quarta-feira, março 08, 2006

Bahiano, o primeiro cantor profissional


Não fora a introdução do fonógrafo no Brasil, talvez a carreira de um dos mais celebrados intérpretes da música popular brasileira tivesse se perdido. Mas foi o fonógrafo o responsável por ser possível avaliar a obra do cantor Bahiano, logo após a implantação do aparelho no Brasil.


Quando em 1903 Fred Figner, o proprietário da Casa Edison, fez editar o primeiro catálogo comercial de discos de sua fábrica, quem encabeçava a lista das primeiras 73 gravações era exatamente Bahiano, por ele contratado - junto com Cadete, outro intérprete popular - para ser o primeiro a gravar comercialmente no Brasil (Foto ao lado: o cantor Bahiano).

Nascido em 5 de dezembro de 1887, em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, Manuel Pedro dos Santos, que viveria no Rio de Janeiro até sua morte em 15 de julho de 1944, ganhou fama ao se tornar cançonetista com o apelido de Bahiano. Especializado em modinhas e lundus, que cantava acompanhando-se ao violão, teve a chance de se tornar conhecido e ganhar lugar definitivo na história da música popular brasileira e do samba em particular, ao gravar para a Casa Edison o considerado primeiro samba levado ao disco, o Pelo Telefone, em 1917.

Primeiro cantor a se profissionalizar no Brasil, gravou também o primeiro disco, que substituiu os cilindros gravados, como de hábito na época, em apenas uma das faces. Esse registro foi feito com o lundu de Xisto Bahia, Isto é bom, no selo Zon-O-Phone n° 10.001.

Fez sucesso até meados dos anos 20, gravando composições consideradas clássicas entre as centenas de sua discografia. A modinha Perdão Emília, de Eduardo das Neves, o tango de Arthur Azevedo, As Laranjas da Sabina, e a toada Caboca de Caxangá, de Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco, são exemplos.

No final da carreira grava Quem Eu Sou, lamentoso e autobiográfico: "Quem eu sou? / Um baiano atirado / Nessas vagas soberbas do mar / Já sem leme, bem perto da rocha / Desse abismo que vai me tragar" - e fecha com uma fala inesperada: "Canto há tantos anos e nunca arranjei nada. Finalmente, consegui um empregozinho nesta casa, com o que vou vivendo, graças a Deus".


O Echo Phonographico de São Paulo, homenageava em 1904 o cantor Bahiano. Com ele nascia a profissão de cantor.


Fonte: "História do Samba" (fascículos) - Editora Globo.

Lalá e seus trocadilhos


Era uma das pessoas mais bem humoradas e divertidas de sua época, não perdendo nunca a chance de um trocadilho ou de uma piada. Em uma entrevista afirmou "Eu me achava um colosso. Mas um dia, olhando-me no espelho, vi que não tenho colo, só tenho osso". 


Numa outra, lhe perguntam qual era a maior aspiração dos artistas, Lalá não vacila: "A aspiração varia de acordo com o temperamento de cada um... Uns desejam ir ao céu... já que atuam no éter... Outros evaporam-se nesse mesmo éter... Os pensamentos da classe são éter... ó... gênios..." - valeu-lhe o título de "O Pior Trocadilho de 1941".

Lamartine Babo nasceu na Rua Teófilo Otoni, centro da cidade do Rio de Janeiro, no dia 10 de janeiro de 1904. Décimo segundo filho do casal Leopoldo de Azeredo Babo e Dona Bernardina Gonçalves Babo, logo teve que se mudar com a família para a Tijuca, em função da construção de novas avenidas no local onde moravam. Lamartine fez o curso primário numa escola pública, perto de sua casa, na Tijuca. Aos onze anos foi para o Colégio São Bento para cursar o ginásio. Teve contato com a música desde criança, pois sua mãe e uma irmã tocavam piano e o pai era amigo, entre outros, de Ernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense, que sempre frequentavam sua casa.

Sua primeira marchinha gravada foi Os calças largas, em que Lamartine debochava dos rapazes que usavam calças boca-de-sino. Em 1937, com a censura imposta pelo Estado Novo de Getúlio Vargas, carnavalescos irreverentes como ele ficaram proibidos de utilizar a sátira em suas composições. Sem a irreverência costumeira, as marchinhas não foram mais as mesmas. Em 1951, aos 47 anos, Lamartine, que nunca tivera sorte no amor, casou-se, enfim. Morreu vitimado por um enfarte, no dia 16 de Junho de 1963, deixando seu nome no rol dos grandes compositores deste país.

