segunda-feira, setembro 16, 2013

Sapo Cururu

"Os ritmos vão criando paisagens e, enquanto o ouvido se perde no curso livre da onda lírica, o olhar se enriquece do panorama local que vai se levantando pela força da persuasão melódica. Assim, a música de Hekel Tavares não enche somente nossos ouvidos de acordes agradáveis: também nos enche os olhos de imagens deliciosas...

E do seu conjunto vem, naturalmente, essa ideia de mata soturna, em que o sol não consegue penetrar, dourando apenas o cimo das árvores. Isso pela predominância da misteriosa tristeza dos motivos agrestes, que formam a estrutura da ceração sonora de Hekel, por onde passa, de vez em quando, bem de leve e no alto, um frêmito de alegria doida e clara, como na página festiva de D. Domitília.

Mas, já em Mamãe preta geme toda a escravidão com o trabalho sem fim dos dias escuros e com a vistosa aristocracia dos "sinhôs-moços", a quem, por desvio da maternidade submissa, as negras entregam toda a sua ternura deslumbrada. E em Sapo Cururu esboçam as gordas lagoas noturnas dentro do deserto verdejante, cortado de gritos indecifráveis, e de onde de levantam, com a cumplicidade dos luares solenes, assombrações e arrepios..." (Chronica Social - Correio Paulistano)

Sapo cururu (acalanto, 1929) - Hekel Tavares e letra de Olegário Mariano - Intérprete: Francisco Alves - Disco selo Odeon, 1929 - Gênero musical: canção / acalanto - Nº Álbum 10365 - Data de lançamento: 1929 - Lado A.



"Sapo Cururu
Na beira do rio
Quando o sapo canta, maninha
Diz que está com frio..."

Na casa grande do engenho
Preta véia tá cantando
Prá sinhozinho drumi
Sarta o bacurao na estrada
E a lua entra na ginela
Parece que vem ouvi.

Preta véia então se alembra
Da vida que ali viveu
Deu o peito a Sinhô-Moço
E na rede de seus braço
Seu Sinhô-Moço cresceu.

Hoje cria Sinhozinho
Branquinho que nem jasmim
Tem sempre os óinho aberto
Só drome quando se canta
Preta véia canta assim:

Sapo Cururu
Na beira do rio
Quando o sapo canta, maninha
Cururu tem frio...

Na casa grande de engenho
Preta véia tá cantando
Pra Sinhozinho drumi...


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Fonte: Música Popular Brasileira - Mariza - Jornal do Brasil, de 24/01/1937; Correio Paulistano de 17/04/1928.

domingo, setembro 15, 2013

Morro

Morro (samba, 1944) - Dunga (Waldemar de Abreu) e Mário Rossi - Interpretação: Trio de Ouro

Disco 78 rpm / Título da música: Morro / Dunga (Compositor) / Mário Rossi (Compositor) / Trio de Ouro (Intérprete) / Dalva de Oliveira (Intérprete) / Herivelto Martins (Intérprete) / Nilo Chagas (Intérprete) / Claudionor Cruz e Seu Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 26/09/1944 / Lançamento: 11/1944 / Nº do Álbum: 12511 / Nº da Matriz: 7666 / Gênero musical: Samba / Coleções de origem: Nirez

Tom: C  

(intro) Amaj7

Amaj7  A6   F#7
Mor  - ro,
                        Bm7(9)  Bm7
És o primeiro a dar bom di -     a
           E7           Bm7   E7
Ao sol que nasce no horizon - te
    Amaj7/C#   Cdim7    Bm7   E7
Depois da lua cheia desmaiar

 Bm7      F#7
Morro,
                   Bm7(9) Bm7
És o primeiro que rece   - be
         E7           Bm7   E7
O bom da noite das estre - las
           Amaj7       Bbmaj7  Amaj7  Bm7 E7(b9)
Que gostam tanto de te ouvir cantar.

Amaj7  A6   F#7
Mor  - ro,
                        Bm7(9)  Bm7
És o primeiro a dar bom di -     a
           E7           Bm7   E7
Ao sol que nasce no horizon - te
    Amaj7/C#   Cdim7    Bm7   E7
Depois da lua cheia desmaiar

 Bm7      F#7
Morro,
                   Bm7(9) Bm7
És o primeiro que rece   - be
         E7           Bm7   E7
O bom da noite das estre - las
           Amaj7       Bbmaj7  Amaj7  Bm7 E7(b9)
Que gostam tanto de te ouvir cantar.

     Am6                      Bm7(b5)
Teu povo não tem luxo, nem vaidade,
   E7           Bm7(b5)  E7   Am7  Am6
Porém existe em cada     barracão
   Gm7/E    A7           Dm7
Ao lado da maior simplicidade
      B7                        E7    Bm7  E7
De um sonho, uma estrela e um violão,

Morro,
És o primeiro a dar bom dia
Ao sol que nasce no horizonte
Depois da lua cheia desmaiar

Morro,
És o primeiro que recebe
O bom da noite das estrelas
Que gostam tanto de te ouvir cantar.



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Comidas, meu Santo

Representação de "Comidas, meu Santo" no Teatro Recreio em 1925. Ao lado a atriz Margarida Max.

A expressão "comidas, meu santo" usada muito antes da década dos 1920, criticava e zombava de certos comportamentos do povo e dos políticos de outrora (imaginem dos políticos de hoje...). O Teatro de Revista não perdoava, mandava ver... era o espelho...

Comidas, meu santo!... (samba/carnaval, 1925) - Costinha e Alfredo Breda ("Samba carnavalesco, dedicado ao grupo das Sabinas do Clube dos Fenianos, música de J. Fonseca Costa, o Costinha, e letra de Alfredo Breda") - Da revista do mesmo nome de Marques Porto e Ary Pavão.

Disco selo: Odeon R / Título da música: Comidas, meu santo!... / J. Fonseca da Costa "Costinha" (Compositor) / Fernando (Intérprete) / Jazz Band Sul Americano Romeu Silva (Acomp.) / Coro (Acomp.) / Nº do Álbum: 122831 / Lançamento: 1925 / Gênero musical: Samba carnavalesco


Certa moça a "la garçonne"
       Ó lé lé
Que está estudando canto
Mas não larga o telephone
O que é?...

Côro:   Comidas meu Santo!...
        Comidas meu Santo!... 

Sei tambem de uma modista
        Ó lé lé
Que é mesmo um bello encanto
Porém vai muito ao dentista
O que é?...

Côro:   Comidas meu Santo!...
        Comidas meu Santo!...

Certa zinha já matrona
       Ó lé lé
E já posta para o canto
Anda sempre pela zona
O que é?...

Côro:   Comidas meu Santo!...
        Comidas meu Santo!...

Eu conheço certo zinho
      Ó lé lé
Anda muito pintadinho
O que é?...

Côro:   Comidas meu Santo!...
        Comidas meu Santo!...

Fontes: Gazeta de Notícias, de 14/02/1925; Revista O Malho, de 20/06/1925