segunda-feira, agosto 20, 2012

Rogério Duarte

Rogério Duarte, artista gráfico, músico, compositor, poeta, tradutor e professor, nasceu em Ubaíra, interior da Bahia, em 10 de abril de 1939. No início dos anos 1960, ele, sobrinho do sociólogo Anísio Teixeira, foi enviado ao Rio de Janeiro para estudar arte industrial, tendo sido aluno de Max Bense (fundador de uma nova estética, de base semiótica e teórico-informacional).

    “a cultura, a civilização
    só me interessam enquanto
    sirvam de alimento,
    enquanto sarro,
    prato suculento, dica, pala,
    informação
” (Gilberto Gil e Rogério Duarte)

Mais tarde, já trabalhando como designer, criou – entre muitos outros – os cartazes dos filmes "Deus e o Diabo na Terra do Sol" e "Idade da Terra", do diretor Glauber Rocha, de quem era amigo. Participou do  Tropicalismo como mentor intelectual, criador das capas dos principais discos do movimento e como co-autor de algumas músicas com Gilberto Gil e com Caetano Veloso. Produziu também capas de álbuns de outros grandes artistas da MPB, como Gal, João Gilberto e Jorge Ben.

Como compositor, fez a trilha de "Idade da Terra". Militante político de esquerda nos anos 60, quando foi preso e torturado, passando por hospícios, Rogério tornou-se hinduísta na década seguinte. Aprendeu sânscrito e traduziu o "Baghavad Gita" em versos.

A obra, intitulada "Canção do Divino Mestre", foi publicada em 1998, e teve como encarte um CD com musicalizações de trechos do livro, gravadas por vários artistas da MPB, entre eles Gil, Gal, Tom Zé, Chico César, Lenine, Arnaldo Antunes e Elba Ramalho.

Em 2003, foi publicado o livro "Tropicaos", com toda a obra escrita de Rogério. Seu papel como um dos grandes teóricos da história do design no Brasil foi então resgatado, dando novas dimensões históricas à sua figura. Nos últimos anos, Rogério esteve se dedicado às aulas universitárias, ao estudo aprofundado da música, e ao hinduísmo.

Fontes: Wikipédia; Tropicália (http://tropicalia.com.br).

Alberto Costa

Alberto Costa na foto: o primeiro à esquerda com seu violão
Alberto Costa, compositor e violonista, nasceu em Nova Friburgo, RJ, em 03/02/1886, e faleceu na cidade do Rio de Janeiro, RJ, em 1934.

Tornou-se conhecido nas décadas de 1920 e 1930, por seu parentesco com a cantora Bidu Sayão, que então se iniciava, e que interpretou muitas de suas canções.

Sua ópera em um ato "Sóror Madalena", com libreto do próprio autor e orquestração do maestro Luigi Ricci, foi apresentada duas vezes em 1926, no Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, estreando a 3 de agosto, numa promoção do empresário Walter Mocchi, marido de Bidu Saião. 

Fontes: Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora, 2000; Revivendo Músicas (www.revivendomusicas.com.br). 

quinta-feira, agosto 16, 2012

Turunas de Monte Alegre

Com Elizeth Cardoso (indicada pela seta) como porta-estandarte o bloco Turunas de Monte Alegre arrebatou seu primeiro campeonato em 1936 (Foto: Biblioteca Amadeu Amaral - FUNARTE).
“O hexacampeão Turunas deixou de ser rancho por não ter competidores”. Já que eles haviam escolhido o termo ‘turunas’ (brasileiríssimo sinônimo de forte, ou bamba) para designar a sua agremiação, precisavam honrar o título. Tinham que enfrentar os concorrentes com galhardia e em todos os prélios dos quais fossem participantes sair sempre vitoriosos ou, pelo menos, ficar entre os primeiros colocados. Se na lista dos julgamentos aparecessem nos últimos lugares, na ‘rabada’, estavam desmoralizados. Viriam as piadas, o deboche: “Que turunas são vocês?!”

Foi pois na compenetração do nome no adjetivo de seu batismo, que os carnavalescos, fundadores ou simples associados do grêmio carnavalesco Turunas de Monte Alegre, entraram na liça dos folguedos de Momo. Começaram como bloco e ‘paparam’ três campeonatos seguidos. Constituíram-se em rancho, modalidade de maiores exigências artísticas, e por seis vezes triunfaram em primeiro lugar sem ter quem os enfrentasse ou ameaçasse interromper a série de seus triunfos. Resolveram, então, tornar-se em ‘grande sociedade’ e desfilar com alegorias ao lado dos veteranos Tenentes, Democráticos e Fenianos numa competição mais difícil, menos ‘sopa’ que as travadas anteriormente.

Numa esquina, o nascimento


Os Turunas Engarrafados, um ‘sujo’ (grupo carnavalesco) formado pelos sócios do Boqueiro do Passeio e que marcou sua presença na folia de 1906, teve seu nascimento na garagem do próprio clube. Já os Turunas de Monte Alegre, hoje tricampeão dos blocos e hexacampeão dos ranchos, nasceram numa esquina, a da Rua André Cavalcante (ex-Silva Manoel) com a da Rua do Riachuelo. Depois, na casa do Jujuba (Milton Schleder), na Rua Monte Alegre, em 5 de dezembro de 1934, foi que se constituiu clube para participar da farra do Carnaval e competir, como bloco, com outros existentes na época. Iriam desfilar junto com o Eles te Dão, o Respeita as Caras, o De Língua Não se Vence, etc.