Biografia completa

Lamartine de Azeredo Babo nasceu na Rua Teófilo Otoni, centro da cidade do Rio de Janeiro, no dia 10 de janeiro de 1904. Décimo segundo filho do casal Leopoldo de Azeredo Babo e D. Bernardina Gonçalves Babo, logo teve que se mudar com a família para a Tijuca, em função da construção de novas avenidas no local onde moravam. Lamartine fez o curso primário numa escola pública, perto de sua casa, na Tijuca. Aos onze anos foi para o Colégio São Bento para cursar o ginásio. Teve contato com a música desde criança, pois sua mãe e uma irmã tocavam piano e o pai era amigo, entre outros, de Ernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense, que sempre frequentavam sua casa.

Por isso, o pequeno e magro Lamartine muito cedo posou de compositor para seus colegas de escola. Para provar que conseguia compor uma música usando apenas as notas sol, dó e mi, acabou fazendo o fox-trot "Pandorama", um ritmo norte-americano muito em alta na época. Lamartine era um menino muito criativo e acabou vencendo um concurso literário com a poesia "O Frade que pedia esmola". Sua primeira valsa, "Torturas de amor", foi composta quando tinha apenas treze anos de idade.

Em 1917 morreu o pai de Lamartine Babo. Em 1919 Lamartine compôs, sob influência da educação beneditina, "Ave Maria", que foi tocada em seu casamento e que até hoje é cantada nas igrejas católicas. Concluído o ginásio, Lamartine foi para o Colégio Pedro II, onde se bacharelou em letras, equivalente ao colegial de hoje.

Lamartine queria, em 1920, cursar a Escola Politécnica, mas a situação financeira da família, que vinha se tornando precária desde a morte do pai, o obrigou a trabalhar como office-boy na Light, ganhando 50 mil réis por mês. Do seu magro salário, Lamartine conseguia economizar uns trocados para, de vez em quando, freqüentar o Teatro Municipal, o Lírico ou o São Pedro de Alcântara, hoje João Caetano, onde deliciava-se com alegres operetas vienenses. Nesse mesmo ano Lamartine compôs sua primeira opereta: "Cibele".

O bom-humor e a facilidade de fazer piadas e trocadilhos levaram Lamartine, em 1923, a colaborar na revista 'Dom Quixote', dirigida por Bastos Tigre e especializada em humor, sátiras e críticas à época. Demitido da Light em 1924, Lamartine conseguiu um emprego na Companhia Internacional de Seguros, onde ficou por pouco tempo, passando, em seguida, a escrever e compor para o teatro de revista. Ainda nesse ano, sob os pseudônimos de Frei Caneca, Poeta Cinzento, T. Misto, Janeiro Ramos, Luxurious e N. N., Lamartine escreveu artigos e poesias simples para as revistas "Paratodos" e "Shimmy".

Orientado por seu amigo Eduardo Souto, Lamartine descobriu o fértil campo das marchinhas carnavalescas e, em 1925, começou a compor para os ranchos "Recreio das Flores" "Africanos", "Jardim dos Amores" e "Ameno Resedá", fazendo sucesso com a marchinha "Foi você". Em 1926 Lamartine compôs, anonimamente, para as revistas "Prestes a chegar" e "A mascote" e, em 1927, para "Paulista de Macaé" e "É da pontinha".

Como revistógrafo e compositor, o nome de Lamartine apareceu com sucesso em novembro de 1927, na revista "Os calças-largas", cuja música título, composta em parceria com Gonçalves de Oliveira e que satirizava a moda das calças boca-de-sino, foi gravada por Frederico Rocha, na Odeon, para o Carnaval de 1928; esta foi a primeira composição gravada de Lamartine Babo. A revista "Ouro à beça", de Lamartine com colaboração de Djalma Nunes, J. Castilho e Henrique Vogeler, foi uma das maiores atrações de 1928. Autor da comédia musicada "Este mundo vai mal", que estreou com sucesso em outubro de 1928, Lamartine colaborou também, no mesmo ano, na revista "Vai haver o diabo", que estreou em novembro.

Ainda nesse ano, para ajudar no orçamento, Lamartine deu aulas de dança no Clube Tuna Comercial e no Ginásio Português. Também de 1928 são suas composições "Nunca, jamais" e "Raios de um olhar" e, ainda, "Amor de mulato", "Cachorro quente" e "Oh! Nina", em parceria com Ary Barroso; "Cai n'água", com Lírio Panicali; "Cariocadas", com Hekel Tavares; "O ciúme é que te mata", com Osvaldo Cardoso de Menezes; "Cresça e apareça", com L. N. Menezes; "Cuidado com ela", "Essa velha tem malícia" e "Foi você", com Pedro Cabral; "Elza", com A F. Conceição e Xavier Pinheiro; "Eu não sei por que é", com F. Fonseca Costa; "Noite de amor", com J. Ramen; e "Seu Voronoff", em parceria com João Rossi.

