma das inteligências mais construtivas do Brasil e sua obra atesta uma atividade intelectual e artística que se desdobram em setores dos mais variados aspectos, como a questão da língua nacional e os problemas fonéticos do canto erudito e da declamação lírica em vernáculo. Suas contribuições para o desenvolvimento da música no Brasil seriam depois enaltecidas por Camargo Guarnieri e Francisco Mignone, entre muitíssimos outros.

Influenciou por todo o país o trabalho de pesquisa do folclore musical, em particular o de Frutuoso Viana e o de Luciano Gallet (reuniu as pesquisas deste último em Estudos de folclore, Rio de Janeiro, 1934, para o qual escreveu um ensaio histórico e critico).

Em fevereiro de 1970 a Biblioteca Municipal Mário de Andrade dedicou-lhe número especial de seu Boletim bibliográfico, contendo, além de estudos, uma “Cronologia geral da obra de Mário de Andrade”. Inúmeros trabalhos e escritos seus publicados em revistas e jornais foram incorporados às suas Obras completas, cuja publicação, iniciada em 1944 pela Livraria Martins Editora, de São Paulo, compreende 20 volumes, dos quais os volumes XIII (Música de feitiçaria no Brasil, 1963) e XVIII (Danças dramáticas do Brasil, 3 tomos, 1959) foram organizados por Oneyda Alvarenga (sistematização geral, introdução e notas).

Dos demais volumes relacionados com música e folclore brasileiros citem-se: VI — Ensaio sobre a música brasileira (Ensaio sobre a música brasileira; A música e a canção populares no Brasil), 1962; VII — Música, doce música (Música doce música; A expressão musical nos Estados Unidos), organizado por Oneyda Alvarenga, 1963; VII — Pequena história da música, 1942; IX — Namoros com a medicina (Terapêutica musical; Medicina dos excretos), s.d.; XI — Aspectos da música brasileira (Evolução social da música no Brasil; Os compositores e a língua nacional; A pronúncia cantada e o problema nasal brasileiro através dos discos; O samba rural paulista; Cultura musical), 1965; XVI — Padre Jesuíno do Monte Carmelo, 1963; Modinhas imperiais, 1964.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Sílvio Salema

O cantor e musicólogo Sílvio Salema (Sílvio Salema Garção Ribeiro), nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 30/10/1901 e faleceu na mesma cidade em 29/10/1976. Iniciou carreira como cantor em 1928, gravando na Parlophon a canção Benzinho do coração (Ari Kerner), e o tango Quando me beijas (Pedro Cabral), além do fado-tango Guitarrada (Eduardo Souto).

No ano seguinte gravou na Parlophon o tango Por um beijo do tempo (Pedro Cabral), a valsa Olhar de fogo (Plínio Brito), Modinha brasileira (De Chocolat) e, na Victor, o samba Virou boba (Sinhô), a valsa-canção Voz solitária (João Martins), o samba Rosa, meu amor (Rogério Guimarães e Dudu Filho) e a toada Quando as frô pega nascê (Josué de Barros e Rogério Guimarães).

Em 1930 gravou, na Victor, a marcha Eu sou é ulio (Freitinhas) e a valsa Inconstante (Edmundo Henriques). Gravou, em 1932, Onde está o meu amor (Capiba e J. Coelho Filho) e Valsa verde (Capiba e Ferreira dos Santos).

Dedicado à música brasileira nos aspectos popular, coral e sobretudo folclórico, tornou-se estudioso e pesquisador, chegando a escrever uma tese sobre a origem do samba, arquivada na Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro.

Destacou-se também como professor, ensaiador e regente de canto orfeônico, tendo ao lado de Heitor Villa-Lobos incentivado o canto orfeônico escolar. Foi também autor de canções escolares como Carneirinho de algodão (com Villa-Lobos) e Soldadinhos (com Narbal Fontes).


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.