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quarta-feira, fevereiro 07, 2018

Suíte dos pescadores - Dorival Caymmi


Suíte dos Pescadores (Canção da Partida, 1957) - Dorival Caymmi - Intérprete: Dorival Caymmi

LP Vinícius / Caymmi no Zum Zum / Título: História de Pescadores / Caymmi, Dorival, 1914-2008 (Compositor) / Caymmi, Dorival (Intérprete) / Quarteto em Cy (Intérprete) / Conjunto Oscar Castro Neves (Acompanhante) / Moraes, Vinícius (Vinheta) / Imprenta [S.l.]: Elenco, 1967 / Nº Álbum: ME-23 / Lado B / Faixa 1 / Gênero: Canção.


     Cm                Fm             Cm
Minha jangada vai sair pro mar  /  Vou trabalhar
          G7              Cm                        Gm    C7
Meu bem querer / Se Deus quiser quando eu voltar do mar
         Fm   Bb7      Cm      G7           Cm
Um peixe bom, eu vou trazer /   Meus companheiros
       C7     Fm                 Cm        G7     Cm  
Também vão voltar /  E a Deus do céu vamos agradecer

 C7      Fm     Bb7                       Eb7+
Adeus, adeus / Pescador não se esqueça de mim
     Cm                Fm         G7                      Cm
Vou rezar pra ter bom tempo, meu bem / Pra não ter tempo ruim
                Fm                G7            Cm
Vou fazer sua caminha macia  /  Perfumada de alecrim

 E                            A         B7
Pedro, Pedro, Pedro, Pedro /           Nino, Nino
               Dbm
Nino, Nino  / Zeca, Zeca, Zeca, Zeca
   Bm          E7
Cadê vocês, homens de Deus?
Eu bem disse a José, não vá José / Não vá José
     A                               E7
Meu Deus! / Com um tempo desses não se vai
Quem vai pro mar  /  Quem vai pro mar
     A     E
Não vem / Pedro, Pedro, Pedro, Pedro
Nino, Nino, Nino, Nino  / Zeca, Zeca, Zeca, Zeca

   C            G7                              C
É tão triste /  Ver partir alguém que a gente quer
     A7               Dm                  G7       C     Bb7
Com tanto amor / E suportar a agonia de esperar voltar
  Ebm7          Ab7     Ebm7       Ab7           C 
Viver olhando o céu e o mar / A incerteza, a tortura
                                         E
A gente fica só, tão só  / A gente fica só, tão só
G7           C
É triste superar
 C      Am      F           G 
Uma incelença entrou no paraíso – BIS
  F             Em    A7   Dm  G7   C
Adeus, irmão, adeus, até o dia de Juízo -  BIS 

quinta-feira, maio 23, 2013

Francisco Mário

Francisco Mário (Francisco Mário Figueiredo Souza), compositor, violonista e economista, nasceu em Belo Horizonte, MG, em 22/08/1948, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 14/3/1988. Membro de uma família ligada à cultura (era irmão do cartunista Henfil e do sociólogo Betinho), em que a apreciação e experimentação musical eram incentivadas desde a infância.

Dedicou-se à música depois de ter estudado economia, engenharia e de ter atuado como jornalista no jornal O Estado de S. Paulo e como crítico musical na revista Realidade. Estudou violão com o professor Henrique Pinto e criou o método de música em cores para crianças, aplicando técnicas dramáticas e músicas folclóricas brasileiras, sendo utilizado em várias escolas de São Paulo (para onde mudou-se em 1966) e em cursos para professores.

Em 1978 radicou-se no Rio de Janeiro, onde teve aulas de arranjo e teoria musical com Roberto Gnattali. Lançou o primeiro LP, "Terra", independente, em 1979, com participações de Joyce, Quarteto em Cy, Antônio Adolfo, Airton Barbosa, Chiquinho do Acordeom e outros.

Ativista desde os anos 60, quando participou de manifestações estudantis, engajou-se na luta pela produção fonográfica independente, ao lado de nomes como Antonio Adolfo, Danilo Caymmi e a dupla Luli e Lucina. Foi um dos artistas que mais lutaram contra o poder e o monopólio das grandes gravadoras, sendo um dos fundadores da Associação do Produtores Independentes de Discos e Fitas e autor do livro "Como Fazer um Disco Independente".