Lamartine iniciou sua carreira no rádio em 1929, na Rádio Educadora, onde cantava com sua voz de falsete, contava piadas e fazia esquetes. De 1929 são suas composições "Dona boa", "Gemer no violão", "Uma tarde em New York" e "Zeca Ivo" e, também, "Amor na Penha", em parceria com João Rossi; "O campeão de xadrez", em parceria com J. Machado; "A capixaba", "Didi", "Em Santa Catarina tudo é flor", "Fruta do Pará", "Guanabara", "Maranhão, terra poética", "Meu Ceará", "Mineirinha", "Na terra do bom tempero", "Oh! Linda praia de amor", "Paraíba", "Perfil de gaúcha", "Sergipe, apelido do amor", "Seu Goiás", "Sonhos de Natal" e "Vou pro Piauí", em parceria com Henrique Vogeler e J. M. Pereira; "Helena de Azambuja", em parceria com A. R. de Jesus; "Lágrimas ocultas", em parceria com A. Miniutti; "O meu penar", em parceria com Pedro Cabral; "Tem gente olhando", em parceria com Tuiú; e "A vida é um inferno onde as mulheres são os demônios", em parceria com Zeca Ivo.

Em 1930, na Rádio Educadora, Lamartine começou a fazer o programa "Horas Lamartinescas", onde divulgava suas músicas, contava piadas e improvisava trocadilhos e onde também se apresentaram Noel Rosa e Marília Batista, entre outros. Nesse mesmo ano Lamartine venceu um concurso promovido pela revista "O Cruzeiro", com a marchinha "Bota o feijão no fogo". Desse ano também são as composições "Altofalante", "Chora", "A descoberta da América", "Eu quero casar" e "Rosinha" e, ainda, "Cutuca, Maroca", em parceria com D. Guimarães; "Diga", com Gonçalves de Oliveira; "Amazonas", "A Bandeirante", "Terra fluminense" e "Toada alagoana", com Henrique Vogeler e J. M. Pereira; "Como é gostoso amar", com Glauco Viana; "Devaneios", com Carlos Rodrigues; "Mulher sublime", com Donga; "Sonhos de Rinetti", com Jonas Aragão; "Teus olhos castanhos", com Bonfiglio de Oliveira; e "Tristeza havaiana", com Furinha.

Em 1931 Lamartine compôs e gravou o fox-charge "Canção para inglês ver", cuja letra revela a grande originalidade de Lamartine, uma das principais características de sua obra. Ainda nesse ano Lamartine passou a colaborar nos jornais "Correio da Manhã", "Gazeta de Notícias" e "Diário de Notícias" e venceu um concurso da Casa Edison com "Bonde errado", além de ter alcançado grande sucesso com "Lua Cor de Prata" e "Minha cabrocha". Nesse ano Lamartine também compôs "Gegê - Seu Getúlio"; com Noel Rosa, compôs "A.b.surdo"e "Nega"; com Sátiro de Almeida , "Gandaia"; com Vantuil de Carvalho e Domingos Carvalho,"Juraci"; com Josué de Barros, "Olha a cara dela"; com A. Demerval, "Onde você está morando?"; com Bonfiglio de Oliveira, "Sonho Brasileiro"; e, entusiasmado com a melodia que Ary Barroso havia composto para o poema "Na grota funda", de J. Carlos, Lamartine resolveu fazer outra letra, mudando o título da composição para "No rancho fundo". Ary gostou tanto do trabalho de Lalá que a partir daí compuseram juntos uma série de sucessos.

Com os Irmãos Valença, Lamartine compôs a marcha que foi um dos maiores sucessos carnavalescos de 1932 e de todos os tempos: "O teu cabelo não nega". Inicialmente, essa marcha era uma música dos Irmãos Valença, de Pernambuco, que a enviaram à Victor com o título de "Mulata". Como a linguagem dos versos era muito regional, a gravadora pediu a Lamartine que adaptasse a composição ao gosto carioca. Ele mudou radicalmente o original: alterou o ritmo, modificou a letra e acrescentou a famosa introdução. A marchinha acabou sendo gravada como "motivo do Norte com arranjos de Lamartine Babo" e editada como de exclusiva autoria de Lamartine. Os Irmãos Valença levaram o caso à justiça, que lhes deu ganho de causa, passando à legítima condição de parceiros de Lamartine.

Em 1932 Lamartine compôs, com Noel Rosa, "AEIOU"; com Francisco Alves e Ismael Silva, "Ao romper da aurora"; com Antonio Viana, "Eterna prontidão"; com Bonfiglio de Oliveira, Lamartine compôs "Meu sabiá"; e com Ary Barroso, "Palmeira Triste". Também de 1932 são as composições de Lamartine: "Babo...zeira...", "Uma família radiante", "Marchinha do amor", "Papai não deixa", "Passarinho... passarinho", "Rapsódia em réus maiores", "Só dando com uma pedra nela" e "A tua vida é um segredo", que foi um dos campeões do carnaval de 1933.