Na euforia da fundação, Ernesto, Afonso, Margarida, Fontela, Marçal e mais alguns presentes ao ato deliberaram o comparecimento do clube, apenas como simples bloco, num banho à fantasia a ser realizado no Flamengo. A presença do já denominado Turunas de Monte Alegre, embora sem caráter oficial e não visando a alcançar prêmio algum dos vários a serem distribuídos, resultou, no entanto em vitoriosa estréia. A rapaziada fazia sua primeira saída pré-carnavalesca somente para ‘dar uma pala’ de sua fibra foliônica e, de volta, passando pela esquina onde se reunia, exibia o troféu conquistado. Era o prêmio do primeiro lugar obtido e também sua primeira vitória.

“É chato ganhar sempre”


Animados com o êxito da despretensiosa amostra que fizeram, os Turunas, em 1935, reunindo cerca de setenta figuras e subordinados ao enredo ‘Tribo dos amores’, realizaram sua primeira passeata no Carnaval. Antonio Silva (Galo Cego), o presidente, no inscreveu o clube em competições. Era uma passeata sem compromisso, com o fito único de recreação. No ano seguinte, porém, o Turunas de Monte Alegre aderia ao ‘Dia dos Blocos’, promoção do Correio da Noite, e arrancava o campeonato sobrepujando coirmãos mais antigos e que prometiam ‘abafar’ o novato. Igual proeza levou a efeito em 1936, 37 e 38 participando do mesmo certame e logrando, por isso, o honroso título de tricampeão dos blocos.

Sentindo que não teria dificuldade de suplantar nos anos subseqüentes os possíveis adversários, os turunas renunciaram à condição de bloco. Passaram a ter a constituição de rancho e alinhavam-se entre os conjuntos dessa categoria. Começavam portanto desde 1939 a entrar em cotejo com agremiações que seguiam a tradição dos famosos Ameno Resedá, Flor do Abacate, Caprichosos da Estopa etc., sem ter medo disso, ‘foram pra cabeça’.

Com Elizete Cardoso como porta-estandarte (depois de vencida a resistência de seus pais) e o Duque, garboso, de mestre-sala, o Turunas de Monte Alegre alcançava o primeiro lugar na disputa cujo patrocinador era o Jornal do Brasil.

Em 1940 merecia novamente a láurea de campeão, que também lhe foi outorgada em 41 e 42, assim como em 47 e 48, após a interrupção de 43 a 46 causada pela guerra mundial. Consagravam-se os turunas como hexacampeões dos ranchos, depois de terem sido tricampeões dos blocos. Podiam, assim, exclamar enfastiados: “é chato ganhar sempre!”

A cavalo e com alegorias

Imitando o célebre espanhol que buscava valientes para pelear com ele, o Turunas de Monte Alegre, aureolado por tantos campeonatos e desejando ter nos prélios do reinado de Momo novas emoções, buscou outra modalidade.

Em 1950 filiava-se à Federação dos Grandes Clubes Carnavalescos e na noite de terça-feira, fechando o tríduo álacre da maior festa carioca, entrava na Avenida Rio Branco para seu primeiro desfile com alegorias. A frente, formando a guarda de honra que abria o préstito, os turunas montando bonitos cavalos viam-se aplaudidos pelo povo e reverentes chapeau bas (usando-se o francesismo carnavalesco) agradeciam. Acompanhando-os as moças que vinham no alto dos carros alegóricos também retribuíam a acolhida do público e jogavam-lhe beijos aos punhados.

Como estava previsto, participando de uma competição onde além dos centenários Fenianos, Democráticos e Tenentes, havia o Pierrôs da Caverna, a Embaixada do Sossego e outros antigos — coirmãos, a parada seria difícil. Era o ‘benjamim’ das grandes sociedades, e embora apresentando vistosas alegorias concebidas pelo experimentado Rainha (Antonio Setta), conquistou apenas o longínquo sexto lugar na classificação encabeçada pelos Tenentes. Longe, porém, de o intimidar, esse revés levou o clube Turunas de Monte Alegre a envidar esforços. E pondo sua gente em brio nos anos de 1953 e 57 assegurava para suas cores o vice-campeonato das grandes sociedades.

Encontrando finalmente competidores que não lhe têm permitido reeditar a seqüência de campeonatos que alcançaram como bloco e rancho, os turunas, mesmo assim, estão sempre no páreo, lutam por novas vitórias. O clube que ‘teve seu começo’ na esquina da Rua André Cavalcante com a Rua Riachuelo procura tenazmente não desmoralizar o termo de seu título.

(O Jornal, 14/02/65)

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Fonte: Figuras e Coisas do Carnaval Carioca / Jota Efegê: apresentação de Artur da Távola. —2. ed. — Rio de Janeiro: Funarte, 2007. 326p. :il.