Lançou em 1980 "Revolta dos Palhaços", LP que se baseava no esquema alternativo de pré-vendas (era vendido antes mesmo de estar pronto, e o dinheiro era usado na produção). No ano seguinte, depois de uma bem-sucedida viagem ao México, onde apresentou-se no 5º Festival de Oposición, gravou ao lado de Francisco Julião o disco "Versos e Viola", vetado pela censura na época.

Em 1983 foi a vez do instrumental "Conversa de Cordas, Palhetas e Metais", disco instrumental que ganhou o Prêmio Chiquinha Gonzaga. Simultaneamente, publicou um livro de poemas, "Painel Brasileiro". Participou de festivais nos anos 80 e lançou "Pijama de Seda" (85), também instrumental, e "Retratos" (86), um passeio por diferentes ritmos brasileiros. No final de 1986 descobriu que contraíra o vírus da Aids em uma transfusão de sangue decorrente da hemofilia.

Em 1987 compôs, numa fazenda, seus últimos trabalhos, “Dança do Mar”, “Suíte Brasil” e “Tempo”. Com o agravamento da doença, diversos artistas realizaram no fim de 1987 um grande show no Rio de Janeiro em homenagem ao compositor. A iniciativa repetiu-se em janeiro de 1988 em Belo Horizonte, com participação de artistas mineiros.

O disco "Dança do Mar" foi lançado postumamente, em show com participação de Raphael Rabello, Mauro Senise, Galo Preto e outros. Parte de sua obra foi relançada em CD nos anos 90 nos Estados Unidos e no Brasil.

Obra

1964, 1968, Amanhecer, Bailarina (c/ Paulo Emílio), Balada negra, Bandeiras ao alto, Barroco Mineiro, Bateia, Bicho fantasiado, Bossa velha, Calmaria, Campesi, Cantiga de cego, Carro de boi, Chora palhaço, Chorinho interior, Choro em Bach, Choro Grave, Choro nacional, Choro novo, Clareira aberta (c/ Gianfrancesco Guarnieri), Coceirinha, Cromachoro, Cuba, Diretas, Domingo, Espanhola, Exílio, Faz que vai, Ginga, Guerra de Canudos, III Guerra, Inverno, Las locas, Malabarista da inflação (c/ Tárik de Souza), Manto, Maria Leal, Marionetes, Mistério, Moda do Tio Geraldo, O andaime, O homem mais forte do mundo, Os mágicos, Ouro Preto (c/ Fernando Rios), Outono, Pankararé, Pão e circo, Paraíso perdido, Passarinho preto, Pijama de seda, Primavera, Princípio real, Prisão, Pulsação, Quitute mineiro, Reses Tensa, Ressurreição, Revolta dos Palhaços, Roça, Samba latino, Saudade da terra, Saudade de meu pai, Saudade de mim, Se cobrir é circo, se cercar é hospício (c/ Paulo Emílio), Sobrevivendo, Sonho Nordestino, Souza, Tempestade, Terra, Terra queima, Triste São Paulo, Triviola, Valsa relativa, Veludo Azul (c/ Aldir Blanc), Venceremos, Verão, Vida nova, Violada.

Discografia
   
(1979) Terra • Libertas; (1980) Revolta dos palhaços • Libertas • LP; (1981) Versos e viola • Independente • LP; (1983) Conversa de cordas, couros, palhetas e metais • Libertas; (1985) Pijama de seda • Visom; (1986) Retratos • Libertas; (1988) Dança do Mar • Independente; (1992) Suíte Brasil • Libertas; (s/data) Marionetes Homenagem a Francisco Mário. Francisco Mário/Regina Spósito • Independente. 

Fonte: CliqueMusic.

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Mascarada

Zé Keti
Amores de carnaval sempre renderam boas histórias. E boas histórias podem render bons sambas quando os compositores são Zé Keti e Elton Medeiros. Foram esses dois cariocas que deram letra e música a uma "namorada" que Zé Keti encontrou em um carnaval, mas só foi ver seu rosto três anos depois. O resultado foi o samba "Mascarada", de música de Elton Medeiros e letra dos dois.