Em 1933 Lamartine fez sucesso com "Linda morena" e "Moleque indigesto" e, também, com "Aí, hein! " e "Boa bola", estas compostas em parceria com Paulo Valença. "Linda Morena", muito cantada pelos foliões, foi originalmente gravada por Lamartine, Mário Reis e o Grupo da Guarda Velha, para o carnaval de 1933. Ainda em 1933, em parceria com Alcir Pires Vermelho, Lamartine compôs "Dá cá o pé...loura"; com João de Barro, compôs "Eu queria ser ioiô"; com Noel Rosa, "Eu queria um retratinho de você"; e com Ari Pavão, compôs "Infelizmente". Nesse mesmo ano Lamartine compôs, sem parceria, "Bem-te-vi", "As cinco estações do ano", "Lola", "Paisagens de São Lourenço", "Tarde na serra" e "Chegou a hora da fogueira", que revela Lamartine num gênero, hoje, quase esquecido: as marchinhas juninas.

Em 1934, em parceria com João de Barro, Lamartine compôs "Uma andorinha não faz verão"; com Moacir Araújo, compôs "Baiana do meu coração"; com Assis Valente, "Bis " com Alcir Pires Vermelho, "E... foi assim..."; e com Hervé Cordovil, "Menina Oxygené". Também de 1934 são as composições "Deixa a velhinha", "Dois a dois", "Eu também", "História do Brasil", " "Isto é lá com Santo Antônio", "Marchinha nupcial", "Paisagem de minha terra", "Parei contigo", "Ride palhaço", "O sol nasceu pra todos" e "Rasguei a minha fantasia", que foi composta para o carnaval de 1935 e gravada por Mário Reis, transformando-se num dos grandes êxitos daquele ano.

Em 1935 Lamartine venceu novamente o carnaval com "Grau dez", composta em parceria com Ary Barroso. Desse ano são também as composições "Chora... chora..." "Pistolões", "Rapsódia Lamartinesca nº 2", "Senhorita Carnaval", feita para promover o sabonete marca Carnaval, e "Verbo amar". E, ainda, "Antônio, por favor", feita em parceria com José Maria de Abreu; "Canção apaixonada", "A melhor das três" e "Roda de fogo", em parceria com Alcir Pires Vermelho; "E o samba continua" e "Na virada da montanha", com Ary Barroso; "Mariana", com Bonfiglio de Oliveira; e "Moreninha sweepstake" e "Seu Abóbora", com Hervé Cordovil.

O ano de 1936 trouxe "Marchinha do grande galo", composta por Lamartine em parceria com Paulo Barbosa e lembrada até hoje: "O galo tem saudades da galinha carijó". Nesse mesmo ano Lamartine compôs "Cinqüenta por cento" e "A tal". Em parceria com Hervé Cordovil, compôs "Alô, alô Carnaval" e "Rio"; com Nássara, "Cadência"; com Alberto Ribeiro, "Comprei uma fantasia de pierrô"; com Assis Valente, "Jeanette"; com Noel Rosa, "Menina dos meus olhos"; e com Alberto Ribeiro e João de Barro, "Cantores de Rádio", que, originalmente gravada pelas irmãs Carmen e Aurora Miranda, pertencia ao filme "Alô, Alô, Carnaval". Depois foi gravada por Chico Buarque, junto com Nara Leão e Maria Bethânia, como parte da trilha sonora do filme "Quando o carnaval chegar", de Carlos Diegues.

Em 1935 Lamartine havia recebido, da cidade de Boa Esperança, Minas Gerais, uma carta poética e apaixonada, assinada por Nair Pimenta de Oliveira. Lamartine e Nair se corresponderam por cerca de um ano, até que veio o adeus, numa última carta de Nair. Meses mais tarde Lamartine recebeu uma correspondência do dentista Carlos Alves Neto, da mesma cidade de Nair, convidando-o para a festa de estréia de um conjunto musical. Sonhando encontrar-se com Nair, Lamartine foi para Minas e teve uma incrível surpresa: Nair era uma garotinha, sobrinha do dentista, o qual era o autor das cartas. Carlos colecionava fotos de artistas e se valeu das correspondências com Lamartine para aumentar sua coleção. Essa história foi a responsável pelo surgimento de uma famosa canção de Lamartine, "Serra da Boa Esperança", gravada por Francisco Alves em 1937 e depois, em 1952, três dias antes de morrer em acidente automobilístico.

De 1937 também são as composições de Lamartine "Ganga", "Gauchinha", "Já tirei meu chapéu", "Menina das lojas", "Só nós dois no salão e esta valsa" e, ainda, "Mais uma valsa, mais uma saudade ", composta em parceria com José Maria de Abreu e "Pensão do Catete", em parceria com Milton Amaral. A partir de 1937, com a censura imposta pelo Estado Novo, as composições carnavalescas de Lamartine Babo tornaram-se esporádicas, mas ele continuou seu trabalho de radialista. As "Horas Lamartinescas" da Rádio Educadora foram substituídas pelo programa "Canção do Dia", na Rádio Mayrink Veiga, onde Lamartine apresentava uma música inédita por programa; na Mayrink Veiga, Lamartine produziu também o "Clube da Meia-Noite". Em 1937 Lamartine foi para a Rádio Nacional, levando o "Clube da Meia-Noite", que passou a se chamar "Clube dos Fantasmas" e onde produziu também a série "Vida Pitoresca dos Compositores da nossa Música Popular".

Em 1938, com Hervé Cordovil, Lamartine compôs "Esquina da sorte"; com Carlos Neto, compôs "Vaca amarela", e, sem parceria, compôs "Hino do Carnaval Brasileiro", uma de suas últimas criações carnavalescas. Em 1939, para o show "Joujoux e balangandans", que foi apresentado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e do qual era diretor musical, Lamartine compôs a marcha "Jou jou balagandans". Ainda em 1939 Lamartine compôs "Voltei a cantar"; em parceria com Celso Macedo, compôs "Cessa tudo"; e com Enéias, compôs "Tamanho não é documento".

De 1940 é a composição de Lamartine "De... cadência de pierrô", feita em parceria com Alcir Pires Vermelho. Em 1941 Lamartine compôs o fox-blue "Perdão amor"; com Moacir Araújo, compôs a marcha "Minha companhia é a Colombina"; e com Francisco Matoso, a valsa "Eu sonhei que tu estavas tão linda ", imortalizada na voz de Carlos Galhardo.

Em 1942 Lamartine criou, na Rádio Nacional, o programa "Trem da Alegria", onde apresentou o Trio de Osso, integrado por Heber de Bôscoli, Iara Sales e por ele mesmo. O programa tornou-se um dos mais famosos do Brasil e passou por diversas emissoras de Rádio, mantendo-se no ar até 1955, ano em que, com a morte de Heber de Bôscoli, Lamartine deixou o rádio e passou a dedicar-se à União Brasileira de Compositores - UBC, como diretor. De 1942 também são suas composições "O V da vitória", "Alma dos violinos", esta em parceria com Alcir Pires Vermelho, e "La Canga", em parceria do Heber de Boscoli.

Apaixonado por futebol e torcedor do América Futebol Clube, Lamartine Babo escreveu hinos para todos os clubes cariocas, lançando-os, em 1943, no "Trem da Alegria".

Em 1944 Lamartine compôs, em parceria com José Maria de Abreu, "Uma valsa azul". Em 1945, em parceria com Moacir Araújo, compôs "En avant". Em 1949 compôs "Noites de junho". O eclético compositor Lamartine Babo também produziu programas para a televisão, foi produtor da Copacabana Discos e publicou dois livros humorísticos: "Lamartiníadas" e "Pindaíbas".

Somente em 1951, aos 47 anos, Lamartine optou pelo casamento e já não era mais o Lalá magrinho, tão caricaturado, quando se casou com Maria José Barroso. Havia parado de fumar, engordara, perdera os dentes e gostava de receber os amigos com uísque escocês, em sua ampla residência na Tijuca. Também de 1951 são as composições "Adeus, ano velho", "É... elas voltaram", esta em parceria com Roberto Roberti e "Volta", feita em parceria com Roberto Martins.

Em 1952 Lalá compôs, em parceria com José Maria de Abreu, "Valsa da formatura". Em 1954, em parceria com Roberto Martins, compôs "Valsa do calendário". Em 1955 compôs os sambas "Estranha coincidência" e "Três de abril". O ano de 1957 trouxe as composições "Marcha pro Oriente", em parceria com Ataulfo Alves; "O rapaz de minha rua", em parceria com Roberto Martins; e "Sonhei com Noel", em parceria com Marques Junior e Roberto Roberti. Vez ou outra Lamartine voltava a animar o carnaval com alguma composição. Em fins de 1958, a pedido do rancho Rouxinóis, da Ilha de Paquetá, compôs a marcha-rancho "Os Rouxinóis", lançada na revista "Bom mesmo é mulher", que estreou em janeiro de 1959.

Em 1959 Lalá compôs o samba "Maria dos Anjos". Em 1960, compôs "Meu carnaval do passado" e "Ontem à tarde". Em 1961, a marcha-rancho "Ressurreição dos velhos carnavais".

De 1963 são as composições "Noites de gala", em parceria com Alcir Pires Vermelho; "Qual delas?", em parceria com Carlos de La Riestra; e "Seja lá o que Deus quiser", só de Lamartine. Nesse mesmo ano Carlos Machado produziu, na boate do Copacabana Palace Hotel, o show "O teu cabelo não nega", baseado na vida de Lamartine Babo. Lalá frequentou os ensaios, mas não chegou a assistir ao show: morreu de enfarte, provocado pela emoção da homenagem, no dia 16 de junho de 1963, poucos dias antes da estreia do show, mas consagrado pelos foliões de ontem e de hoje, que nunca deixaram de cantar "O teu cabelo não nega".