A história completa é a seguinte. Era dia de carnaval e Zé Keti, um cara muito boa praça, foi desfilar no Bloco das Piranhas. O esquema do bloco era simples e muitíssimo difundido no carnaval: homens que se vestiam de mulher.

Mas Zé Keti, que de acordo com Elton, era um sedutor, conseguiu descolar uma moça. Sim, uma moça que desfilava no Bloco das Piranhas. Não deu outra. Sumiu com ela durante todo o carnaval.

Ao voltar ao convívio social revelou que ela não tinha tirado a máscara nem por um segundo sequer.

O mistério continuou no ano seguinte. Zé já sabia onde encontrar a moça mascarada e ela lá estava. As noites de amor se repetiram e o segredo sobre a identidade da pequena também. Apenas no terceiro ano é que a mulher deixou que Zé Keti tirasse a máscara dela. Daí surgiu um dos maiores sucessos dos dois sambistas: Mascarada.

Tempos depois, Elton Medeiros se encontrou com Zé que estava acompanhado de "uma bonita senhora", como definiu Elton. Zé então revelou: "Elton, essa aqui que é a mascarada". Mesmo assim não deu muito tempo para que ele trocasse algumas frases com ela: "Ele não ficou com ela muito tempo do meu lado. Foi embora", contou rindo. (fonte: Vermute com Amendoim - A mascarada de Zé Keti)

Mascarada (samba, 1965) - Zé Keti e Elton Medeiros - Interpretação: Quarteto em Cy

LP/CD Quarteto em Cy / Título da música: Mascarada / Zé Keti (Composição) / Elton Medeiros (Composição) / Quarteto em Cy (Intérprete) / Gravadora: Forma / Ano: 1964 / Álbum: FM-4 / Faixa 11 / Gênero musical: Samba.

Tom: F

Intro 2x: F7M  C7(9+)

F7M           D7/F#           Gm           Abº
   Vejo agora      esse  seu  lindo  olhar
          Am7       D7(9+)
Olhar que eu sonhei
                      G7(13) G7(13)
que   sonhei   conquistar
             Gm         Bb7(9)        FM7
e   que   um   dia   afinal   conquistei
      D7/F#                Gm       Abº
Enfim      findou-se   o   carnaval
               Am7       D7(9+)
E   só   nos   carnavais
                Gm
Encontrava-te   sem
      Bb7(9)                        Bb7(9+)      F7
Encontrar    esse   seu   lindo   olhar   porque
                     Bb6
O    poeta    era    eu
                          Bbm7
Cujas   rimas   eram   compostas
                       Am7
Na   esperança   de   que
   D7             FM7     D7/F#
Tirasses   essa   máscara
               Gm
Que   sempre   me   fez   mal
Abº             Gm7
Mal   que   findou   só
   C7(b9)      C7(9)  F
Depois    do    carnaval
      C7(9+)
Dos   carnavais

quarta-feira, novembro 01, 2006

Quarteto em Cy


Quarteto em Cy - Conjunto vocal formado em Salvador BA pelas irmãs Cyva (Cyva de Sá Leite, Ibirataia BA 1939-), Cybele (Cybele de Sá Leite, Ibirataia 1940-), Cynara (Cynara de Sá Leite, Ibirataia 1945-) e Cylene (Cylene de Sá Leite 1946-).


Inicialmente Cynara e Cylene, Cyva e Cybele cantavam em duplas em Salvador. Depois, uniram-se, formando o quarteto, que estreou na TV Itapoã, em Salvador. Em 1959, Cyva foi para o Rio de Janeiro RJ tentar carreira artística, e depois as outras a seguiram. Conheceram, então, Vinícius de Moraes, que sugeriu o nome para o quarteto.

Em maio de 1963, o conjunto gravou com Catulo de Paula a trilha sonora do filme Sol sobre a lama, de Alex Viany. Em 1964 o quarteto fez o primeiro show, na boate carioca Bottle's, e em seguida acompanhou Vinícius de Moraes e Dorival Caymmi em show produzido por Aluísio de Oliveira na boate carioca Zum-Zum, gravando o primeiro LP - Quarteto em Cy - pela Forma, onde se destacaram suas interpretações de Reza (Edu Lobo e Rui Guerra) e Berimbau (Baden Powell e Vinícius de Moraes).