Músicas no blog



































































Fontes: Samba-choro, Artistas, Memórias da MPB (Samira Prioli Jaime).

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Sinhô, o rei do Samba

Vaidoso, talentoso, falador, charmoso, conquistador, plagiário, pianista, brigão, amigo de ricos e miseráveis, pioneiro dos direitos autorais, fixador do samba carioca, compositor de enorme talento. Reunindo tudo isso na figura que Pixinguinha descreveu como "alto, magro, feio e desdentado", Sinhô colocou a coroa em sua cabeça antes que alguém o fizesse. Ele era o traço mais expressivo ligando os poetas, os artistas, a sociedade fina e culta às camadas profundas da ralé urbana. Daí a fascinação que despertava em toda gente quando levado a um salão.


A definição, o retrato traçado em crônica, não poderia ser mais bem acabado e ter mais competente autor. Quando da morte de Sinhô, dele se ocupou Manuel Bandeira, descrevendo seu velório em detalhes que a um poeta não escapariam: “A capelinha branca era muito exígua para conter todos quantos queriam bem ao Sinhô, tudo gente simples, malandros, soldados, marinheiros, donas de rende-vous baratos, meretrizes, chauffeurs, todos os sambistas de fama, os pretinhos dos choros dos botequins das ruas Júlio do Carmo e Benedito Hipólito (principais ruas do Mangue, a zona do meretrício carioca), mulheres dos morros, baianas de tabuleiro, vendedores de modinhas... As flores estão num botequim em frente, prolongamento da câmara-ardente. Bebe-se desbragadamente. Um vai-vem incessante da capela para o botequim”.

Bandeira, que por coincidência conhecera Sinhô em outro velório, o do boêmio e amigo de ambos, José do Patrocínio Filho, sabia muito de quem falava. Desde o primeiro encontro encantou-se com a figura “descarnada, lívida, um frangalho de gente, mas sempre fagueiro, vivaz, agilíssimo, dir-se-ia um moribundo galvanizado provisoriamente para uma farra”. Reconhecia nele o primeiro compositor a entender que o samba seria a expressão musical da cidade do Rio de Janeiro e ele o seu fixador, o consolidador do trabalho de popularização e profissionalismo iniciado por Donga. Sem maiores luzes intelectuais ou mesmo musicais, Sinhô sempre foi um instintivo iluminado.

Desde cedo avesso ao trabalho, percebeu que teria de tirar seu sustento, da família e das muitas mulheres que cruzaram sua vida, do talento que lhe sobrava e que permitiria fazer da música sua única - e agradável - fonte de renda.

Depois de viúvo e com filhos para criar, dívidas para pagar, tratou de fazer de seu piano a solução que jamais viria pois seria eterno boêmio, mudando de casa, fugindo de credores com a mesma constância com que compunha êxitos cada vez mais populares. Durante o dia fazia plantão junto ao piano da Casa Beethoven, onde executava partituras para possíveis clientes, e à noite podia ser visto nos mais diferentes lugares, tocando em prostíbulos, nas grandes sociedades (Clube dos Democráticos, dos Fenianos, Tenentes do Diabo etc.), em acampamentos ciganos nos subúrbios, no salão da Kananga do Japão, conhecido clube de dança, nas barracas da Festa da Penha ou nas reuniões musicais da casa de Tia Ciata.

Foi essa inquietude, somada à enorme vaidade, que o meteram em sua primeira grande polêmica musical, envolvendo os freqüentadores da casa da “tia” baiana. Sinhô desentendeu-se com China, irmão de Pixinguinha, e atacou logo o grupo inteiro, incluindo, além dos dois, Hilário Jovino e Donga como os baianos de Quem são eles? (A Bahia é boa terra/ela lá e eu aqui...). A resposta foi um samba dos irmãos, desancando o brigão com Já te digo (...ele é alto, magro e feio/ e desdentado/ele fala do mundo inteiro/e já vive avacalhado/no Rio de Janeiro).

Não ficaria por aí a mania de arrumar confusão, que acompanharia o compositor durante toda a sua vida. Pouco depois lança Pé de anjo com grande sucesso e volta a brigar com Hilário Jovino, que se apresenta como o verdadeiro autor da música. Desentende-se com Caninha por causa de um concurso na Festa da Penha e para não ser surrado por Heitor dos Prazeres — altamente respeitado no meio da malandragem — desaparece de circulação por algum tempo. Em 1927, Francisco Alves gravou Ora vejam só, assinada por Sinhô, enquanto Heitor, garantindo ser o autor, parte em busca do outro. Encurralado, Sinhô pronuncia a frase que ficou histórica: “Esse samba eu peguei no ar, Heitor. E samba é como passarinho. É de quem pegar”.

Talvez por não respeitar a propriedade alheia, foi que Sinhô tratou de proteger a sua. E dele a primeira manifestação de exigência de reconhecimento autoral de que se tem notícia no Brasil e feita de maneira simples e direta. As partituras de suas composições levavam um carimbo que as identificavam como suas, e os selos dos discos, com suas músicas, eram por ele rubricados. Revelando uma faceta muito à frente de seu tempo, pagava para que músicos, que tocavam em festas ou bailes, executassem quase exclusivamente músicas de sua autoria.

Já era famoso em meados dos anos 20 - e para isso contribuíra o entusiasmo dos reis da Bélgica, que em visita ao Brasil se encantaram com sua composição Fala meu louro, pedindo para ouvi-la repetidas vezes - e suas músicas eram ouvidas em todas as camadas sociais. Esse aspecto, destacado por Manuel Bandeira e já focalizado, fazia dele uma figura ímpar no Rio de Janeiro de então, transitando com sua música com a mesma desenvoltura nos mais refinados palacetes e nas mais miseráveis favelas.

Uma pequena biografia

José Barbosa da Silva ou Sinhô nasceu em 8 de setembro de 1888, no Rio de Janeiro, Sinhô - a origem do apelido é desconhecida -, mulato, filho do mestre pintor (profissional especializado em reproduzir imagens em paredes) Ernesto Barbosa da Silva, um apaixonado pelos grupos de choro que esperava ver o filho transformado em grande músico.

Mas, com 17 anos, Sinhô já está casado com Henriqueta, de 16 anos, a primeira de uma série de mulheres a se render ao charme do nada bonito mas talentosíssimo futuro músico e compositor e flautista. Enviúva aos 26 anos, pai de três filhos, já famoso por mudar constantemente de casa por não pagar aluguel e fugir de credores, passando a viver do piano que já tocava; e também começa a compor.

Apresenta-se onde pode conseguir dinheiro. É visto no clube Kananga do Japão, mas não rejeita ofertas de bailes, ranchos e casas suspeitas. Seu emprego mais fixo é o de pianista de plantão em lojas de instrumentos musicais e partituras, onde testa pianos e interpreta partituras para possíveis compradores. Na Casa Beethoven conhece outra pianista, e sua vida muda ao se tornarem amantes. Cecília se encarrega de passar para a pauta as primeiras composições de Sinhô e de ser a divulgadora de sua obra para os clientes da loja.

É na Casa Beethoven que burila o samba Quem são eles?, provocando Pixinguinha e sua turma. É seu primeiro sucesso, cantado no Carnaval de 1918 e ponto de partida para a carreira de compositor. Extremamente vaidoso e com grande capacidade de se auto-promover, torna-se conhecido no Rio de Janeiro, freqüentando todas as rodas, com amigos marginais, intelectuais, boêmios ou milionários.

A perspicácia leva-o a proteger suas obras, criando um carimbo que identifica cada partitura vendida e rubricando os discos gravados com suas músicas. O cuidado que tem com sua produção não o impede de desrespeitar o trabalho alheio, e por se apropriar de temas de outros, passou a vida inteira brigando. Foram seus adversários principalmente os compositores Heitor dos Prazeres - de quem esconde a parceria - e Caninha, com quem troca farpas musicais, briga que acaba por render a quadrinha de Assobro, cronista da época: "Dois cabras perigosos /dois diabos infernais /José Barbosa da Silva / José Luiz de Morais".

Famoso nos anos 20, suas músicas ganham sucesso no teatro de revista, um dos grandes lançadores de compositores e cantores na época. A vedete Araci Cortes faz de Sinhô um de seus autores favoritos e suas músicas ajudam cantores como Francisco Alves e Carmen Miranda a avançarem em suas carreiras.

Conquistador reconhecido, cercado de mulheres, acaba por viver com Nair, sua última companheira. Frequentador de reuniões intelectuais na casa do escritor Álvaro Moreira, não deixa de ser assíduo nos terreiros de macumba. Seu amigo José do Patrocínio Filho tenta fazer uma festa para coroá-lo Rei do Samba, e não consegue, mas Sinhô adota a realeza para sempre.

Em 1929, em São Paulo, participa da campanha eleitoral de Júlio Prestes e se apresenta no Teatro Municipal, onde mostra a nova composição Cansei. Volta ao Rio e Mário Reis faz grande sucesso com seu Jura. Sinhô está no auge. Mas, a tuberculose. à qual não dá atenção desde meados dos anos 20, cobra seu preço. No dia 4 de agosto de 1930, viajando na barca Sétima, da Ilha do Governador para o Rio, sofre forte hemoptise. O Rei do Samba chega ao velho Cais Pharoux, já morto.