Em 1965 lançou, também pela Forma, o LP Som definitivo, com, entre outras, Arrastão (Edu Lobo e Vinícius de Moraes) e Das rosas (Dorival Caymmi); e, em 1966, gravou o LP Quarteto em Cy, pela Elenco, com Pedro pedreiro (Chico Buarque de Hollanda) e Canto de Ossanha (Baden Powell e Vinícius de Moraes).

Sem Cylene, que saiu do grupo para casar e foi substituída por Regina, cantora carioca que mudou seu nome para Cyregina, o quarteto foi aos EUA, ainda em 1966, apresentando-se em televisão. Na volta, participou do Show do crioulo doido, de Sérgio Porto, no Teatro Toneleros, no Rio de Janeiro.

A partir de 1967, Cynara e Cybele, sem se desligarem do quarteto, começaram a cantar em dupla, defendendo Carolina (Chico Buarque de Hollanda), no II FIC, da TV Globo, do Rio de Janeiro, em que foram classificadas em terceiro lugar. Ainda no mesmo ano, o grupo lançou o LP Marré em Cy pela Elenco.

Em 1968, Cynara e Cybele cantaram a música vencedora do III FIC: Sabiá (Chico Buarque de Hollanda e Tom Jobim); e o quarteto gravou, nesse mesmo ano, o LP Em Cy maior, pela Elenco, com Samba do crioulo doido (Sérgio Porto) e Juliana (Dorival Caymmi).

Através do produtor Aluísio de Oliveira, casado com Cyva, o quarteto foi contratado para atuar nos EUA. Cynara e Cybele deixaram o conjunto nessa ocasião e foram substituídas por Cynthia e Cymíramis, ficando apenas Cyva, do quarteto original. No entanto, em janeiro de 1970, ainda nos EUA, o grupo se desfez, sendo reestruturado em 1972, quando Cyva voltou ao Brasil. A partir de então o quarteto foi formado por Cyva e Cynara e mais Soninha (Sônia Maria Ferreira de Medeiros Albuquerque, Rio de Janeiro 1947-) e Dorinha (Dora Tapajós Gomes, Rio de Janeiro 1950-).

O conjunto gravou, em 1972, pela Odeon, o LP Quarteto em Cy, com Quando o carnaval chegar (Chico Buarque de Hollanda) e Tudo o que você podia ser (Lô e Márcio Borges). Em 1975, lançou pela Philips o LP Antologia do samba-canção, com pot-pourri de Ary Barroso, Lupicínio Rodrigues, Herivelto Martins e outros, e em 1979 saiu Cobra de vidro, LP gravado com o MPB-4. No ano seguinte Cybele voltou ao grupo em lugar de Dorinha, e essa formação permanece há 18 anos, sempre sob a direção musical de Célia Vaz.

Na década de 1980 gravaram os discos Quarteto em Cy interpreta Caetano, Milton, Gonzaguinha e Ivan (1981, Philips); Pontos de luz (1983, Som Livre); A arte do Quarteto em Cy (1984, Philips); e Para fazer feliz a quem se ama (1989, CBS).

Em 1989 o quarteto apresentou-se em Tóquio, participando de um festival de bossa nova, de shows na boate Kay e de um especial para a TV japonesa, juntamente com Carlos Lyra e Leila Pinheiro. Em 1992 viajou pela Espanha, com Carlos Lyra, Gilson Peranzetta e Maria Creuza, participando das comemorações dos 500 anos do descobrimento da América a convite do governo espanhol.

O quarteto voltou a se apresentar no Japão em 1997. No mesmo ano, recebeu o Prêmio Sharp de Música como o melhor grupo vocal do ano e lançou pela Polygram o CD Bate boca, em que interpreta músicas de Chico Buarque e Tom Jobim ao lado do MPB-4. Na década de 1990 foram lançados os discos Chico em Cy (1991, CID); Vinícius em Cy (1993, CID); Trinta anos (1994, Polygram) e Brasil em Cy (1996, CID).


Fonte: Adaptado da Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora, 2000.