Algumas músicas, letras e cifras:
















































Obra completa

Achou ruim, faz meio dia, sambinha, 1923; Alegrias de caboclo, canção, 1928; Alivia estes olhos, samba, 1920 ou 1921; Alta madrugada - Adão na ronda, cena cômica, 1930; Amar a uma só mulher, samba, 1927; Amor de poeta, samba-canção, 1930; Amor sem dinheiro, samba, 1926; Amostra à mão, samba, 1930; Ave de rapina, samba, 1930; Bem-te-quero, samba, 1927; Bem- te-vi, canção, 1928; Bem-te-vi, samba carnavalesco, 1927; Benzinho, choro-canção, 1927; O bobalhão, charleston carnavalesco, 1927; Burucuntum, samba, 1930; Cabeça de promessa, marcha, 1924; Cabeça é ás, samba, 1926; Cabeça inchada, marcha, 1923; Cada um por sua vez, sambinha, 1920; Cais dourado, toada, 1929; Canção roceira (Casinha de sapé), samba, 1920; Caneca de couro, samba, 1924; Canjiquinha quente, 1930; Cansei, samba-canção, 1929; Capinheiro (ou Capineiro), coco ajongado, 1929; Carga de burro, samba, 1928; Carinhos de vovô, romance, 1928; Cassino maxixe, maxixe, 1927; Cauã, valsa, 1929; Chequerê, choro, 1929; A cocaína, canção-tango, 1923; Como se gosta, valsa, 1929; Confessa, meu bem, samba, 1919; Confissão, canção, 1927; Confissões de amor, choro-modinha, 1930; Corta a saia (É lá), samba, 1926; Custe o que custar, samba, 1922; Dá nele, samba, 1930; Deixe deste costume, samba, 1919; Deus nos livre do castigo das mulheres, samba, 1928; Dor de cabeça, samba, 1924; Entre nós, samba, 1924; Eu ouço falar (Seu Julinho), samba, 1929; Eu queria saber, samba, 1929; Fala baixo, marcha, 1921; Fala, meu louro, samba, 1919; Fala, macacada, samba-toada, 1930; Falando sozinho, samba, 1927; A favela vai abaixo, samba, 1927; Feitiço gorado, samba, 1930; Força e luz (c/C. Castro), marcha, 1926; Gosto que me enrosco (c/Heitor dos Prazeres), samba, 1928; A guitarra, 1922; Hip! Hurra, marcha, 1924; Já é demais, samba-canção, 1930; Já...já..., samba, 1924; Jura, samba, 1928; A juriti, marcha, 1925; Kananga do Japão, polca-choro, 1918 ou 1919; A maçã proibida (c/Bastos Tigre), maxixe, s.d.; Macumba gegê, samba, 1923; Mal de amor, samba canção, 1931; Maldito costume, samba, 1929; A medida do Senhor do Bonfim, samba, 1929; Meus ciúmes, choro-canção, 1931; Miçanga, marcha, 1930; Mil e uma trapalhadas (c/Wilson Batista), s.d.; Minha branca, samba, 1929; Minha paixão, marcha, 1923; Mosca vareja (c/Durval Silva), marcha, 1927; Não posso me amofinar, samba, s.d.; Não quebra mais, marcha, 1927; Não quero saber mais dela, samba, 1927; Não sou baú, samba, 1929; Nossa Senhora do Brasil, dueto, 1929; Ó Rosa, marcha-chula, 1926; Ora vejam só, samba, 1927; O pé de anjo, marcha, 1919; Pé de pilão, marcha, 1922; Pega rapaz, samba-choro, 1926; Por que será ?, marcha, 1930; Professor de violão, samba, s.d.; Quando come se lambuza, samba, 1923; Que vale a nota sem o carinho da mulher?, 1928; Quem fala de mim tem paixão, samba, 1926; Quem são eles?, samba, 1918; Ratos de raça, samba, 1929; Recordar é viver, canção, 1930; Reminiscências do passado, samba-canção, 1930, Sabiá, canção, 1928; Sai da raia, marcha, 1922; Salve-se quem puder, samba, 1930, Segura o boi (De boca em boca), samba, 1929; Sem amor, marcha, 1930; Sempre voando, samba, 1927; Si meu amô me vê, samba, 1930, Só por amizade, samba, 1919; Sonho de gaúcho, canção, 1927; Sou da fandanga, marcha carnavalesca, 1930; Super-ale (c/Ernesto Silva), samba, 1928; Tem papagaio no poleiro, samba, 1926; Tesourinha, samba, 1927; Trabalhando o retrato, samba, 1918; Vida apertada, marcha-batuque, 1923; Virou bola, samba, 1929; Viruta y chicharrón, tango, 1919; Viva a Penha, samba, 1930; Volta à palhoça, samba, 1927; Vou me benzer, samba, 1919 ou 1920.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora; História do Samba - Editora Globo.